Dizem as crónicas que o debate do programa do governo, ontem, foi cordato, bem-educado e digno. Parece que até a dona Maria do Dafundo, perdão, de Belém, foi muito gentil.
Chegou a haver um sargento do quadro do exército de comentadores de serviço permanente, que disse que o PS está a mudar de tom, e até jurou que estão definitivamente postas de lado as cenas ultramontanas, trauliteiras, ordinárias e aldrabonas em que o senhor Pinto de Sousa era especialista.
Como sabe quem vai tendo a paciência de ler este blogue, o IRRITADO não comunga da esperança dos opiniosos comentadores.
Nem de propósito, quando ao fim da tarde abriu a televisão, deu de caras com o camarada Basílio, indefectível socialista- democrata-cristão – diz ele – e amigo do peito do senhor Pinto de Sousa, como toda a gente sabe.
O homem não é de modas. Consegue ser mais papista que o papa com letra pequena, entendido papa como Pinto de Sousa.
Pegou no programa do governo e desatou à pancada ao que lá não estava. Não estava, ficámos a saber, vertida em loas e salamaleques, a maravilhosa obra do camarada Basílio.
O camarada Basílio, como é sabido – se não é ficou a ser – projectou o país para altíssimos voos de investimento estrangeiro, para uma nova dinâmica no comércio externo, para a modernização da economia, saldando-se por milhares de milhões a sua extraordinária obra. E nem uma palavra sobre o assunto no programa de governo! Que topete! Que falta de respeito!
O camarada Basílio sabe tudo, um tudo que não está – ó ignorância! – em tal programa.
O camarada Basílio tem as mais profundas dúvidas sobre a “experiência canadiana” do ministro da economia. E ainda tem mais sobre essa menina inexperiente que é ministra de uma data de coisas e que também teve a lata de não pôr no programa o que o camarada Basílio acha que devia lá estar.
Ele, camarada Basílio, está zangadíssimo porque o governo não tem ministro do trabalho, só do emprego. Carradas de razão!
E muito, muito mais, ao estilo cavernoso e badalão do senhor Pinto de Sousa.
O IRRITADO recomenda vivamente ao camarada Basílio que se filie na irmandade das galdérias e que desça o Parque Eduardo VII de bicicleta, todo nu – horribile visu! – a fim de estar sempre, sempre, à tona dos acontecimentos. É que, calcule-se, o programa do governo não diz nada acerca das galdérias, coitadinhas, nem refere a alta necessidade de mostrar o pandeiro ao povo.
Resta-nos a esperança de ver a dona Maria da Cruz Quebrada, perdão, de Belém, mandar calar este parvalhão, a fim de evitar mais vómitos ao IRRITADO. Que diabo, o IRRITADO também é gente!
1.7.11
António Borges de Carvalho

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