IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA IDEIA MALUCA, OU NEM POR ISSO

 

Um britânico qualquer, rapaz esperto, sugeriu que, para resolver o problema da falta de dinheiro, o Brasil tomasse conta disto.

Falam a mesma língua, dão-se bem, o Brasil é uma grande potência, Portugal não é viável sozinho, a Europa, enquanto espaço comum, deixou de existir ao primeiro abanão, tudo aponta para uma solução mais imaginativa do problema português, dizia, mais ou menos assim, o nosso bife.

Uma data de portugueses, malta patriótica, desatou a protestar, chamando-lhe uma série de nomes.

 

E, no entanto… a ideia não tem nada de estúpido. O Brasil, como a Madeira e os Açores, não é território povoado que Portugal tenha ocupado. Não tinha presença humana, à excepção de algumas tribos índias que ainda hoje se escondem nos confins do Brasil ou que, melhor ou pior, são absorvidas.

O Brasil foi povoado por portugueses, por africanos para lá levados pelos portugueses no tempo do comércio de escravos, foi desbravado por portugueses e transformado por portugueses, à custa de muito suor e muitas vidas, no maior território da América do Sul. Os portugueses da Europa – o seu Rei! – outorgaram a independência aos portugueses do Brasil e enquadraram-lhes os primeiros passos de grande Nação americana. Os brasileiros, neste sentido, são portugueses. O Brasil tem boas relações com Portugal, políticas, económicas, sociais, culturais e humanas.

No momento que passa, em que a Europa, simplesmente, deixou de funcionar, talvez não fosse estúpido que Portugal se repensasse como Nação marítima, transformando de novo o Atlântico em traço de união da civilização luso-tropical de que falava Gilberto Freire. Não foi só há 50 anos que Portugal assumiu uma posição continental, pela primeira vez depois da Idade Média?

Daí que a ideia de uma Federação Luso-Brasileira não seja nem utópica nem pouco inteligente.

 

Dir-se-á que o que move quem defende esta hipótese não é mais que a procura de novas especiarias, de outro ouro, por outras palavras, de resolver, à custa de terceiros, os problemas que os desvarios da terceira República causaram.

 

Há que ir um pouco além da circunstância e tentar pensar em termos de futuro. De sonho, se quiserem. Não foi o sonho que fez de Portugal alguma coisa?

Portugal não representaria, para o Brasil, um mero encargo financeiro. O apport português seria muito mais valioso que tais custos. Seria a porta da Europa, pelo menos marítima se tivéssemos que sair da União. Seria a maior zona marítima da Europa somada a uma das maiores das Américas à disposição da federação, seria um imenso ganho cultural e social para os dois países. Seria a entrada do Brasil num concerto muito mais vasto que o de que hoje dispõe.

 

Por isso que a ideia do inglês, posta de outra maneira, nada tenha de despiciendo. Merece ser discutida e disseminada.

 

À atenção de quem pensa.

 

4.4.11

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “UMA IDEIA MALUCA, OU NEM POR ISSO”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Nunca fui grande fã da cantiga do “país irmão”, e quantos mais brasileiros conheci, menos fã me tornei. No entanto, mesmo a minha opinião negativa do assunto não chega aos calcanhares do que pensa a maioria dos brasileiros a nosso respeito. Compreendo as razões do Irritado, e têm a sua lógica, mas fazermos planos pelo Brasil, é um pouco como o Atlético Clube da Arrentela planear uma fusão com o Benfica – antes de sequer o consultar… Acresce que convivi, negociei, e trabalhei com muitos brasileiros: técnicos, criativos, até médicos conceituados, de locais tão distintos como o Rio, S. Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília. Não estou a pensar em brasileiros das favelas, ou outros estereótipos negativos que habitualmente (e com razão) associamos ao Brasil. Falo de gente educada, viajada, e até competente na sua profissão. Ainda assim, sou forçado a concluir: se a nossa maior esperança é depender do Brasil… mal de nós.

  2. Avatar de A nave dos Loucos
    A nave dos Loucos

    Não me quero alongar, até porque o tempo é escasso.Se devemos considerar vender Portugal, então vendamo-lo a quem der mais.Entregamos o coração do antigo império ao Brasil por razões económicas. Se amanhã houver vantagem, pedimos a Angola que nos tutele…As voltas que as pessoas dão para não terem que encarar que só há uma saída, julgar, prender e confiscar uma classe política e burocrata corrupta e canalha.Enquanto se branquear, andarão, sem a menor dignidade, a ver quem dá mais, a mendigar por esse mundo de Deus.

  3. Apenas um “senão”,Só há um povo que tem pior ideia de nós do que nós próprios… É o brasileiro…

  4. Portugal ou Brasil ou qualquer outra nação não tem pura e simplesmente voto nesta ou qualquer outra matéria, porque outros interesses se levantam. Somos apenas peões…(…) «O Congresso? A exceção de uns cinco por cento de deputados e senadores, o resto está preocupado com lista fechada e outras discussões que possam garantir a eternização de oligarquias como a de Sarney, figuras patéticas como Itamar Franco (quase prefeito de Aracaju) e trazer de voltas outras figuras sinistras montadas em consultoria e enriquecendo com as portas abertas para a corrupção. É lógico que esse tipo de acordo favorece a essa prática. (…)»http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2011/04/brasil-israel-forcas-armadas-i.html«Maariv “exclusive”: Israel and Brazil sign major security cooperation agreement»http://coteret.com/2010/12/02/maariv-%E2%80%9Cexclusive%E2%80%9D-israel-and-brazil-sign-major-security-cooperation-agreement/

  5. A grande diferença dessa idéia maluca é que o Brasil colonial foi explorado, saqueado, mau tratado por uma “povo soberano” que bate no peito e diz que ao descobrir o Brasil não tinha presença humana, só índios, humm, aminais?! E hoje a ajuda não seria mais que diplomacia, ajuda mútua, amores e amizades. Pela ironia da notícia do FT, percebemos sim, quem mais fala mal dos portugueses, hummm…brasileiros?! Mas não vou negar, estou morrendo de rir com a idéia.

    1. Pois ria-se à vontade. Eu próprio disse que era uma ideia maluca.O que o seu comentário revela é a visão retorcida e totalmente falsa da História que é comum em muitos brasileiros, especialmente os menos letrados.Deixe passar a crise. Depois falamos. É muito mais o que o Brasil (e Portugal) têm a ganhar com a ideia do que o que possa julgar ou pensar. Se pensasse mais um bocadinho… não era tão violenta nas suas observações. Que o digam os mais de 100.000 brasileiros que por aqui mourejam… com uma vida bem melhor, na maior parte dos casos, que a que tinham no Brasil.Já agora: v. é índia, ou resultado do povoamento português?Melhores cumprimentosABC

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