IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ABALIZADA OPINIÃO

 

Um magote de protestantes reuniu ontem para invectivar o PM por causa dos salários e mais não sei de quê.

Todos sofremos com o PM que temos e com a situação que ele criou e anda, numa correria, a agravar. Só que a maior parte de nós não vai fazer borradas à porta do PM, quanto mais não seja porque já percebeu que não serve para nada.

A rapaziada e o mulherio de ontem, em manif. ao que parece ilegal, estava ali para provocar, como toda a gente viu. A polícia aturou-os como pôde, como toda a gente viu. Não houve bastonadas, nem canhões da água, nem blindados, só um pelotão de polícias a querer conter um bando de díscolos e de histéricas, gritões e violentos, como toda a gente viu. Dois tipos foram dentro. Toda a gente viu porquê. Um já esta cá fora. O outro será cobardemente absolvido num mar de protestos e queixinhas.

 

O camarada Alegre aproveitou para pôr os pontos nos is. Confessou nada ter visto nem ter recebido informação alguma sobre o assunto.

Depois, decretou: Não tenho informação mas critico na mesma. Lapidar opinião do patarata. Nada sabe, mas critica. Uma questão de princípio. Como o lobo para o cordeiro: se não foste tu, foi o teu pai. Ou como o capitão da polícia de Casablanca: prendam os suspeitos do costume. Ou como a PIDE, que fazia o mesmo. Ou ainda, mais simplesmente, como o célebre intelectual que afirmava, peremptoriamente: Chuva em Novembro, Natal em Dezembro.

 

Tudo malta fixe, gente culta, fuuuuuu…

 

19.1.11

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “ABALIZADA OPINIÃO”

  1. No tempo de Sua Alteza Cavacal, “O Impoluto”, e do seu ilustre Ministro Dias Loureiro, “O Cabo-Verdiano”, não teria faltado bordoada da grossa… bons tempos… Também não defendo esta malta, que só se lembra de protestos pífios quando lhe vão directamente ao bolso. Fora isso, tudo lhes parece normal: a miséria dos outros, a escumalha que vai alternando no poder, as esmolas da UE para fins fraudulentos, um Estado chulo e ruinoso, o endividamento galopante, tudo, tudo. Só têm olhos para o seu umbigo, para os seus “direitos”. Mas – ainda assim – se é contra o Pinóquio e este governo desastroso, então é melhor isto, do que nada. Foram violentos? Deviam ter sido DEZ VEZES mais. Foram provocadores? Deviam ter sido CEM VEZES mais. O país está a saque, não é tempo para falinhas mansas ou paninhos quentes.

    1. Caro Filipe,Tenho notado/sentido a sua ausência. Os socialistas aqui do painel muito certamente também, sobretudo depois de tosados à grande, quando acometeram – como compete ao seu chilro ADN – altas cavalarias para que lhes faltava saber, invocando a despropósito a Mão Negra, tendo o Filipe aplicado as competentes marteladas em todo e cada dedo, deixando-lhes (então sim) merecidas nódoas negras. Sobre o Alegre, não há muito que dizer – e calando mais alargados comentários, farei toda a justiça ao nada que ele vale. No post “Alegres Bacoradas” perdi o tempo mais que suficiente sobre o ledo bácoro (não confundir com “lido”, como estultamente pretendem os socialistas locais).Venho só dizer-lhe como vou observando com interesse a evolução da sua irritada (o Irritado que me perdoe o plágio) reacção ao clima criado por este regime. É muito parecida com a da maioria das pessoas com quem me vou cruzando. É igualmente bem semelhante àquela experimentada pelas pessoas decentes que viviam em 1926. Aquilo que o Filipe diz não difere muito da famosa frase “um safanão dado a tempo” que deixa todos os comunas com pele de galinha. É óbvio que quem não viveu o PREC (o irmão do embaixador Calvet de Magalhães morreu de enfarte de miocárdio ao ser levado perante um pelotão de fuzilamento, “só para o assustar”, à ordem de Corvacho, o chefe do MFA no Norte) desconhece as sevícias que então eles praticaram – e Sampaio defendeu à época a sua legalidade em relatório encomendado pelas autoridades vigentes.Mas não podemos esquecer que o menino doirado do PS foi eleito pela maioria dos cidadãos. E isso remete para lucubrações mais alargadas sobre a aptidão de eleitos e eleitores. Os candidatos “não têm informação mas criticam na mesma”. Pois é: os eleitores, na sua maioria, também não sabem nada de nada – mas votam na mesma.Um grande abraço doManuel

      1. Caro Manuel, Sendo o voto universal o pilar do actual sistema democrático, creio que a competência dos eleitores é (ainda) mais importante do que a competência dos candidatos. É pois uma questão ontológica da própria democracia, que – a meu ver – é constantemente ignorada, devido à recusa geral em encarar o óbvio. O óbvio, para mim, é que votar não deve ser um direito indiscriminado, mas sim um direito merecido. Boa parte dos eleitores actuais não tem conhecimentos ou juízo crítico para eleger uma administração de condomínio, quanto mais um Governo. O problema radica também no circo eleitoral, que incentiva os eleitores não-pensantes: os partidos e candidatos são vendidos como um detergente ou uma pasta de dentes, em campanhas regiamente pagas a agências de marketing, e comícios parecidos a festivais de música pimba. Ouvi ontem na rádio, o relato das “arruadas” dos candidatos. Em todas, os mesmos gritinhos frenéticos, o mesmo júbilo imbecil em tocar no candidato, em dar-lhe beijinhos, em levá-lo aos ombros, em repetir-lhe os slogans acéfalos. É ISTO a nossa democracia, o nosso famoso eleitorado (ou o que ainda resta dele). Nem é preciso ir ao “povão”, para encontrar a arbitrariedade do método actual: basta pensar em nós próprios. Quando fiz 18 anos, o meu voto valia exactamente o mesmo que vale hoje, 17 anos depois. E no entanto, há um abismo empírico e cultural, entre o que sou hoje, e o que era então. Mais: nessa altura nada contribuía, as minhas preocupações dividiam-se entre estudos, futebóis, e namoradas. E cabia-me a mim escolher o rumo do país, com a mesma autoridade que os meus pais e avós? Que absurdo é este? Com um sistema assim, será de admirar que o lixo se acumule nos partidos? Será de admirar, que qualquer Pinto de Sousa seja eleito, até reeleito? Será de admirar, que todos se queixem (é o maior hobby nacional) mas nada mude? Há várias soluções possíveis, sem abdicar da democracia, mas todas esbarram nos mesmos problemas de fundo: a ignorância / estupidez da população, e o interesse político em deixar tudo como está. Sei que não é uma questão fácil, que se resolva em meia dúzia de comentários num blog, mas gostaria de saber a sua opinião. Um abraço, FB

        1. Caro Filipe,No longínquo ano de 1926 o nosso Fernando António Nogueira Pessoa precisava de arredondar o seu parco orçamento, por isso aceitou ser o organizador da Revista de Contabilidade e Comércio. No fim de cada maçudo capítulo sobre a “arte” de organizar os livros de contas ou arquivar documentação, entretinha-se a coligir umas noções que entendia úteis aos comerciantes e contabilistas.Uma delas rezava assim (perdoe o copy/paste):“Nenhuma carta deve estar sem resposta mais de 5 dias. Uma demora maior obriga legitimamente a apresentar uma desculpa, em geral falsa, e que, ao contrário do que julgam os que pedem desculpa, é quase sempre tida por falsa, mesmo que seja verdadeira.Ou a carta não tem resposta, e não se lhe responde; ou tem resposta, e se lhe responde logo; ou não pode ter resposta logo, e então escreve-se dizendo isso. Antes responder depressa, embora dizendo só parte, que demorar a resposta para dizer tudo.A fama de ser cortês vale mais que uma estampilha. É uma publicidade barata.”Como o Filipe me merece toda a cortesia, devo apressar-me a responder dentro do prazo prescrito por Pessoa. Por outro lado, Platão desconfiava em confiar (sic) os seus pensamentos “a uns caracteres imóveis”, (e se ele escrevia bem!). Pode portanto o Filipe aquilatar quanto me encontro interdito por responder às suas perplexidades cívico-políticas, tão pertinentes quanto insolúveis. Um diálogo de viva voz seria ainda pouco, quanto mais alguns vagos parágrafos.O lugar-comum assevera que não há perguntas idiotas e apenas as respostas podem merecer tal apodo. Claro que há excepções e nesta mesma página deparam-se-nos meia dúzia daquelas, bem cretinas, a que é forçoso resguardarmo-nos de responder.Vem isto a propósito do que lhe deverei redarguir sobre o que muito justamente o preocupa no que respeita ao valor que se deve dar ao voto de cada qual.Aquilo que me diz é, ponto por ponto, tal qual o que eu penso – só que bem mais eloquentemente exposto.Tal como os comunistas antes deles, os oportunistas viram uma janela de oportunidade de tomada de poder nesta coisa da democracia, que é o melhor regime quando se é sério. No tempo dos sovietes o “tratamento” dado às elites era ministrado por pelotões de fuzilamento. Depois do 25 de Abril, com a formação de partidos, os poucos competentes foram ostracizados pelos muitos medíocres. Seguindo as receitas de Maquiavel aplicadas à martelada e a velha lei de que para um homem sem princípios, os fins justificam os meios, conseguiram apossar-se do aparelho de Estado como um tumor, cujos resultados são hoje bem visíveis, senão irreversíveis.Porque esses sintomas são incontroversos, a nossa opinião é igual e a sua pergunta é portanto a minha resposta.Todavia e sob pena de me repetir, há algo que talvez possa acrescentar ao que o Filipe disse: as nossas eleições são sempre fraudalentas. E são-no porque os programas e promessas nunca são cumpridos. Aquilo que este primeiro-ministro fez, mal chegou ao poder, de comandita com o governador do Banco de Portugal, inventando um desastre para aumentar os impostos, ou nas últimas eleições, negando o desastre para as ganhar, é de um despudor e gravidade que só entre eleitores como os rombos socialistas de serviço na blogoesfera pode ser admitido, porque essa gente não tem princípios a respeitar, tem fins a atingir.Aduzindo um raciocínio primário, nem por isso menos válido: estamos tão preparados para a democracia como estamos para o euro. Ou seja, não somos ainda política nem economicamente adultos e recorrer a falsificações pode resultar durante algum tempo mas não para sempre. Para enfadar, acabo já, voltando ao ano em que Pessoa escrevia a sua revista de contabilidade. Nesse tempo, o País estava num estado muito semelhante ao actual. E encontrou então a melhor solução possível: alguém exterior aos partidos, competente, sério, acima de arranjos e suspeitas – por isso mesmo independente, respeitado e obedecido. O Khrushchev dizia que um bom político não se coíbe de prometer a construção de uma ponte num sítio onde não existe um rio. Por cá temos ponte (TTT), TGV e aeroporto. Estamos portanto bem melhor providos e é uma pena que não se aproveite essa benesse.Um abraço amigo doManuel

        2. Muito estimado Filipe,Se há coisa que me pesa é não poder estar à altura da simpatia que as outras pessoas me dispensam.Por incontornável falta de tempo, escrevi atabalhoadamente ao seu amável convite para glosarmos o tema do valor do voto num povo politicamente mal preparado, de eleitores e candidatos.Não será hoje que esgotaremos o assunto mas antes de ir almoçar passei aqui, só a pedir desculpa pelos erros da anterior resposta e a aproveitar para retocá-la naquilo que então não disse.A prova que estamos politicamente mal preparados para a democracia é a geral reacção de todas as pessoas a quem digo isto, por exemplo aqui. Se não fosse o caso, argumentariam com civilidade; como é mesmo o caso, exaltam-se, ofendem-se e ofendem. Não sabem aceitar outra opinião, nem dar a sua, coitados…É impossível que não se repare no desprezo com que ambas as partes se tratam. O eleitor inveja e desconfia (com toda a razão) daquele que elege, assim que a votação termina. O candidato, depois de eleito, trata o cidadão com desdém e desrespeito. Sócrates vai vender dívida (estes eufemismos são entre estúpidos e deliciosos, ainda não me decidi) ao Qatar? Pois nem se dá ao trabalho de comunicá-lo, diz umas patacoadas que a imprensa engole – e adiante.Com gente assim – de um lado e outro – é bem de ver que só ganha eleições aquele que promete o que não cumprirá. O honesto candidato a bom governante, se anunciar o que aí vem, não tem a menor hipótese de fazer frente ao desastre, porque será sempre preterido por aquele que inventar umas pantominices (ao estilo dos chavões imbecis que os socialistas aqui apregoam) que todos, ou quase todos, aceitam como válidos. Há quem compre um tal desodorizante porque no anúncio da televisão se diz/mostra que irá conquistar todas as mulheres com que se cruzar.O Padre António Vieira dizia que as palavras ditas ouvem-se, as palavras feitas vêem-se. As campanhas eleitorais são só isso mesmo: muitas palavras ditas. E o que eu nelas oiço nada tem a ver com o que vejo depois, ou antes. E o insulto, a infâmia, o desrespeito, a ordinarice chegaram a um nível que só prova a falta dele, tanto dos que falam como dos que querem ouvir. Um verdadeiro nojo. Não vai acreditar: tão pouco liguei a elas que só ao fim da tarde me lembrei que era o dia da votação, porque pelo sossego achei que fosse o da “reflexão” (outra idiotice, essa de se precisar de 24 horas para reflectir, depois de meses de campanha).Enfim, desde que o homem descobriu o fogo, vivemos de mitos. O do nosso tempo é a democracia. E agora vou tratar do estômago, para que o cérebro funcione melhor!Um abraço amigo doManuel

  2. Pena que em vez daquela gente não estivessem mais uns milhares e mandassem às malvas a questão da desobediência civil, que tantos louros trouxe a estas luminárias que se espojam no seu passado de luta anti-fácista!E pena também que escolham cirurgicamente a ocasião do doente mental estar ausente.Isto já só vai à traulitada!Esta mistela de regime corrupto e miserável desonra o passado histórico da nação e envergonha qualquer vulgar criatura que viva do seu trabalho, assistindo à feroz luta de parasitas em torno do erário público.

    1. Esta mistela de regime corrupto e miserável desonra o passado histórico da nação e envergonha qualquer vulgar criatura que viva do seu trabalho, assistindo à feroz luta de parasitas em torno do erário público.Qual passado histórico?O tempo dos cruzados contra os sarracenos?O tempo do comércio de escravos?O tempo da colonização a escravizar negros?O tempo salazarento cheia de pides bufos?Quem se espojam são os burros que não sabem escrever FASCISMO

      1. Por mais que tentes fazer-te passar por alienado, todos já perceberam que és avençado.Noutros tempos, falar assim da nossa História dava lugar a umas boas cavacadas nas protuberâncias que pendem dessa excrescência que tomas por cabeça.Hoje, no que resta do império que já fomos, desbaratado pelas ovelhas ranhosas do sucialismo e do comunismo, dá lugar a comenda e avença.Em 80 anos de domínio castelhano, não se produziram tantos estragos como em 35 anos de sucialismo.Um dia ajustar-se-ão contas com toda a seita de invertidos que por aí prolifera.

        1. A sombra de Santa Comba Dão ainda paira sobre este país.Agora só se fôr o império dos sentidos!!!

  3. Os juristas portugueses, sobretudo os constitucionalistas, discutem muito sobre muitos princípios e pouco sobre direitos coisa que eles não sabem o que é. Invoca-se o princípio da necessidade e o interesse público para justificar toda a série de patifarias e violação do direito. Como reagirá um tribunal se alguém agarrar na família e começar a ir comer para as prateleiras dos «Hipers» e a escavacar as casas quando os bancos os mandarem para debaixo da ponte.

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