IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TERCEIRO MUNDO

 

Em tempos, o IRRITADO andou por São Tomé e outros territórios do estilo.

O trabalho da “cooperação internacional” era uma doidice. Por exemplo, se alguém estivesse interessado em pescas, encontrava estudos e relatórios elaborados pelo Banco Mundial, pelo Banco Africano para o Desenvolvimento, pela UE, por Cuba, pela URSS, pelo raio que os parta. Todos os estudos e relatórios tinham a notável característica de dizer mais ou menos a mesma coisa. E todos, sem excepção, eram cópia de estudos e relatórios elaborados durante a administração portuguesa.

Quem fala de pescas, pode falar de muitas outras coisas. Passava-se o mesmo em virtualmente todos os sectores.

Havia “financiamentos”. Por exemplo, havia um de dez milhões de dólares para a recuperação das estradas. Uns malucos portugueses ofereceram-se para cumprir o mesmo caderno de encargos por mais ou menos um milhão dos ditos dólares. Nem pensar. Como é evidente, porque era preciso que os nove milhões sobrantes fizessem a devida circulação… As estradas nunca foram recuperadas, mas correram umas massas em estudos e projectos…

 

Na nossa terra, país da Europa civilizada, membro da UE e da zona euro, estado de direito, democracia estabilizada, etc. e tal, é mais ou menos como em África. O alter-mundialismo e o terceiro-mundismo que tantos adeptos teve por cá, foi mais bem sucedido que se aplicado pelos seus defensores e teóricos.

Estudos e mais estudos, outsourcing e mais outsourcing para tudo e mais alguma coisa. Empresas públicas que, se se mexeram foi perder dinheiro, melhor sendo que nada fizessem. As quietinhas custam ordenados e mordomias, sendo fornecedoras líquidas de cargos públicos aos pontapés. Fundações, autoridades, altos comissariados, empresas municipais, organismos autónomos, o diabo a quatro  pelo país fora, sempre a crescer em número e em despesa. Enxames de empresas públicas encarregadas de pagar ordenados e perder milhões, quantas vezes com a suprema utilidade de comprar coisas ao Estado mediante financiamentos com aval do Estado, coisas que, na privada, se não são crime pouco falta.

Ninguém saberá dizer onde começa e onde acaba o Estado. Ninguém saberá dizer o que significa o orçamento do Estado, se é que significa alguma coisa para além de ruinosa aldrabice como base nos milhares de milhões de euros perdidos no mundo das entidades e empresas públicas e aldrabonamente desorçamentados. Ninguém sabe qual é a dívida pública. Ninguém sabe o que é a contabilidade nacional. Ninguém sabe o que é o défice. O governo começou funções a aldrabar o orçamento, tomou o gosto à aldrabice, e prepara-se para sair deixando-nos neste mar de enganos, arruinados os portugueses e cheios os que souberam servir-se do governamental repasto.

 

O Terceiro mundo é aqui. Não é preciso ir à Guiné ou ao Bangladeche para o encontrar. O mesmo desvario de gastos, a mesma pendurice no Estado, o mesmo Estado onde a lei é o despacho e a Lei não interessa a não ser para abrir excepções. Um Tribunal de contas que é uma espécie de avó sensata a pregar no deserto sem que nada a oiça. Um universo estatal que nada nem ninguém controla, nem o parlamento, nem o Presidente, nem os tribunais, muito menos o governo.

14.000 (catorze mil!) entidades, empresas, autoridades, fundações…, tudo à vara larga, por aí, inúteis, redundantes, excepcionais…

Quantos milhares de farnienti? Não se sabe. Para “justificar” este putrefacto universo chega a dizer-se que, se se acabasse com ele, o desemprego aumentaria à grande. Não é bem assim, sobretudo se se fizer contas às “comissões de serviço”, “destacamentos” e outras manigâncias da ordem.

 

O Passos Coelho deve estar louco. Ninguém no seu perfeito juízo quererá herdar o que Pinto de Sousa tem para deixar.

Passos que se prepare: tem que fazer uma “revolução”, e tem que, claramente, explicar aos portugueses que, sem essa revolução, não haverá futuro para eles, para seus filhos e netos e para a existência minimamente soberana deste “jardim à beira mar plantado”, ou deste vale de lágrimas e mentiras em que o jardim foi transformado pelo socialismo.

 

Ah! É verdade! Desculpem, não foi o socialismo, foi o “neo-liberalismo”! Não é? Hihi.

 

Cambada!   

 

19.1.11

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “TERCEIRO MUNDO”

  1. Eu tenho para mim que este país,que há séculos é frequentado por um bando de pulhas,alguns dos quais até batem com a mão no peito,e que sempre exploraram,escravizaram e estupidificaram o povo,apesar de tudo tem evoluido.Hoje vive-se melhor em Portugal que há 40,30,20,ou 10 anos.Sem duvida que poderiamos estar melhor,não fosse a parasitagem politica e não só, que nos calhou em sorte.Os saudosistas do deus pátria e familia,que aqui vêm destilar os seus ódios de estimação,recusam-se a admitir o que é òbvio.Querem-nos fazer crer que a corrupção foi inventada pelos esquerdalhos,quando foi o regime salazarento que criou a escola da corrupção e bufaria,que na verdade nos moldou a forma.Haveria menos corrupção,sem duvida,tambem havia menos dinheiro em circulação e menos gente a circular em volta dele, e havia o lápis azul.Passos Coelho travestido de D. Sebastião vem finalmente salvar o burgo,pôr isto na ordem,contra quem? E a favor de que cambada?Para esse milagre terá de ser eleito primeiro.Os Antónios Ferros ainda andam por aí na sua propagandas!!!

    1. Tás bom Sérgio?

  2. Uma boa descrição da bandalheira instalada, mas o Irritado persiste em meter todas as culpas no mesmo saco – o do “Socialismo”. Num país em que a Banca controla a política a seu bel-prazer (até se dá ao luxo de pagar metade do IRC das restantes empresas), em que vários grupos económicos, cartéis, monopólios e semi-monopólios, são protegidos e enriquecidos pelo erário público, e em que a especulação bolsista é acarinhada, enquanto quem trabalha leva na tromba (que é para não ser otário), é curioso falar em “Socialismo”. Se persistirmos em ver o problema a preto-e-branco, em encontrar “bons” e “maus” da fita, não creio que cheguemos a lado nenhum. Este pântano não chegou a este ponto, apenas por acção do pseudosocialismo ou da pseudodireita, até porque ambos são ilusões para carneiro votar. Antes de podermos discutir ideologias, temos de VARRER estes partidos e esta classe política. Até lá, podem mudar o cheiro e as moscas, mas a… essência será a mesma.

    1. Terá alguma razão.No entanto, e passo a explicar, para IRRITADO, o socialismo confunde-se com o estatismo. O estatismo é sempre socialista, e socialista total quando se cai nos extremos. Hitler e Mossolini eram socialistas, Staline e quejandos eram socialistas. Salazar, à sua maneira, também.Somado o socialismo do Salazar ao do Cunhal e ao dos sociais-democratas propriamente ditos, temos um estado tão poderoso quanto ordinário, desonesto e omnipresente. O 25 livrou-nos da PIDE e da censura, mas “aproveitou” a herança estatista e agravou-lhe os defeitos e os resultados. Jamais tivemos um governo que se propusesse, e fizesse!, aquilo a que toda a gente chama “reforma do Estado”, coisa que será o que for na cabeça de cada um mas, na do IRRITADO, quer dizer acabar com o que existe e construir, sobre as suas cinzas, um Estado propriamente dito, o que, para o IRRITADO, é um Estado liberal, como foi imaginado pelos grandes nomes do pensamento anglo-saxónico. Daí o apelo que o IRRITADO faz a Passos Coelho, única esperança, se passar de esperança, de que as coisas mudem – para o que precisará, antes de mais, de uma votação esmagadora, fundada num discurso de verdade, sem promessas nem trafulhices.Acho que a “esperança” do Filipe Bastos nos fenómenos de rua outra coisa não fará senão piorar o que está, ressuscitar fantasmas e dar-nos ainda mais cabo da vida.Espero que agora possa tentar compreender o visceral anti-socialismo do IRRITADO.

      1. Também terá alguma razão. No entanto, já discutimos isto, e apesar de concordarmos no essencial, continuamos a parecer de campos opostos, por algum motivo. Os seus «grandes pensadores anglo-saxónicos» incluirão, presumo, Adam Smith, Ricardo, Mill, Bentham, e… Friedman. Os primeiros são referências clássicas de qualquer economista, tal como MARX – perdoe o sacrilégio!; já Friedman, para mim, foi um dos precursores do “anything goes” que nos trouxe à situação actual. E julgo que é aqui que começam as nossas divergências. Também aprecio a visão romântica do laissez-faire, da revolta do indivíduo contra o rolo compressor do Estado, e do mercado auto-regulado (a famosa mão invísivel), face ao laxismo, despesismo, e dispersão acéfala de recursos, que é a máquina estatal que temos. No entanto, ao contrário do Irritado, não vejo necessariamente o empresário/contribuinte como Joseph K, e o Estado como o tribunal arbitrário que o atormenta. Em sociedades mais evoluídas – que existem – o Estado pode e deve desempenhar outro papel. É que no mundo real, a tal “mão invisível” nem sempre funciona, e mesmo quando funciona, é só até certos oportunistas/trafulhas se organizarem. Neste aspecto, ambas as ideologias – de esquerda e de direita – se confundem, pois ambas esperam utopias: na esquerda, que o Estado não seja controlado por corruptos; na direita, que o mercado não seja controlado/viciado por oportunistas à procura de lucro fácil. Ambas as visões são isso mesmo: utopias. Nem o Estado pode prescindir dos privados, nem uma economia de mercado pode funcionar eternamente, sem o controlo de uma entidade ACIMA do mercado – acima da ganância individual. Grande parte da falência do nosso sistema ocidental, onde – recordo – o capitalismo triunfou sobre o comunismo, reside no falta de regras e de controlo estatal, pois deu-se rédea livre ao casino das bolsas, do dinheiro fácil, sem produzir. É claro que é mais fácil jogar na bolsa, do que trabalhar! É claro que é mais fácil ganhar dinheiro do NADA, do que produzir. Mas é precisamente esse o cancro deste paradigma. Desvalorizou-se o valor do trabalho, de quem realmente cria valor, para remunerar o capital com ganhos ilusórios, baseados em meras transacções entre computadores, onde o dinheiro dista cada vez mais do valor REAL das coisas. Os resultados não estão à vista? Cumprimentos, FB

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