Em tempos, o IRRITADO andou por São Tomé e outros territórios do estilo.
O trabalho da “cooperação internacional” era uma doidice. Por exemplo, se alguém estivesse interessado em pescas, encontrava estudos e relatórios elaborados pelo Banco Mundial, pelo Banco Africano para o Desenvolvimento, pela UE, por Cuba, pela URSS, pelo raio que os parta. Todos os estudos e relatórios tinham a notável característica de dizer mais ou menos a mesma coisa. E todos, sem excepção, eram cópia de estudos e relatórios elaborados durante a administração portuguesa.
Quem fala de pescas, pode falar de muitas outras coisas. Passava-se o mesmo em virtualmente todos os sectores.
Havia “financiamentos”. Por exemplo, havia um de dez milhões de dólares para a recuperação das estradas. Uns malucos portugueses ofereceram-se para cumprir o mesmo caderno de encargos por mais ou menos um milhão dos ditos dólares. Nem pensar. Como é evidente, porque era preciso que os nove milhões sobrantes fizessem a devida circulação… As estradas nunca foram recuperadas, mas correram umas massas em estudos e projectos…
Na nossa terra, país da Europa civilizada, membro da UE e da zona euro, estado de direito, democracia estabilizada, etc. e tal, é mais ou menos como em África. O alter-mundialismo e o terceiro-mundismo que tantos adeptos teve por cá, foi mais bem sucedido que se aplicado pelos seus defensores e teóricos.
Estudos e mais estudos, outsourcing e mais outsourcing para tudo e mais alguma coisa. Empresas públicas que, se se mexeram foi perder dinheiro, melhor sendo que nada fizessem. As quietinhas custam ordenados e mordomias, sendo fornecedoras líquidas de cargos públicos aos pontapés. Fundações, autoridades, altos comissariados, empresas municipais, organismos autónomos, o diabo a quatro pelo país fora, sempre a crescer em número e em despesa. Enxames de empresas públicas encarregadas de pagar ordenados e perder milhões, quantas vezes com a suprema utilidade de comprar coisas ao Estado mediante financiamentos com aval do Estado, coisas que, na privada, se não são crime pouco falta.
Ninguém saberá dizer onde começa e onde acaba o Estado. Ninguém saberá dizer o que significa o orçamento do Estado, se é que significa alguma coisa para além de ruinosa aldrabice como base nos milhares de milhões de euros perdidos no mundo das entidades e empresas públicas e aldrabonamente desorçamentados. Ninguém sabe qual é a dívida pública. Ninguém sabe o que é a contabilidade nacional. Ninguém sabe o que é o défice. O governo começou funções a aldrabar o orçamento, tomou o gosto à aldrabice, e prepara-se para sair deixando-nos neste mar de enganos, arruinados os portugueses e cheios os que souberam servir-se do governamental repasto.
O Terceiro mundo é aqui. Não é preciso ir à Guiné ou ao Bangladeche para o encontrar. O mesmo desvario de gastos, a mesma pendurice no Estado, o mesmo Estado onde a lei é o despacho e a Lei não interessa a não ser para abrir excepções. Um Tribunal de contas que é uma espécie de avó sensata a pregar no deserto sem que nada a oiça. Um universo estatal que nada nem ninguém controla, nem o parlamento, nem o Presidente, nem os tribunais, muito menos o governo.
14.000 (catorze mil!) entidades, empresas, autoridades, fundações…, tudo à vara larga, por aí, inúteis, redundantes, excepcionais…
Quantos milhares de farnienti? Não se sabe. Para “justificar” este putrefacto universo chega a dizer-se que, se se acabasse com ele, o desemprego aumentaria à grande. Não é bem assim, sobretudo se se fizer contas às “comissões de serviço”, “destacamentos” e outras manigâncias da ordem.
O Passos Coelho deve estar louco. Ninguém no seu perfeito juízo quererá herdar o que Pinto de Sousa tem para deixar.
Passos que se prepare: tem que fazer uma “revolução”, e tem que, claramente, explicar aos portugueses que, sem essa revolução, não haverá futuro para eles, para seus filhos e netos e para a existência minimamente soberana deste “jardim à beira mar plantado”, ou deste vale de lágrimas e mentiras em que o jardim foi transformado pelo socialismo.
Ah! É verdade! Desculpem, não foi o socialismo, foi o “neo-liberalismo”! Não é? Hihi.
Cambada!
19.1.11
António Borges de Carvalho

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