IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TRISTEZA VIL, NÃO APAGADA

 

Tenho pena que os jornais (os que comprei) não tragam o enunciado da prova de português do 12º ano. Só é transcrita a “proposta de correcção” adiantada pelo ministério aos professores encarregados (a poder de dinheiro) de corrigir as provas.

Deve chegar para fazer uma ideia da qualidade da coisa.

 

Uns mimos:

a) – “ – o Rei… deve reconhecer o valor dos seus súbditos, que, como se verificou no passado, reúnem qualidades para o fazerem ‘vencedor’, isto é, para reacenderem na Pátria o orgulho e a coragem.

b) Relacionação com o sentido das estâncias 145 a 148:”

c) constatação de um estado…”

d) “- a insensibilidade dos seus contemporâneos em reconhecerem os trabalhos…

 

Os alunos talvez mereçam passar. Os ‘pedagogos’ ou ‘técnicos’, ou ‘docentes’ do ministério merecem, de certeza, um chumbo.

 

Vejamos:

Em a), sujeito os súbditos; predicado reúnem; para, etc…, complemento circunstancial de fim. Porque carga de água conjugarão as doutas criaturas os infinitos de ‘fazer’ e de ‘reconhecer’? Predicados de quê? De nada. Aliás, os infinitos antecedidos de preposição não se conjugam! Não são não regidos pelo sujeito mas pelo verbo da oração!

Em d), a mesma coisa.

Em nenhuma língua latina é possível encontrar regra que cubra esta asneirada. Eu sei que há ‘filólogos’, como a dona Edite Estrela, que não dão pela coisa. Que credibilidade lhes assiste? Zero.

Quando eu era pequenino e andava na 4ª classe, só uma destas dava direito a duas ponteiradas no toutiço. Quanto mais três!

Em b), atente-se no rebuscado da palavra. Relacionação? A palavra existe, é certo, não se trata de um erro. Porque não relação, ou relacionar?

Em c), ‘constatação’, palavra que, agora, já existe. Não é erro. Não deixa, por isso, de ser um galicismo, portanto impróprio de uma prova de português.

 

Atentem nisto, se lhes apetecer:

“tratando-se de um item (demos o ‘item’ de barato) de resposta aberta extensa… o professor classificador de provas, ao classificar o texto do examinando… deve observar… o domínio das seguintes capacidades:

– estruturação de um texto com recurso a estratégias discursivas adequadas à defesa de um ponto de vista e reflectindo a operação de uma planificação produtiva;”

Observe a riqueza de conceitos. A ‘resposta aberta extensa’, onde, pelo menos, falta uma copulativa, é um primor de ignorância “discursiva”, ou de adjectivos de adjectivos. E o professor classificador… ao classificar? Então quando havia de ser? Ao tomar o pequeno-almoço? Ao ir à retrete? E o texto do examinando? De quem havia de ser? Do Tio Patinhas?

Agora leiam o texto acima, a começar em ‘estruturação’. Perceberam?

Se sim, é fora de dúvida que executaram uma “operação de uma planificação produtiva”, “com recurso a estratégias discursivas adequadas”.

Por mim, dou-lhes um doce!    

    

Não é só a pobreza geral do documento enquanto texto “pedagógico”, são os erros, as calinadas, os pleonasmos, a indigência da redacção, a “vil tristeza” em que vivemos e em que os nossos miúdos são “educados”.

 

Xiça!

 

17.6.10

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “TRISTEZA VIL, NÃO APAGADA”

  1. Tanta falta de cultura e preparação nos boys e girls de que está cheio o M.E ., irrita, não é verdade? Pobre geração educada em tal sistema…

  2. Exceptuando a leitura do «Memorial do Convento» qualquer menino de 10 anos da antiga 4ª classe fazia e passava este exame de 12º.Só tinha de ler e dizer o que se leu ,-como se fosse um conrto de fadas. É por estarmos a este nível que os licenciados chumbam aos 70% no exame de acesso à carreeira diplomática e 90% à ordem dos advogados. Problema: OS EXAMINANDOS, COM LICENCIATURA!, NÃO SABEM INTERPRETAR E ESCREVER EM PORTUGUÊS…

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