Assinalando que o socialismo está na berra, os militares do 25 de Abril sentaram-se na sua bancada de honra. Proporcionaram assim mais uma demonstração das limitações democráticas que os animam. Quando achavam que o governo não era retintamente socialista, ou social democrata (ainda que tenha tratado o estado social muito melhor que a geringonça), fizeram gazeta. Por outras palavras, para o excelente grupo de militares (capitães do quadro e coronéis de aviário), a democracia ou é socialista ou não é democracia. Por outras palavras ainda, o golpe de Abril foi dado, ou para instalar um regime soviético, ou, na versão mais moderada, para obrigar o país a ser socialista. Desvalorizam o que de melhor podia haver no seu gesto e, o que é mais grave, sabem que o fazem, e gostam. Um erro, mas um erro que o politicamente correcto perdoa e até elogia.
Sinal triste do ambiente em que vivemos foram os discursos das senhoras do PSD e do CDS. Uma e outra, espernearam que a democracia “é de todos”, assim reconhecendo – por que carga de água? – que estão fora do baralho dela. Isto sem prejuízo do ataque de esquerdismo bacoco que caracterizou a a discursata da menina do PSD – entusiasticamente aplaudida pelo chefe Rio.
Do senhor do PAN não ouvi nada, por falta de interesse. Do tipo do PEV, nada: o PEV não existe, ele também não. O PC mandou lá um soviético primário desfiar a velhíssima cartilha, própria de algum país do terceiro mundo há 40 anos. O BE, esse, arranjou um pequena que, coitada, cheia de evidentes frustrações, despejou ódio, invejas e malquerenças em quantidades industriais. O PS resolveu pôr a representá-lo uma feminista totalitária, sem outro assunto que não fosse o do… feminismo totalitário e ultramontano.
O camarada Ferro pôs nos píncaros o chairman da geringonça, a ver se obviava a algum “desvio” em relação à linha oficial de Belém. Acrescentou uma série de palavreado destinado a desculpar certas “coisinhas” dos seus pares e amigos.
O senhor de Belém, à falta de melhor, e a fim de evitar “interpretações”, dedicou-se a falar da Grande Guerra! Desfez-se em elogios às Forças Armadas, designadamente as daquela guerra e as dos senhores da tribuna do MFA. As Forças Armadas das guerras de África, na sua alta apreciação, parecem nunca ter existido, se calhar a fim de não enxovalhar a sessão.
Enfim, um dia para esquecer. A tão falada Liberdade (o que havia a comemorar) ficou-se pela inanidade de uns, pelo ódio de outros, pelo oportunismo de ainda mais. Pobre Liberdade.
25.4.18
ET. Parece que o senhor Falhoufakis andou a passear na avenida. Ainda não vi nada, mas presumo que tenha sido a farra do costume, ou seja a comemoração do 25 comunista. Espera-se que falhe, como falhou o Falhoufakis.

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