IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VIRACASAQUISMO

O pesado nortenho Carlos Abreu Amorim , homem de vasta envergadura (como nos pardais e nos aviões, envergadura é a distância que vai da ponta de uma asa à ponta da outra), veio surpreender as gentes ao afirmar que “deixou de ser liberal”, porque acredita num “Estado forte”. Há quem diga que este grande opinante é prodessor não sei de quê, jurista de uma especialidade qualquer e que, tendo entrado na política como independente pela mão de Passos Coelho, depressa se filiou no partido, sendo este social-democrata.

O fulano consegue ser, ao que parece, de tudo um pouco. Dirá quem isto ler que o PSD não é social-democrata. Terá razão, porque o PSD, nas actuais circunstâncias, não é coisa nenhuma, isto é, cabe-lhe gerir a embrulhada nacional, o que exige pragmatismo e atenção às opiniões dos fulanos de Bruxelas e aos humores dos credores. O mesmo acontecerá ao PS, se tivermos a monumental desgraça de o ver voltar ao poder com o seu abominável cortejo de irresponsáveis.

No caso do nosso herói, como é evidente, o súbito abandono das convicções liberais, sem indicação clara das que as substituiram lá nos neurónios, não se deve, por isso a pressões partidárias. Nem se deverá a alguma iluminação, tipo São Paulo à beira do abismo, que o fizesse abjurar de anos e anos de postura liberal.

Segundo o douto parecer do IRRITADO a razão só pode ser uma: o rapaz não faz ideia do que seja liberalismo. Não terá lido, não se terá informado, não pensou no assunto, não olhou para a história: a coisa não passava de rótulo a que se agarrava para se sentir diferente, para ter um lugar aparte em colóquios e debates. Ou então o tipo é burro, o que não parece corresponder à verdade.

Quer um Estado forte? Confunde, com certeza, Estado forte com Estado proprietário, empresário, juiz em causa própria. Não vê, sequer, que os políticos que usam ser tratados por liberais ou ultra liberais, foram líderes fortíssimos de Estados tão fortes quanto eles. Ou seja, excluiram o Estado do que lhe não competia, e deram liberdade às suas sociedades. O tal Amorim não terá, sequer, na cabeça, as grandes máximas liberais que nos ensinam ser o liberalismo o capitalismo nos limites da lei democrática. Não é capaz de pensar que, onde o capitalismo falha, exagera, abusa, é porque o Estado ou não soube cumprir as suas funções ou se meteu onde não era chamado. O liberalismo é incompatível com ditaduras, como é incompatível com o socialismo. Há liberalismo onde há liberdade social, política e económica, lei, mercado. Em suma, onde cada um é responsável pelo que faz, respeitando os demais. Será legítimo, ou possível, abjurar do liberalismo, quando se compreende estes tão simples princípios?

Justo é dizer que, por cá, nunca houve liberalismo, nem quando, o chamado liberalismo político se impôs no sec. XIX, depois da guerra, nem no sec. XX depois da república, ainda menos depois do mergulho ultrasocialista que o 25 criou. O que pode ser motivo de tristeza ou alegria, segundo a postura de cada um, mas não devia servir para que liberias que como tal se afirmam deixem de ser o que são. A não ser que nunca o tivessem sido ou que nunca tivessem percebido o que andavam a defender. Amorins destes não fazem cá falta nenhuma.

 

23.12.14

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “VIRACASAQUISMO”

  1. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    Carlos Abreu Amorim (CAA), antes de ser independente, foi militante do CDS onde, dos adjectivos mais simpáticos, foi qualificado como intriguista.Como “mostruário” da sua índole, momentos antes de “…pela mão de Passos Coelho…” entrar no grupo de malfeitores (porque fazem as coisas mal feitas) e foras-da-lei (porque violam a Lei), escreveu esta pérola no Jornal de Noticias:«Sócrates e Passos Coelho rivalizam entre si para saber qual dos dois consegue quebrar as suas promessas políticas no mais curto espaço de tempo. O primeiro- -ministro, convenhamos, leva um grande avanço – já abandonou tudo o que antes defendia como indispensável para acabar com a crise… em nome da solução para essa mesma crise. Passos Coelho, por seu turno, atingiram um recorde capaz de o fazer aspirar ao “Guinness Book”: escaqueirou o seu principal compromisso – não admitir uma subida de impostos – antes mesmo de ter chegado ao Governo e apenas um mês após ter sido consagrado como líder do PSD!»«Os políticos portugueses tinham-nos habituado a estilhaçar as suas juras eleitorais mal ascendiam ao poder. Passos Coelho antecipou-se – fê-lo, ainda, enquanto Oposição, em jeito de ejaculação politicamente precoce, deixando-nos perceber que já está demasiado enlaçado nos defeitos e vícios do regime para o conseguir “Mudar”.Passos Coelho iguala-se, afinal, a um longo e fastidioso catálogo de líderes laranjas para quem a palavra dada vale menos que um estado de alma.»Assim, tendo em atenção o que escreveu CAA, no JN sobre PPC, porque será que Pedro Passos Coelho “convidou” Carlos Abreu Amorim para “cabeça de lista” em Viana do Castelo? Por “oportunismo político”, ou “imbecilidade”?

    1. Avatar de XXI (militante PSD)
      XXI (militante PSD)

      Para o Filipe: como vê, a “luz” está comigo.

  2. O João Miguel Tavares, um tipo da minha idade que pensa +- como o Irritado, disse o mesmo por outras palavras: http://publico.pt/politica/noticia/o-armario-de-carlos-abreu-amorim-1680208 Acho piada à discussão do “verdadeiro liberalismo”, tão parecida às discussões entre socialistas: o meu socialismo é mais puro que o teu, etc. ———————- Mas esta discussão lembra-me mais do que isso. Lembra-me um livro que li quando adolescente, da biblioteca do meu avô. Ele guardava coisas curiosas; esta era uma delas. O livrinho, que consegui descobrir na net, tem duas partes: “O Absurdo da Política”, de Paraf-Javal, e “Textos de Crítica da Democracia”, de Albert Libertad. Foi escrito em 1906. Eis a parte que nunca esqueci: O gado eleitoral … guarnece a sala e escuta religiosamente o orador-candidato, que trincha fatias de felicidade e debita pequenos pacotes de reformas. Escancara as fauces e as orelhas para captar mais e mais. «Terás a papinha feita, os passarinhos cairão bem fritinhos do céu para a tua boca; o teu pardieiro tornar-se-á um palácio: com trinta anos já viverás dos rendimentos», diz o candidato. – Ah!Ah!Ah!, como este homem fala bem! São mentiras que nos conta, mas como nos faz bem acreditar um momento que são verdades, diz o maníaco do voto. Algumas vezes, acontece que outro candidato interrompa para dizer: «Não é exacto, os passarinhos cairão bem cozidinhos do céu para a tua boca». E o gado eleitoral segue, atento, o debate apaixonante: «Cozidos ou fritos, como serão preparados esses pássaros que não comeremos?» ———————- Passaram 25 anos desde que o li, e 108 anos desde que foi escrito. Deixo ao Irritado, e demais leitores, a pertinente questão que subsiste até hoje: cozidos pelo liberalismo ou fritos pelo socialismo… afinal como cairão esses passarinhos do céu? Bom Natal para todos.

    1. Avatar de XXI (militante PSD)
      XXI (militante PSD)

      Este “sabe-la toda”!!!

    2. Foi a partir desse tipo de pensamento que se fundaram todos os fascismos e todos os comunismos.

      1. O seu tiro foi ao lado: os autores eram anarquistas. Pegando no seu (deles) pensamento, talvez se consiga melhor que um regime totalitário. Talvez se consiga chegar a uma verdadeira Democracia. Uma Democracia realmente decidida pelos cidadãos, e não por representantes tachistas, lobbistas e corruptos. Notável é que o excerto que citei acima, escrito em 1906, sirva como uma luva à realidade actual.

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