IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VENHA O TIRIRICA

O PSD, nasceu “popular”. Por razões de oportunidade política que não sei se a razão conhece, passou a “social-democrata”. Foi sempre, claramente, contra o socialismo, primeiro o imposto pelos militares, depois, em doses menos radicais, adoptado pelo PS. Era o tempo do chamado “socialismo democrático” que Mário Soares defendia e identificava como social-democracia.

A “social-democracia” do PSD nunca passou de um rótulo que só incidentalmente correspondeu à sua imagem política ou ao que os seus apoiantes e eleitores dele esperavam: a oposição ao PS. Filiou-se no PPE, colocou-se no seu sítio, e conheceu, enquanto tal, largos êxitos.

Porém, nos finais do século XX (Sampaio), princípios do XXI (Costa) as coisas mudaram. A velha distinção soarista entre partidos democráticos e partidos não democráticos tinha os dias contados. Aos poucos, os segundos, por obra do “novo PS”, passaram a fazer parte dos primeiros, não por ter declarado o seu amor à democracia liberal, coisa que nunca farão, mas por ter descoberto vantagem na aceitação da mão que lhes era estendida.

O PSD, por seu lado, não foi capaz de capitalizar a entorse esquerdista, oportunista e pouco séria que está no ADN da geringonça e nunca a abandonará. Traindo a praxe constitucional que entregava o poder ao PSD por via eleitoral, o PS enterrou definitivamente o soarismo e a saudável tradição da III República do poder ao mais votado.

Empurrado, à primeira, pelo turismo e os juros baixos e, à segunda, pela pandemia do medo, o PS solidificou o seu poder, sempre devidamente encostado aos partidos não democráticos (na feliz definição de Soares).

Assim, o seu poder tornou-se avassalador. Os abusos do poder pelo PS começaram com Sócrates – os resultados estão à vista – e, vinda a geringonça, tomaram conta da sociedade. Adoptaram a moral esquerdista, dita fracturante, cumpriram a agenda do BE, passaram a mão pelo pêlo do PC, meteram os media no bolso, promoveram a nova “educação”, apoderaram-se de media obedientes e acéfalos ao mesmo tempo que continuaram, e continuam, a proteger uma economia dita “livre”, mas baseada em rendas e privilégios. Invadiram o Estado, privilegiaram os seus intocáveis empregados em prejuízo de terceiros, criaram um novo eleitorado, feito de favores e de excepções que passaram a regras.

E o PSD? Depois de hesitações várias, sem projecto ou ideologia, acabou nas mãos de um fulano que, sem perceber rigorosamente nada do que o PSD, em matéria de sociedade, representa, voltou à velha tónica da “social democracia” e passou a mendigo do status quo, isto é, do PS. Com a ”desculpa” do “interesse público”, passou a compagnon de route do PS, estando à disposição do poder para tudo o que o poder quer, ou seja, para tudo em que o poder não tenha apoio dos seus geringonços de eleição. Não reage, nem pressionado pelo brutal desprezo com que o adversário o brinda. À fatal ausência de quaisquer ideias que o distingam do adversário, o homem responde com repugnante servilismo. Nem de gato precisa para ir à caça: já tem o cão do PS para caçar, mas não percebe que tal cão leva a caça ao dono, não a ele.

Tudo isto redunda num gigantesco problema para a nossa sociedade. Estamos no caminho do pensamento único, do fim do juízo crítico, do esvasiamento de opção outra que não seja a do seguidismo obrigatório. Tudo o que o PSD podia representar deixou de existir às mãos assassinas do seu líder, feliz por ser desprezado, a apoiar quem dele escarnece, sem sombra de ideia mobilizadora ou útil.

Que hão-de fazer os eleitores, habituais ou ocasionais do PSD? Julgo que há uma só solução: continuar, mas exigir, com todas as forças e todos os meios legítimos ao seu alcance, que este ominoso trambolho dê lugar a outro. Será como com o Tiririca: com outro, pior não fica.

 

25.7.20



5 respostas a “VENHA O TIRIRICA”

  1. Pois, faltou aquela mais democrática de todas, que era quem ganhar as eleições mesmo que seja em minoria seria obrigado a governar por quatro (ou mais, conforme?) anos sem ter que dar contas a ninguém. Tamém podia ser quem ganha governa (isso do parlamento é pra quê?) e desde que fosse dos nossos os outros é só pra dar aquela ideia. Que bom seria os nossos a ganhar e se perdessem não valia.

    1. No último parágrafo, v. cai em si: foi assim que o PS chegou ao poder. Perdeu, mas não valeu!

    2. Pois. No segundo parágrafo, v. cai em si: foi assim que o PS chegou ao poder.

  2. “Que hão-de fazer os eleitores, habituais ou ocasionais do PSD? Julgo que há uma só solução: continuar, mas exigir, com todas as forças e todos os meios legítimos ao seu alcance, que este ominoso trambolho dê lugar a outro. “Pois não…viva a alternativa democrática, e os outros que aparecem a ocupar o lugar que o PSD não quer ocupar! Quando o presidente do PSD diz que o partido não é de direita, não me restou outra opção de encontrar um outro partido que seja de direita que melhor me represente. Pois foi na IL que encontrei essa alternativa, e por muito pequenos que sejam até me sinto bem representado, dentro do possível, e do que o poder instalado, os media subornados, vão deixando. E pois por aqui continuarei e teria o PSD que dar uma bela cambalhota para eu voltar a considerar votar no PSD. Quem sabe se PPC voltasse…

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