Dada a minha provecta idade, tenho naturais dificuldades em entrar no mundo obscuro (luminoso, dirão) das chamadas redes sociais. Tal não acontece com gente como Trump, Costa e tantos outros, uns “bons” outros “maus”, como em tudo o que é gente. Até o Papa anda por lá! Os políticos, em vez de pensar ou decidir, tem o inevitável hábito de “tuitar” opiniões, as mais das vezes precipitadas. Enfim, como tudo nesta vida, as redes têm o seu lado interessante e o seu lado detestável. O pior de tudo é serem o paraíso dos anónimos, a quem conferem a oportunidade de dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem quaisquer limites morais, sociais, políticos, ou de mera urbanidade.
Facto é que tais redes tomaram importância tal que, reconheço, já não é possível dispensá-las, para o bem e para o mal. Chapeau!
Posta esta simples “declaração de interesses”, coisa que não sei exactamente o que significa mas que fica bem, passo àquilo a que venho.
Vi ontem um programa de televisão, salvo erro dedicado a “marcas”, outra coisa nova, ou de conceito alargado. Dei em ver uns bocados, como alternativa ao covide, ao ucraniano e à bola, temas que acupam 95% das notícias – até que fiquemos todos doidos.
Umas senhoras, julgo que pretendentes a queques, “empreendedoras” (nova profissão), blogers, ou outra coisa qualquer, vieram fazer propaganda das suas actividades lucrativas. Que produto vendiam? Os filhos, sobretudo as filhas. Assim; punham as criancinhas, muito bem vestidas, na net, a posar, a brincar, a fazer gracinhas. Os apetrechos das miúdas são tão “fofinhos” que despertam desejos noutras mães para apinocar os filhos. Ao fim de uns tempos, estava estabelecida uma vasta rede que começou a atrair publicidade e a fazer dinheiro. Era o princípio de um mini-império em expansão, que até passou a promover feiras e cobrar fees. Faltava a televisão, onde as meninas vieram a aparecer em todo o seu brilho, alardeando beleza e vestimentas adequadas à publicidade.
Neste mundo, jugo que por causa dos pedófilos, há quem disfarce, ou evite publicar fotografias de crianças. Sou capaz da achar bem. No mesmo mundo, há mães, e ao que parece, pais, que as exibem, explorando a respectiva inocência para gozo próprio. Aquelas de quem falo não o fazem para tal gozo, mas para negócio. E tal negócio é propagandeado por televisões e jornais porque, julgo, rendem audiências.
Como isto se compagina com a “protecção” da infância é coisa que não me entra nos neurónios.
Aqui fica, dedicado a quem não tenha vergonha de a defender.
27.12.20

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