O conto (do vigário?) sobre a entrada da Santa Casa no capital do Montepio foi ontem enriquecido com mais um acontecimento verdadeiramente extraordinário. O actual provedor declarou que iria injectar uma ou duas dezenas de milhar de euros no capital da tremelicante organização.
Assim que tomou posse, este valente burocrata declarou que a entrada no Montepio seria de uns 200 milhões. Que aconteceu para descer a oferta de 200 milhões para 20 mil, ou coisa do género? Nada, que se saiba ao certo. O que se sabe é que a primeira oferta equivaleria, nas palavras do homem, a 10% do capital. Desde logo, uma série de especialistas desatou aos gritos: por maior boa vontade que se usasse, o mais que tais 10% valeriam seria uns 80 milhões. Os cálculos têm vindo a ser revistos em baixa, ou baixíssima. A célebre auditoria mandada fazer por Santana Lopes, ou não foi feita, ou foi metida nalguma gaveta. Nestas coisas, a chamada transparência costuma ser opaca.
Uma conta marota leva-nos a uma interessante conclusão. Se 10% do Montepio valiam 200 milhões para o ilustre Provedor, o Montepio valeria 2.000 milhões. Se passaram a veler 20 mil, então o Montepio vale 200 mil! Chega para comprar um Tê zero na Brandoa. Ou seja, o Montepio não vale um caracol.
Em alternativa, vale alguma coisinha e, nesse caso, os 20 mil da Santa Casa são peanuts. Ou pura troça.
O chamado governo anda há que tempos calado como um rato. Deve andar a calcular quantas centenas de mihões nos vai sacar para salvar a organização, tradicionalmente objecto de gestão socialista/maçónica com alguns geringonços à mistura.
Vai ser bonito.
15.5.18

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