IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA FALSA QUESTÃO

 

Que se saiba, não há, na administração pública, trabalhadores a ganhar o salário mínimo. Na privada, haverá muitos. Há também muita gente a ganhar ainda menos, com legalíssimas desculpas, tais que os horários reduzidos e outras martingalas que o tenebroso mercado não deixa de descobrir. Na economia negra que, em tempos como este, conhece sempre um especial vigor, nem vale a pena falar.

Ninguém, para além da troica, que pouco deve à inteligência, será contra a subida do salário mínimo. Mas a desvalorização fiscal está a dar-se, quer se queira quer não. Como disse aqui há dias o ministro da economia (que diabo, havia de dizer alguma coisa certa), ninguém impede ninguém de aumentar o salário mínimo!

Há um sem número de profissões, tidas por“baixas” ou socialmente menos nobres , onde toda a gente ganha mais . Os trabalhadores  da agricultura, por exemplo, a cumprir tarefas que os portugueses não aceitam. Os/as funcionários do serviço doméstico, por exemplo.

Estas profissões já não são para portugueses, que os portugueses são finos demais para elas. Rios de dinheiro são levados para fora do país no bolso de trabalhadores estrangeiros encarregados de tarefas em que não há portugueses a sujar as mãos.

As meninas da lojas, portuguesas quase todas, ganham menos que as estrangeiras do serviço doméstico. Mas pintam a unha e vão ao cabeleireiro!

O dinheiro voa para outras paragens, outros continentes. As obrigações ficam por cá, porque os trabalhadores descontaram para a nossa segurança social e as respectivas “reservas matemáticas” serão exportadas quando se forem embora. E não se pode dizer que

Isto para dizer que a questão do desejável aumento do salário não tem, nem de longe, nem de longe a importância que lhe é atribuída. No Estado, o efeito seria nulo, ou quase. Na privada… na privada as coisas são como são, umas vezes boas outras más. Quem trabalha em empresas produtivas e bem dirigidas, ganhará com certeza mais, noutras, mais pobres ou com menos preocupações de valorização da mão-de-obra, ganhará menos, seja qual for a imposição do governo, ou, no caso, da troica.

É evidente que o problema pouco passa de arma política de muita gente, da gente do costume. Mas pouco tem a ver com os verdadeiros problemas das pessoas, porque nada tem a ver com a realidade e a realidade não é o que as cabeças dessa gente fabrica. Talvez seja ainda pior, mas não é o que julgam. A falsidade da questão não preocupa nem os sindicatos nem os “patrões”, entendidos como patrões os que se deixam representar por figuras tão tristes como o tipo da CIP ou o do Comércio.

É o que temos, não é?

12.11.13

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “UMA FALSA QUESTÃO”

  1. Para variar, concordo com o Irritado e com o Ministro-mamão da Economia: ninguém impede ninguém de pagar mais que o salário mínimo. Apenas a hipocrisia da “esquerda” nos leva a pensar que sim: as empresas até estão ansiosas por pagar mais, mas o governo não deixa! Na realidade o Estado seria o principal beneficiário, pois por cada euro a mais de ordenado recebe 34.75% de contribuições forçadas (11% do funcionário + 23.75% da empresa), fora IRS. Mas quando a esquerda apela aos aumentos, não menciona este pequeno detalhe. Sempre defendi que quem QUER pagar este ordenado mínimo, está a mais na economia. É melhor que o desemprego? É. Mas ninguém vive dignamente com 400 e tal euros por mês. O problema está em quem não consegue pagar mais. Quase todas as empresas já têm a corda na garganta, e agarrada ao aumento salarial (x14 meses) vem a chulice estatal. Logo, para muitas, pagar mais implica despedir. A solução, a meu ver, é o Estado cumprir o seu papel – não como chulo, mas como regulador e fiscalizador. Primeiro, como é óbvio, baixando a carga fiscal sobre os salários. Segundo, em vez de tratar todas as empresas por igual, deve perseguir e taxar mais os MAMÕES – não só os do PSI 20, como todas as grandes, médias e até pequenas empresas que pagam mal por opção, enquanto as chefias ganham principescamente e trocam de Mercedes ou de Porsche a cada 2 anos. Mas esta conversa já não agrada à “direita”…

  2. P.S. Já quanto aos «rios de dinheiro levados para fora do país», recordo ao Irritado que grande parte do caudal está nos JUROS OBSCENOS que pagamos sem questionar, e que outra grande parte vai para os OFFSHORES de muito trafulha e muito mamão – a começar pelos mega-mamões do regime, tão acarinhados pelo seu governo. Mas aposto que, para si, isto é outra «falsa questão»…

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