Que se saiba, não há, na administração pública, trabalhadores a ganhar o salário mínimo. Na privada, haverá muitos. Há também muita gente a ganhar ainda menos, com legalíssimas desculpas, tais que os horários reduzidos e outras martingalas que o tenebroso mercado não deixa de descobrir. Na economia negra que, em tempos como este, conhece sempre um especial vigor, nem vale a pena falar.
Ninguém, para além da troica, que pouco deve à inteligência, será contra a subida do salário mínimo. Mas a desvalorização fiscal está a dar-se, quer se queira quer não. Como disse aqui há dias o ministro da economia (que diabo, havia de dizer alguma coisa certa), ninguém impede ninguém de aumentar o salário mínimo!
Há um sem número de profissões, tidas por“baixas” ou socialmente menos nobres , onde toda a gente ganha mais . Os trabalhadores da agricultura, por exemplo, a cumprir tarefas que os portugueses não aceitam. Os/as funcionários do serviço doméstico, por exemplo.
Estas profissões já não são para portugueses, que os portugueses são finos demais para elas. Rios de dinheiro são levados para fora do país no bolso de trabalhadores estrangeiros encarregados de tarefas em que não há portugueses a sujar as mãos.
As meninas da lojas, portuguesas quase todas, ganham menos que as estrangeiras do serviço doméstico. Mas pintam a unha e vão ao cabeleireiro!
O dinheiro voa para outras paragens, outros continentes. As obrigações ficam por cá, porque os trabalhadores descontaram para a nossa segurança social e as respectivas “reservas matemáticas” serão exportadas quando se forem embora. E não se pode dizer que
Isto para dizer que a questão do desejável aumento do salário não tem, nem de longe, nem de longe a importância que lhe é atribuída. No Estado, o efeito seria nulo, ou quase. Na privada… na privada as coisas são como são, umas vezes boas outras más. Quem trabalha em empresas produtivas e bem dirigidas, ganhará com certeza mais, noutras, mais pobres ou com menos preocupações de valorização da mão-de-obra, ganhará menos, seja qual for a imposição do governo, ou, no caso, da troica.
É evidente que o problema pouco passa de arma política de muita gente, da gente do costume. Mas pouco tem a ver com os verdadeiros problemas das pessoas, porque nada tem a ver com a realidade e a realidade não é o que as cabeças dessa gente fabrica. Talvez seja ainda pior, mas não é o que julgam. A falsidade da questão não preocupa nem os sindicatos nem os “patrões”, entendidos como patrões os que se deixam representar por figuras tão tristes como o tipo da CIP ou o do Comércio.
É o que temos, não é?
12.11.13
António Borges de Carvalho

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