Do ponto de vista rodoviário, a chamada quadra natalícia foi uma tragédia. Mais de vinte mortos é obra. Não sei se alguma vez a razia foi tão grande.
Um apreciável número de especialistas, uns habituais, outros daqueles que surgem do nada para todos os efeitos, se tem debruçado sobre o tema, oferecendo à plebe opiniões e explicações, quase todas reduzidas a duas: excesso de velocidade e álcool. Os avisos da polícia não serviram para nada.
Arrisco uma explicação adicional de que, julgo, ainda ninguém se lembrou: a falta de comboios. Imagine-se quantos carros, de costume a bom recato na garagem estrela, terão saído para longas viagens. Quantos condutores de domingo terão pegado em calhambeques para fazer centenas de quilómetros, carregadinhos de pessoal, de presentes e farnéis.
Alguém devia tentar uma estatística apropriada, para ir um bocadinho mais longe nas causas de tão grande mortandade.
Da parte do governo, como a culpa não é atribuível a Passos Coelho (vontade não faltaria…), explicar-se-ia tratar-se de uma consequência infeliz de um facto positivo: os portugueses, cheios de dinheiro, afogados em recuperações de rendimentos, viajaram mais tal foi a alegria que a geringonça lhes proprcionou, esqueceram cautelas, e vogaram num contentamento que os tornou mais imprudentes.
Do lado dos irritados deste mundo, a explicação é outra: a total incapacidade da geringonça de gerir greves, de ter comboios em condições, de impor serviços mínimos e requisições civis, de fazer fosse o que fosse para travar atitudes sindicais objectivamente anti-cívicas, abusos de direito, exageros corporativos.
A tal estatística, ou estudo, seria útil, mesmo que fosse para demonstrar que o IRRITADO não tem razão. Mas o mindinho diz-me que não haverá nada disso. O direito à greve é sacrossanto.
3.1.19

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