IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA DESESPERADA ESPERANÇA

 

Há hoje dois partidos em Portugal: o Partido do Tribunal Constitucional (PTC) e o Partido do Mínimo de Bom Senso (PMBS).

O PTC, queixando-se do PMBS, transformou o relatório dos burocratas da UE, que só dizia verdades, em posição final do senhor Barroso e seus sequazes. Usa-o como arma de arremesso de eleição contra o governo, a maioria, a troica, o PR e todos os que têm alguma noção da realidade.

Esse luminar “independente” da nossa esquerda que dá pelo nome de Rui Tavares, vem hoje usar a letra dos tratados para declarar a absoluta e soberana legitimidade do TC para chumbar tudo e mais alguma coisa. É sempre possível, para um jurista experimentado, “sacar” de um texto tudo e o seu contrário. De um tipo que se diz “historiador e eurodeputado” esperar-se-ia mais escrúpulo de historiador e menos paleio de deputado, ainda por cima engagé com a esquerda folclórica europeia depois de ter sido corrido (sem largar o tacho…) pelo camarada Louçã.

O socialista “moderado”, de seu nome Correia de Campos, vai pelo mesmo caminho. Para ele, o TC goza de “conhecida e respeitada independência”. Fica tudo dito, não é?


A Constituição de 1976 coloca muitos problemas, o maior dos quais é a sua natureza híbrida. Por um lado, obriga-nos a caminhar para uma sociedade socialista. Por outro, consagra os princípios gerais de uma democracia. Como se fossem coisas compatíveis!  

Houve socialistas que, nos dourados cinquenta anos do pós-guerra, compreenderam esta evidente verdade. Daí, terem conseguido compaginar algumas ideias socialistas com a democracia propriamente dita, aliás acompanhados pelos democratas cristãos.  Como é sabido, a democracia cristã morreu de velhice e a social-democracia vê, tristemente, aproximar-se o seu ocaso. E como, de forma pouco inteligente, não tem “capacidade ideológica” para se reformar, nem tem líderes à altura dos tempos, acaba por fazer nascer monstros populistas, extremismos de direita e outras indesejáveis tendências político-sociais.


A Constituição de 76 dá para tudo, sem prejuízo do ideologismo que, desgraçadamente, a informa. A mais estrita obrigação dos tribunais constitucionais é compaginar as normas que quer aplicar com as circunstâncias em que são aplicadas. Por isso, o nosso, pode, e deveria, pegar na Constituição e confrontá-la com a situação do país. Se assim fizesse, prestaria um alto serviço. Insistindo em considerar só um lado da Constituição, talvez preste um serviço ao PTC, mas não o prestará a quem deve.

Estamos na situação de náufragos da terrível tempestade em que o Adamastor do socratismo nos meteu, só nos restando optar pela esperança de alguma melhoria “meteorológica” que nos dê tempo para passar a tormenta ou, simplesmente, sermos atirados aos rochedos sem via de salvação.

Não colhe atirar culpas ao governo. Ele próprio reconhece que poderia ter começado de outra maneira, e que essa outra maneira talvez não trouxesse os gravames em que estamos metidos. Se a minha avó tivesse rodas…

A culpa será da troica e de quem com ela concordou? Sem dúvida, mas a troica ainda não percebeu nem se sabe se algum dia perceberá.


É de uma evidência cristalina que um chumbo do TC, enchendo de júblio o seu partido, nos atiraria para um segundo resgate, e que um segundo resgate traria austeridade ao cubo, se não trouxesse coisas piores.

Por isso, no momento, se houvesse algum sentido patriótico em quem opina e julga, a ideologia ficaria em banho-maria, mesmo a ilegitimamente ínsita na Constitução, e ficar-nos-íamos pelo pragmático reconhecimento da realidade.


Já se sabe que, para os membros do PTC, o evitar do pior a médio prazo passa por aceitar o mal a prazo curto. Mas os membros do PTC são inflexíveis: para uns, destruir tudo o que não for o socialismo puro e duro é nobre missão, sendo a democracia um pormenor, uma coisa que se defende para idiota ouvir; para outros, o único objectivo é conseguir chegar ao poder, mesmo que para isso seja preciso dar cabo do que resta.


Uma esperança desesperada faz o IRRITADO pensar que talvez o TC, desta vez, tenha em conta que os mais importantes interesses do país não devem ser espesinhados pela defesa da ideologia.

 

21.10.13

 

António Borges de Carvalho  



12 respostas a “UMA DESESPERADA ESPERANÇA”

  1. Quando leio alarvidades acerca de como violar a Lei fundamental por “delinquentes”, mentirosos e burlões (obviamente, eleitoralmente falando) faz renascer em mim o “primitivismo assassino” que existe em todos os Homens.Cuidado, muito cuidado, malandros (por muito Irritados que “sejam”)!

    1. A «Lei fundamental» é um compêndio de fantasias vagas e teorias tão bonitas quão obsoletas, que jamais foi ou pode ser REFERENDADO, pois ela própria o proíbe. É assim uma obra pulhítica: redigida e revista por pulhíticos, só estes a podem alterar, e só os chulecos do TC nomeados pelos pulhíticos a podem interpretar. De certa forma, faz lembrar a Bíblia – uma enciclopédia de parolices abstractas e arcaicas, sacrossanta para uma carneirada acrítica, cuja interpretação é monopólio de uma classe de privilegiados. Para um carneiro, é o farol da Humanidade; para uma pessoa racional, não passa de uma ficção alucinada. Mutatis mutandis, assim é a nossa Constituição. Entre a sabujice a este Governo e a sabujice à «Lei fundamental», venha o diabo e escolha. Nem aquele nem esta são solução para nada. Solução é mudar este regime PODRE, e a canalha que nele mama há 40 anos, de todos os partidos. A 1ª coisa a mudar é justamente esta «Lei fundamental», mas não pelos pulhíticos – ou será apenas perpetuar o problema.

      1. Na mesma senda, o Código Penal (e, também, o Código Civil, já agora) é “uma enciclopédia de parolices abstractas e arcaicas, sacrossanta para uma carneirada acrítica, cuja interpretação é monopólio de uma classe de privilegiados”, porquanto gostaria de assaltar um Banco, a casa dos pais do Filipe e outros locais, tendo “uma interpretação atualista das suas normas”, face à situação financeira em que me encontro (devo muito dinheiro, mas quero continuar a viver a “minha vidinha”).Caro Filipe, vá tratar-se (i.é., dar banho ao cão).

        1. Sim, o Código Penal e o Código Civil também podem e devem ser revistos. Onde está a dúvida? Não provêem todas as leis do bordel paralamentar? À pala destas leis, quantos corruptos e mafiosos conhece – sobretudo pulhíticos – que sejam condenados? Há tempos, os pulhas do Partido da Sucata até aliviaram as penas dos pedófilos… Quanto ao banho, não tenho cão – serve ao gato?

          1. Santo Deus, Filipe! O sr. parece ser um caso perdido, lamentavelmente. Já o mesmo não poderei dizer quanto ao Irritado, conquanto me parece ser um puro caso de pulhice (usando terminologia que lhe é cara).

  2. Um fabricante de meias – ramo têxtil – celebrou com o BBVA um contrato SWAP.Sucede que, insatisfeito com o contrato procurou um Advogado que o representasse numa ação a intentar. Demorou (diz ele) meio ano para encontrar “alguém” que estivesse disposto a tal “ousadia”. Enfim, encontrou essa “pessoa” que o representou e conseguiu (!!!) que em Acórdão do STJ resposta afirmativa às suas pretensões – SER RESSARCIDO DO EXCESSO ABUSIVO.Em suma: GANHOU e o BBVA foi condenado a devolver mais de € 150.000.Isto posto, PORQUE NÃO USOU O MESMO “MÉTODO” PEDRO PASSOS COELHO E A SUA PROFESSORA (Ministra das Finanças)??A resposta é simples: o fabricante de meias afirmou desconhecer o funcionamento do contrato SWAP (operações em que há troca de posições quanto ao risco e rentabilidade, entre investidores).

    1. Bem, UM GALHÃO questionará: o que “isto” a ver com o POST?É necessário “fazer um desenho”?

      1. Ocorreu um arreliador “lapsos calami”. Onde se lê “UM GALHÃO”, deve ler-se “UM CAGALHÃO”.

  3. Ao contrário do que pensa inúmera gente onde se poderá, ao que parece, incluir o Sr. Irritado, o bom senso não pertence aos que reivindicam ser os seus possuidores. É atributo das pessoas sensatas.Farto de bom senso estou eu.Quero os respeito pelas regras, pelo direito e o justo.O Sr. Irritado parece preferir pautar-se pela vontade de chefes que considera sensatos. Os guias iluminam-no.

    1. É triste que haja pessoas inteligentes a querer viver num mundo que não existe. As medidas do orçamento são duras, terríveis para muita gente, IRRITADO incluído, que não é mais que os outros.Será que resposta a isto é dada pelos “seguros” de serviço (nenhuma resposta foi dada até hoje) ou pelas bojardas dos comunistas?Parece que não. O problema é haver tanta gente, como o Picaroto, que, movidos pelos seus ofendidos interesses, se recusam a verdade de onde estamos e onde podemos ir parar se abraçarmos as “alternativas” dessa gente. Temos que pagar? Temos. Se não for como diz o governo, não haja ilusões: será de outra forma qualquer. E, se não houver alterações profundas no panorama europeu, essa outra forma qualquer será sempre mais dura que a que o governo está a tentar. tudo o resto é sonho de uma noite de Inverno. não estamos em altura de ter sonhos: só pesadelos. quarenta anos de socialismo constitucional pagam-se caro.

      1. É triste, mesmo muito triste, que não queira ver que entre 1980 e 1983, Portugal foi governado por uma coligação entre o PSD, o CDS e o PPM, a célebre AD. Nesse período, a dívida pública cresceu de 29% para 44% do PIB, o que representou um aumento de 49,2%. De 1983 a 1985, o famoso Bloco Central esteve à frente dos destinos do País enquanto decorreu a segunda intervenção do FMI, tendo a dívida aumentado em 18,4%, para 52%. Seguiram-se dez anos de cavaquismo, durante os quais a dívida cresceu 16,4%, situando-se em 1995 nos 60% do PIB. O regresso do PS ao Governo nesse ano trouxe, durante os anos seguintes, a redução da dívida pública em três pontos percentuais. Entre 2002 e 2005, uma nova coligação entre o PSD e o CDS viu a dívida crescer novamente 16,9%, de modo que, no ano em que José Sócrates assumiu a função de primeiro-ministro, esta se situava nos 66% do PIB. Durante o governo deste, a dívida subiu 55,0%, atingindo, no final de 2011, 102% do PIB. Para terminar, no final do primeiro semestre de 2012, já durante o mandato de Pedro Passos Coelho, a dívida pública situava-se em 111% do PIB.Hoje qual é o valor da dívida pública?De acordo com dados preliminares do Boletim Estatístico do Banco de Portugal divulgados no dia 22 de Agosto de 2013, o total da dívida das administrações públicas atingiu os 214.573 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2013, o equivalente a 131,4% do PIB, na óptica de Maastricht, que é utilizada pela troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).A trajectória da dívida pública continuou a subir, uma vez que, em Dezembro de 2012 era de 123,8%, passando para os 127,1% em Março deste ano e tendo agora subido para os 131,4%, segundo dados do boletim estatístico de Agosto.

  4. Muito mais triste que haja pessoas que sejam incapazes de pensar e ajuizar e prefiram seguir ideologias e chefes.Rejeito categòricamente a palavra «interesses».Aquilo que estão a fazer é violar direitos e roubar.Rejeito categòricamente ser governado por dribladores da lei por mais sensatos que sejam aos olhos do Sr. Irritado que prefere ser apoiante de uma das quadrilhas.

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