IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM FARTOTE

Os esquemáticos líderes das diversas maltas que dizem governar-nos estão loucos de alegria. É que parece que arranjaram um tema sumarento para se vingar dos tempos em que estiveram longe do poder.

Vistos os jornais, o caso Banif custava 700 milhões. Nas doutas palavras do chamado Primeiro Ministro, passou a bastante mais de 2000. Ele lá sabe. Acresce que, com ar solene, declarou que a “solução” que arranjou consiste em que o dinheiro que houve quem confiasse ao Banif está garantido pelo Estado. Por outras palavras, que o buraco vai ser pago por quem não tem nada a ver com o assunto. Tanto criticaram a resolução do BES para agora vir a fazer pior.

Dizem que o arrastar do assunto foi justificado pela necessidade de obter uma saída limpa da tutela da troica. Facto é que tal saída se conseguiu. Sendo assim, restará saber o que era preferível: sair do domínio da troica e ficar com o buraco do Banif, ou deixar a troica andar por cá mais uns anos. Cada um que opine.

Na minha óptica, diz uma sã regra do capitalismo que, ao confiar o dinheiro a um banco, cada um sabe ou devia saber que pode vir a ficar sem ele se as coisas correrem mal. Há uma almofada, representada por uma garantia do Estado, mas só até um certo montante. A partir daí, cada um que se desenrasque.

Lembro-me de um meu conhecido, cidadão britânico, reformado, que foi apanhado na tempestade que assolou o Lloyds vão passados uns quinze anos. O homem tinha a sua casa no Reino Unido, mas vivia a maior parte do ano, confortávelmente, numa moradia de que era dono no Sul de Espanha. As pensões, dele e da mulher, e mais não sei quê, foram à viola. O homem vendeu a casinha espanhola e foi viver num modesto apartamento nos subúrbios de uma cidade qualquer do Norte de Inglaterra. Injustiça? Com certeza. Trafulhice? Dizem que não. O que se sabe é que o grupo financeiro foi reformado, reestruturado, e só há pouco voltou a deitar a cabecinha de fora. Pelo caminho ficaram dezenas de milhares de trabalhadores, as poupanças de centenas de milhares, talvez milhões de cidadãos. Foi o diabo. Terríveis são as consequências do capitalismo, quando as coisas correm mal. Resta a consolação de saber que as do socialismo são piores. Facto é que, no Reino Unido, quem sofreu com os problemas do Lloyds foi quem estava ligado à organização, não passando pela cabeça de ninguém que pagassem os que não tinham nada a ver com o assunto.

Por cá, não é bem assim, ou nada assim. O PM, de um dia para o outro, declara que o problema é três vezes pior do que era na véspera. E acrescenta que quem vai pagar são suspeitos do costume: os 16% dos portugueses que pagam impostos.

O mais importante, o que alegra a malta do poder, é saber que vai subir o pano para as exibições das actrizes em voga. Nada melhor do que uma comissão parlamentar especializada para muito parlapatar, baralhar, tornar a dar, vir no jornal, e nada resolver.

Um fartote.

Bom Natal.

 

21.12.15



4 respostas a “UM FARTOTE”

  1. Isto é não é o capitalismo que o Irritado conhece e prega. Isto, como ando farto de dizer mas v. não ouve, por teimosia direitalha, é um casino viciado e autofágico. É o maior cancro mundial.O dinheiro é inventado do ar, e multiplicado milhares de vezes, sem um grama de realidade.A canalha banqueira controla tudo, incluindo os governos e os “mercados”. Não é teoria da conspiração. Desde o início do século passado que assim é, tem vindo a piorar, e os seus heróis Thatcher e Reagan foram o fim da picada.A riqueza é cada vez mais concentrada nestes mega-mamões, que só vendem ar, e o castelo de cartas vai crescendo. O polvo do sistema financeiro e monetário começa nas próprias escolas, como a INSEAD do seu caro Borges, ou a Católica, ou Harvard, ou quaisquer outras, sobretudo as mais “respeitáveis”, que apenas perpetuam o sistema.É por isso que todos os dias “especialistas” nos garantem que temos de “acalmar os mercados”, ou que sem Banca o universo acaba – alguns nem estão a soldo, simplesmente repetem o que aprenderam.Volta e meia rebenta uma bolha, seja BES ou BANIF ou Lehman Brothers ou subprime, e finge-se que é um problema isolado, localizado, e não do sistema em si. Até inventam “testes de stress”, rácios e outras balelas, que os bancos vão passando, para alegria das massas.É tudo mentira. Toda a Banca é a mesma merda, todo o dinheiro assenta em dívida e crescimento perpétuo, todas as economias de todos os países estão reféns da mesma merda. Qual “reforma”, qual “reestruturação”. A Banca não tem reforma, e esta economia global não tem reforma enquanto assentar nesta Banca trafulha e nos mercados-casinos. Como qualquer casino, estes dão uma aparência de normalidade. Até dão uns cobres a ganhar, porque não lhes custam nada. Mas a casa jamais perde. E ao contrário dos outros casinos, nem pode falir. Não se trata de esquerda ou direita, nem capitalismo nem socialismo. Isso são mais balelas. Quem manda nisto está-se nas tintas para o que lhe chamam.

    1. Pois. O sistema, com crises cíclicas, lá foi funcionando. Agora o problema é outro. Globalizada a economia, o ocidente deixou de ser concorrencial, a social democracia deixou de ser sustentável, o sistema financeiro colapsou, o negócio, com taxas ridículas, é inviável. Como em todas as crises, há quem ganhe com ela, poucos, e quem perca,muitos.Não vale a pena lutar contra moinhos de vento, sem nada adiantar sobre o fundo da questão.

      1. Mas é este o fundo da questão, Irritado: o dinheiro não pode ser dívida, ou, no mínimo, não pode ser criado do ar pela canalha banqueira. É este o fundo. Isso de “lá foi funcionando» já lá vai. Não vai mais, graças aos seus heróis e à ganância humana, que deu cabo do sistema – tal como deu cabo do bonito sonho comunista. Ou não será? É tudo bonito em teoria, há concorrência e mãos invisíveis e assim, mas o dinheirinho tudo compra, incluindo leis e governos. Se alguém pode ganhar 1000 carregando numa tecla, nunca há-de querer ganhar 100 a trabalhar. O resto de que fala, a globalização e tal, é outra questão. Os estados ou uma entidade supracional, como o BCE, devem ter o poder exclusivo de criar e emprestar dinheiro. O juro deve ser mínimo. Basta até um único banco por país, o banco central.Se é ser Estado que o incomoda (Estado = comunas!!), chame-lhe Banco de Portugal, ou Novo Banco, ou Assobio, tanto faz. Mas tem de ser público, por exclusão de partes: não sendo privado, só pode ser público. Ou quer que seja marciano?

  2. Então vem dizer esta porcaria toda (embora eu a reconheça como verdade), sem nunca a ter dito acerca do BES? Arre, que o irritado, se não é parvo, de BESta não escapa!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *