Em plena Avenida da República, um cartaz de duvidoso gosto gráfico apresenta o Presidente da República Cavaco Silva, o Presidente da Comissão Europeia Barroso e o Primeiro Ministro Pinto de Sousa (Sócrates) em pose sorridente, com o indicador a exigir silêncio ao povo.
Trata-se de mais uma iniciativa do BE, destinada a informar os portugueses do ódio que a organização nutre pela Democracia, isto é, pelas instituições representativas. Procura o bando convencer as pessoas de que, se não houver um referendo, o novo tratado europeu, seja ele qual for, será ratificado nas costas do povo, isto é, no Parlamento.
O povo será remetido ao “silêncio”, na douta opinião dos dirigentes do bando.
É fácil de identificar a mentalidade que está por detrás deste tipo de iniciativas: a mesma que gerou os fascismos e aparentados, a mesma que deu direito de cidade ao comunismo e quejandos, e que tem como característica fundamental o horror à democracia liberal e às suas instituições.
A existência de tal cartaz seria uma coisa boa se a generalidade dos portugueses tivesse alguma noção do que é a Democracia. Serviria para desmascarar os seus autores. Como, porém, a começar pelo senhor Mendes e a acabar nas criancinhas dos “castings” do primeiro Ministro e nas velhinhas de Freamunde do Costa, tal generalidade jamais foi educada sobre o assunto, o cartaz pode ter efeitos devastadores. O que, evidentemente, não deixa de estar no espírito dos senhores do bando. É preciso desacreditar o Parlamento, pôr em causa a sua legitimidade, a fim de, a seu tempo, se vir a tornar lógico aceitar qualquer forma de “democracia” orgânica, piramidal, centralista ou, simplesmente, “participativa”, como soe dizer-se, para disfarçar.
As “vanguardas”, os “fascios”, as “uniões nacionais”, os revolucionarismos das mais diversas origens, tem o fundamento comum da recusa da representatividade e do louvor da legitimidade das “massas”, dos “chefes”, da “rua”, do “colectivo”, da “nação” ou do que se queira chamar à recusa cobarde da Democracia inorgânica.
O bando, com a exigência do referendo, quer matar dois coelhos de uma cajadada: pôr em causa o que nos resta de parlamentarismo e ter tempo de antena para a sua propaganda anti-europeia e soi disant social.
O senhor Mendes, esse, não se sabe o que pretende. Nem valerá a pena tentar sabê-lo. Ainda não se meteu em cartazes, mas um dedinho que adivinha dirá que… a ver vamos.
António Borges de Carvalho

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