O camarada Fernandes, sempre sempre igual a si próprio, aceitou de braços abertos a proposta do arquitecto Salgado para a redefinição do futuro da zona ribeirinha de Alcântara.
Para quem não tem a memória curta, a dita criatura tinha-se zangado com o Louça por causa deste assunto. O Fernandes queria os contentores onde o PS os queria. O Louça não queria. Ficaram de candeias às avessas. O Louça retirou a “confiança” no Fernandes. O Fernandes deu com os pés ao Louça.
O Fernandes defendeu com unhas e dentes, recorrendo aos mais inacreditáveis argumentos, a floresta de contentores que o Coelho e o Pinto de Sousa queriam plantar à beira-rio. Com este nobre gesto o Fernandes conquistou um lugarzinho no coração do Costa, outro nas listas do PS, acautelou o futuro e ameaçou a cidade com a sua eventual continuidade no poder municipal.
Agora que o Salgado pôs tudo de pernas para o ar, ou seja, substituiu os contentores por couves, o Fernandes continua de acordo, isto é, não arrisca o presente tacho e previne o futuro. Tanto faz. Os objectivos do homem continuam os mesmos. De obscuro advogado a “ministro” do Costa, vai-se precavendo.
Em relação ao Fernandes, nada de novo, toda a gente já percebeu do que a casa gasta.
O Costa é mais difícil de perceber. Queria os contentores porque o chefe assim mandava. Agora quer as couves. Como irá sair desta? Algo me diz que o contrato celebrado entre o governo e a APL, com o aval da Câmara, de um lado, e o Coelho do outro, pode ser denunciado unilateralmente pelo município, que nem parte era na coisa? Como irão o Costa, o Pinto de Sousa, o Lino e o Coelho descalçar esta bota?
Aguarda-se o desenrolar dos próximos capítulos. Valha-nos o gozo de ver a xuxaria metida num saco de gatos. A solução, meus amigos, será sempre a que mais convier ao PS. Só por acaso será favorável à cidade.
12.5.09
António Borges de Carvalho

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