Dizem os entendidos que, de 1999 até hoje, os dirigentes do BCP se dedicaram a hediondas operações, proibidas pela moral, o bom senso e a lei. Durante todo esse período, as entidades a quem competia fiscalizar tais actividades não deram por nada. Em fins de 2007, como por encanto, a administração do Banco de Portugal, especialista na fabricação de orçamentos putativos como é do conhecimento universal, acordou e lançou o seu anátema sobre tais dirigentes, não só os proibindo de continuar no poleiro como acusando-os das mais rebuscadas malfeitorias. A CMVM, CVM no divertido linguarejar do senhor Berardo, fez o mesmo, acusando os fulanos de coisas extraordinárias, tripudiosas e criminais.
Pergunta o Irritado, nisto sem dúvida acompanhado pela generalidade dos idiotas deste país, se o senhor Constâncio e seus colegas, e o senhor da CMVM, cujo nome o Irritado desconhece, estiveram 8 anos a dormir, ou de licença com vencimento, ou o que andaram a fazer, para além de orçamentos putativos. E raciocina o Irritado, por certo acompanhado pelos referidos idiotas, se não sabiam de tudo e mais alguma coisa e se não andaram a dar cobertura a tudo e a mais alguma coisa durante este tempo todo, e se tudo e mais alguma coisa não era da conveniência de muito mais gente para além dos acusados. Mais pensam o Irritado e os idiotas que há, numa entrelinha das declarações do senhor Constâncio, um tuyau que pode explicar a coisa: não será que, quando fala em ocultação de dados, o senhor Constâncio está a comunicar ao Irritado e aos idiotas que não sabia de nada porque os suspeitos ocultavam os factos e, por conseguinte, ele, coitadinho, não tinha informação que chegasse? Então para que serviram as contabilidades, as supervisões, os fornecimentos diários, sim, diários, de dados e contra-dados que, como o Irritado e os idiotas sabem, são exigidos pelo BdP a tudo o que mexe em dinheiro? Para que serviram os geniais técnicos, economistas, financeiros, administradores, advogados, funcionários, manda-chuvas e pataratas do BdP durante 8 anos? Para fazer orçamentos putativos com o fim de proteger o governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates)? Ou estiveram lá só para receber o ordenado mais as prebendas da ordem?
Acordaram por encanto, ou terá sido porque o senhor Berardo se desbroncou, e ficaram todos com o rabinho a arder?
E o governo? O governo está muito “preocupado” com o assunto, como aliás lhe compete. E deve, na opinião do Irritado e dos idiotas da ordem, estar a fazer as contas para ver quantos boys estão metidos no assunto. Para já, grande vitória do senhor Pinto de Sousa (Sócrates): dois fidelíssimos boys, mais uns cinzentos, vão tomar conta da coisa, ou seja, tratar de tirar os cavalinhos da chuva.
António Borges de Carvalho

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