IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TAP

 

Para o IRRITADO a existência de empresas do Estado é uma contradição nos termos. Há uma regra do senso comum e tradicional, aliás vertida em lei, que reza que “ninguém é bom juíz em causa própria”. Fácil de perceber, não é? É por esta tão simples razão que o Estado jamais devia ser proprietário daquilo a que há quem chame “meios de produção”. O Estado, como qualquer outra entidade, não está em posião de se fiscalizar a si próprio, nem tem altura moral para “regular”  e vigiar outrem, já que ele mesmo é parte do outrem. Um juíz não pode julgar os irmãos, os filhos ou os pais, por exemplo. Ou seja, ao meter-se na vida económica como agente interessado, o Estado demite-se da sua legitimidade para fiscalizar os demais. Simples.

Mais que não seja por esta razão, acha o IRRITADO que todas as privatizações são, por natureza, bem vindas.

É evidente que há bens que, por ser monopóios naturais ou marcadamente do interesse geral, podem, ou devem, ser objecto de cuidados especiais e sua nua propriedade não deve ser objecto de privatização. Nestes casos, porém, ou a sua gestão deve ser, por regra, concessionada, reversível a prazo, ou cair-se-á nos mesmos vícios, comuns a todas as empresas públicas.

Feita esta declaração de interesses (está na moda!) não materiais, deve privatizar-se a TAP? Evidentemente!


Na segunda feira vi a primeira parte do “Prós & Contras”. A primeira gozosa impressão que a coisa me deixou foi a comunhão de ideias do Louça com um tipo que, se não era da extremíssima direita, era pelo, menos ultra-nacionalista. Engraçado. Como o IRRITADO tem muitas vezes referido, os extremos têm ideias que, com diversos fundamentos e objectivos, vão dar mais ou menos no mesmo. Substancialmente, são o mesmo.

O Louça é contra porque é contra. Não precisava sequer de argumentar. É contra porque tem o raciocínio viciado em coisas como a “apropriação colectiva dos meios de produção” e a “economia planificada”, ainda que vá evitando estes chavões e procurando dar alguma lógica intelectual ao que diz.

O outro era contra porque a venda da TAP equivale, nas sua palavras, ao abandono de cinco milhões de portugueses e de luso-descendentes(?)que, vivendo fora do país, não querem outra coisa senão comprar bilhetes à TAP. Daqui se pode concluir que a TAP, uma vez privatizada, passará a não aceitar portugueses nos seus aviões. Ou que o comprador tem por objectivo pôr de lado as rotas de África e do Brasil. A inteligência deste pensamento ultrapassa o merecimento de qualquer comentário. O homem é uma besta e,como os comunistas, acha que a soberania nacional se mede pelo número de empresas de que o Estado é proprietário.

Depois, lá vieram as questões de pormenor, o preço, o encaixe financeiro, os trabalhadores, o projecto, etc. E, evidentemente, a falta de “transparência”. Ou seja, as negociações da venda deviam ser feitas na praça pública, todos os encontros, reuniões, almoços, operadores financeiros, respectivas actas e não actas, deviam vir nos jornais, etc.. Como se tal fosse possível, como se tal pudesse funcionar! O projecto é mais ou menos sabido, e ninguém parece poder pô-lo em causa. Mas, e garantias, meus senhores, que garantias dá o comprador de ser fiel ao projecto, hem?


Não sendo as negociações conhecidas passo a passo, muita coisa se sabe. Aqui há dias, o jprnal da oposição chamado “Público” dedicava a manchete e quatro páginas ao assunto. As três primeiras eram dedicadas à teoria da conspiração, num absoluto delírio de “investigação” jornalística, um mar de suspeições e de barro atirado à parede. De concreto, nada. Por ironia do destino, na quarta página, uma peça de outra jornalista descrevia com vasto pormenor, o estado das negociações, os avanços e os recuos, com larga cópia de informação propriamente dita. Nem se percebe lá muito bem como, no mesmo jornal, aparecem duas coisas tão diferentes. Ou muito me engano ou não tarda que a segunda jornalista vá para o desemprego. Que diabo, o IRRITADO também tem direito às suas suspeições!


E pronto. Livrem-nos da TAP e dos seus buracos, subsídios, indemnizações, excepções e descontos políticos! Venha o polaco, ou lá o que é. Saquem-lhe o que conseguirem,e ponham-no a pagar as dívidas. O resto é conversa de “pensadores” interessados em fazer-se ouvir e dos que lhes dão tempo de antena e páginas nos jornais.

 

19.12.12

 

António Borgesde Carvalho    



4 respostas a “TAP”

  1. É claro que a soberania nacional não se mede pelo número de empresas de que o Estado é proprietário; isso é tão absurdo como dizer que todas as empresas são úteis ao Estado… ou como atribuir a Portugal qualquer soberania. A questão é que países que ainda são soberanos, e todos melhores do que Portugal, mantêm as empresas que lhes interessam. E – surpresa, Irritado! – não são comunas. Será preciso ser comuna para entender que se um Estado domina grandes empresas que produzem bens e serviços rentáveis e estratégicos – como a energia, combustíveis, comunicações, até uma companhia aérea, se bem gerida – mais ganha, e menos depende de impostos e empréstimos? O que é que o Estado ou os portugueses ganharam com as privatizações e a “concorrência” da EDP, da Galp, ou da PT? Fora o dinheirinho que já foi para o buraco negro dos juros, ou para os offshores da ordem, claro. Eu não ganhei nada, só perdi, e o Irritado? Noutros países não há complexos sobre “golden shares”, nem tantos governantes CORRUPTOS, nem tanta MAMA das empresas e compinchas do regime, como em Portugal. No regime que temos, a TAP não é uma grande perda: não ganhamos nada, mas limitamos o risco (dos calotes). É óbvio que se trata de mais uma negociata de Relvas & Passos e Cia., mal e porcamente disfarçada, mas enfim – a menos que a negociata venha a revelar-se mais lesiva para o Estado… como de costume. Quanto às “suspeições”, só lhe posso dizer: tenha VERGONHA, Irritado. Que diabo, anos a malhar no Pinto de Sousa, e agora assobia para o ar perante um Miguel Reles?

    1. A coluna vertebal do irritado.é tudo menos vertical,está cheia de sifoses,lordoses e outros desvios,há muito que ando a denunciar isso mesmo!!!

  2. Sou um leitor regular deste seu espaço, IRRITADO, muitas das vezes estou de acordo com as suas opiniões, no entanto nesta questão permita-me que discorde. E discordo porque, além de como diz – e bem! – o Estado dever ter um papel regulador e não um papel empresarial, esta venda não poderia ser feita sem assegurar o interesse nacional numa estratégia integrada da rede transportes nacional e internacional. Embora à primeira vista o potencial comprador tivesse uma estratégia semelhante è perconizada pelo Governo de Portugal, pareceu sempre evidente que o interesse do comprador resultava nos slots detidos pela TAP nas suas rotas mundiais, correndo o risco de que algumas das rotas estratégicas não fossem asseguradas, pelo que neste caso livrar-nos de vez deste pesado fardo poderia significar custos económicos nefastos no nosso futuro e prevísivel regresso ao crescimento. Assim, a ideia de reflectir e repensar a venda não me parece de todo despropositada!

    1. Obrigado por ser leitor do IRRITADO.Julgo que os factos vieram a dar-me razão, e a si também. Como vê, o homem, que tinha um projecto perfeitamente aceitável, acabou por falhar ao não apresentar uma garantia bancária, por certo de baixo montante, mas indicadora do que poderia vir a seguir-se. O governo rejeitou a proposta, ou seja, abdicou de um projecto que era bom, porque considerou que o interesse nacional não estava a ser não estava a ser protegido. Fez bem.

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