Há uns maduros que, em certas datas, fazem umas rodinhas, de mãos dadas, à volta de uns megalitos que há no Reino Unido, num sítio chamado, salvo erro, Stonehenge. É um espectáculo muito giro, poético, simpático, fundado em diversas crenças, ou observações, que estipulam várias coincidências entre a posição dos megalitos e as dos astros. Pode considerar-se ridícula tal tradição de uns poetas que ali vão assistir ao nascer do astro-rei, vê-lo percorrer os céus, e acreditar que o homo sapiens de há 20.000 anos já tinha vastos conhecimentos de astronomia e os assinalava com pedregulhos.
Facto é que as pessoas que frequentam o local são giras, não fazem mal a ninguém, não impingem as suas crenças aos demais, não condenam quem com elas não alinha, não criaram nenhuma nova moral, não acham que a humanidade, à excepção dos próprios, é uma porcaria.
Em Portugal, há também uns maduros que andam, no alto de um monte qualquer, a fazer rodinhas, a levantar os braços para o cosmos, a cantar modas “de intervenção” e a propagandear as suas ideias e a sua fé contra o lítio. Pode haver labregos que achem as rodinhas simpáticas, poéticas, etc., mas não têm nada a ver com a contemplção dos astros ou com a admiração por gerações dos tempos da pedra lascada. São tipos que querem o regresso da tal pedra mas que nem num pedregulho sabem o que é.
Tudo o que possa representar produção de riqueza, progresso económico, avanço tecnológico é, por esta gente, classificado como atentado ao planeta, ao património, à “cultura”, considerando tudo o que, a prazo, pode ser positivo para a economia e apara as pessoas como especulativo, anti-ecológico, perigosíssimo para os habitats, ou até, em versões mais ofisticadas e “inteligentes”, fascismo, radicalismo capitalista e outros chavões com cujo significado tripudiam sem fazer ideia do que seja. Não querem petróleo, porque o petróleo, a 40 quilómetros de Algezur pode prejudicar as praias do Algarve. Nuclear nem pensar, porque houve um desastre na URSS e um tsunami no Japão, sendo preferível pagar a energia ao preço mais caro da Europa a sujeitar-se a tal coisa. Agora, descobriram o lítio, coisa perigosíssima com que alguns predadores da Natureza fazem pilhas para eles terem telemóveis e se darem ao luxo de comprar carros eléctricos “para defender o planeta”.
É estúpido que se farta, próprio de pedregulhos mentais, mas dá para fazer umas farras para chamar a atenção, fazer rodinhas e beber uns copos com febras de porco e pastéis de bacalhau. A “informação” coopera, dá largas de primeira página a estas manifestações “culturais” e “ambientalistas”, a fim de vender jornais e publicidade.
E esta gente lá vai, cheia de elogios, injectando nas mentalidades dos outros a sua “cultura”, na doce perspectiva não só de manter a pobreza do país mas de a fazer progredir alegremente.
3.9.19

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