IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SOMOS OS MAIORES!

Não há dúvida de que somos, como se diz?, bipolares, ou coisa que o valha. Tão depressa estamos em depressões do tipo fadista, a coçar as feridas e a bater com a mão no peito, como achamos o fadismo (património da humanidade!) uma coisa excepcional, do outro mundo, superior ao bernico! Não há emenda para isto.

O nosso inefável ministro do ambiente, seguido por uma multidão de crentes, pavoneia-se com o facto (diz ele) de sermos campeões do carbono, isto é, da falta de emissões de CO2. Pois é. É claro que as mesmas distintas cabeças não acrescentam que, por essas e por outras, pagamos a energia mais cara do que os nossos admiradores, parceiros da UE e da ONU. Esquecem-se de dizer quanto custam os moinhos de vento, as fotovoltaicas e outras preciosidades tecnológicas que nos põem nas mais altas esferas da “democracia ambiental” e da defesa de um planeta que se está, como é óbvio, nas tintas para estas artes.

Há dias, o PM japonês, um tal Abe, fez um discurso declarando que, se o Japão quer incentivar a indústria e ajudar as famílias, terá que entrar num programa nuclear de largo impacte. Um japonês! É que, ao contrário da caríssima bempensância internacional, o homem percebeu que o desastre de Fucoxima não se ficou a dever ao nuclear mas a um act of God de catastróficas dimensões. A bempensância moderna é igual à do século XVIII, que garantia que o terramoto de Lisboa tinha sido causado pelos pecados da cidade. Hossana, senhor Abe!

Facto é que, na cabeça do ministro, do Costa e de tantos outros amantes da Terra, somos os maiores. Pagamos, mas que importa, se somos os maiores! À indústria, à pouca que há, os preços da energia causam as maiores dificuldades, o investimento hesita pelo mesmo motivo, mas que importância tem, se somos os maiores. Do outro lado, somos os mais infelizes, os que não aguentam com os preços, os que pagam com língua de palmo as fantasias do ministro, os negócios do 44 e a insaciabilidade do Mexia e quejandos.

A inflação é negativa, o que faz vibrar as donas de casa e tremer os economistas. Negativa? Sim, mas sem contar com a “eficiência energética”, a que se deveria mais propriamente chamar violência energética.

Nesta senda entrou agora a CML, covil de costas, rosetas e fernandes. Raciocinando com brilhantismo sobre a cidade, concluiram que os menos de quinhentos mil indígenas que por cá vegetam têm a mesma “pègada” que os onze milhões de Londres. É preciso seguir os bons exemplos. Por isso, ó cidadãos, se quiserem ir à Baixa, tratem de comprar carros novos. Deve tratar-se de mais um nobre impulso para aumentar as importações. Somos os maiores, como Londres ou Tóquio. Esses tipos de Paris são uns idiotas, com a lata e a falta de respeito pelo planeta que os faz andar de carro nos Campos Elísios. A bestialidade camarária não percebe que a falta de dinheiro é mais que suficiente para pôr a malta nos autocarros, no metro, nas motoretas, nas bicicletas, ou a cavalo nos sapatos.

Temos centenas de piscinas públicas fechadas por falta de utentes, estádios às moscas, etc.. Uma pena. Mas o poder autárquico é o maior, o mais progressista, o mais amado!

Estamos a pagar uma rede de autoestradas do lá-vai-um, mas temos também a maior densidade delas de toda a Europa. Somos os maiores!

E por aí fora, um nunca acabar de fantásticas realizações e de fados da desgraçadinha.

O pior é que quem tem razão são os fadistas.

 

16.1.15

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “SOMOS OS MAIORES!”

  1. Nisto da “economia verde” há coisas que dependem mais e menos de nós. De nós, entenda-se, dos nossos fantásticos governantes e autarcas. Falo das directivas comunitárias, e acordos internacionais. É verdade que a coisa se tornou um negócio lucrativo, impulsionado pela histeria do politicamente correcto. A carneirada precisa de “causas”, e enquanto um Ronaldo ou outro bronco não lhe aponta uma criancinha para ajudar, vai-se entretendo a comprar papel higiénico reciclado e tretas “biológicas” a preços extravagantes. Mas se isso só diz respeito a cada um, o custo da energia afecta todos. E é precisamente nisso, na MAMA DA EDP, que o governo podia e devia mexer. Até a Troika o mandou! Debalde. O Mamão Mexia manda mais que a Troika. Até somos, pasme-se, chulados pelo governo comuna chinês! Para o Irritado, tudo normal. Como não é o António Bosta ou o PS…

    1. Lamento, mas não deve ter lido omque comenta.

      1. Li. Atribui a mama da EDP «às fantasias do ministro, aos negócios do 44 e à insaciabilidade do Mexia». Terei de recordar-lhe, pela 10ª vez, a demissão do Sec. Estado da Energia? E a posterior demissão do Álvaro? Os únicos que denunciaram e tentaram combater a mama da EDP? E que por isso foram corridos? Que será preciso para o Irritado admitir que não são fantasias ou idealismos, mas lobby puro e duro do Mamão Mexia? Mais que lobby, controlo sobre o governo? E para admitir que a “coragem” do seu herói Passista é sempre para o lado mais fraco? E que o actual ministro não é um ambientalista, mas um moço de recados do Mamão Mexia? Já da iniciativa do Bosta em Lisboa, lembrei-me do seu carro: é (muito) anterior a 2000, não é? Mas o carro do Bosta é novinho. E os dos outros pulhíticos também. Disso tenho a certeza.

        1. Quem o ler, acha que eu não disse nada sobre o ministro do ambient. Para além de ter denunciado a origem do problema, denuncio a sua manutenção. É pouco para si? Peciência.

  2. Agora fora do tema, olhe que riqueza, Irritado: «O santanista MANUEL FREXES, gestor público da Águas de Portugal, está a recolher assinaturas de autarcas do PSD para apoiar a candidatura de SANTANA LOPES à Presidência da República.» Quem é Manuel Frexes? É um dirigente do PSD, ex-deputado, e ex-autarca do Fundão com muita “obra” (daí a afinidade com o seu caro Santana), que deixou o Fundão cheio de dívidas (outra afinidade), e que pulou para novo tacho público (outra ainda). O detalhe é que a CM Fundão devia milhões à Águas de Portugal, até com um litígio em tribunal… e esta nomeou-o presidente! Disse então o bom do Frexes: «é altura de aceitar novos desafios». Pois é. Mais um “desafio” para o seu caro Santana, hã, Irritado? E nós, comodistas, nesta vida fácil de trabalhar para pagar impostos…

    1. Duas coisas:Primeiro, em relação ao Frexes, não sei, é capaz de ter razão. Mas, como, por princípio, v. diz mal de tudo e de todos, a dúvida é legítima.Quando a PSL, tem toda a razão: se ele quiser, também assino.

      1. Que exagero, eu não digo mal de tudo. Ainda no outro dia, na Gulbenkian, aplaudi longamente uma senhora. Chama-se Elisabeth Leonskaja. No dia em que os amigos do Irritado gerirem o meu dinheiro com a mesma qualidade e seriedade com que ela toca, ou até com metade dela, pode crer que também os elogiarei. Enquanto apenas o chularem e estourarem, bom…

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