Voltando ao caso dos submarinos (parte III, contrapartidas), vejamos o que (não) se passa.
A distinta Assembleia da República vai criar uma comissão parlamentar de inquérito (mais uma), desta vez sobre contrapartidas em geral – dos submarinos, dos carros Pandur, dos helicópteros e não sei mais de quê.
Parece que as contrapartidas estão atrasadas em mais ou menos dois mil milhões de euros. Os partidos comunistas e o PS encarniçam-se, em declarações públicas e em “bitates” para os seus serventuários na imprensa, à procura de encontrar um leque alargado de culpas para o Portas (Paulo), o CDS e (seria óptimo, vê-se no que dizem) o PSD.
Fazendo um pouco de história, teremos que:
a) A maior parte das compras foram começadas pelo governo PS/Guterres e finalizadas, com alguns cortes, pelos governos PSD/CDS, há para aí seis anos, nos termos de leis pelo PS aprovadas;
b) Das condições de tais compras fazia parte um compromisso dos vendedores de realizar determinados montantes de compras em Portugal, somando parte de tais compras os dois mil e tal milhões ditos em falta;
c) Já no tempo do glorioso Pinto de Sousa, foi nomeada uma comissão especializada, a qual, sob a chefia do ilustre diplomata reformado Pedro Catarino, tinha por fim tratar do cumprimento das tais contrapartidas.
d) Será isto que a tal comissão parlamentar, imaginada pelos comunistas do BE, apoiada pelos comunistas do PC e parece que aceite pelos demais, irá investigar e “julgar”.
Entretenham-se os senhores deputados como tiverem por bem. Percebe-se. Difícil de perceber é o coro anti centro direita que se tem constituído, com barítonos, tenores, baixos e fadistas.
Então:
e) Se as negociações e o fecho das compras em causa tiveram a participação e o beneplácito do PS, como podem os arautos do PS pô-las em causa?
f) Se a comissão das contrapartidas, nomeada pelo PS, chefiada por um simpatizante do PS, trabalhou – ou não trabalhou – desde a primeira hora sob a alçada dos ministros da defesa e da economia dos governos do PS, como pode o PS querer tirar o cavalo da chuva, ainda por cima acusando os outros de não ter feito aquilo que o PS não fez?
É certo, para quem quiser ver o que se passa, que, se culpas por mor dos atrasos na concretização das contrapartidas cabem a alguém, o culpado é, exclusivamente o PS, a comissão nomeada pelo PS, o governo do PS, o primeiro-ministro do PS.
Diz o povo que “pagar e morrer quanto mais tarde melhor”. Talvez tenha sido esta a filosofia dos alemães a este respeito. Critique-se, acho bem.
Mas a quem competia puxar por este comboio? A quem tem a pagar ou a quem tem a receber?
O que fez a Comissão das Contrapartidas, para além de confessar que está tudo atrasado, de declarar que já gastou trezentos e não sei quantos mil euros, sobretudo em salários (!!!), e que tem um défice de cento e não sei quantos mil?
Nada.
O que fizeram os ministros da defesa e da economia do PS, ao longo de quase seis anos, para pôr a comissão nos eixos?
Nada.
O que fez o primeiro-ministro, para além de conservar o embaixador Catarino no poleiro?
Nada.
Então para que querem os ilustres deputados uma comissão parlamentar de inquérito?
Não está tudo claro como água mineral? Querem mais? Os partidos comunistas, vá lá, sabe-se o que querem – desestabilizar os democratas – mas, e os outros? Andam a dormir?
13.4.10
António Borges de Carvalho

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