Toda a gente sabe que as escutas telefónicas motivaram aos investigadores sérias dúvidas sobre o papel do primeiro-ministro nalgumas tramóias mais ou menos escanifaubéticas.
Quando as oposições, cobardemente, em vez de tirar conclusões políticas com base nestas em inúmeras outras trafulhices do senhor Pinto de Sousa, separando o judicial do político, se entretiveram a arranjar uma comissão parlamentar de inquérito, ou caíram numa esparrela, ou deram um tiro no pé, ou são burras que nem um autocarro.
O que é político não precisa de prova, no sentido judicial do termo. Do que é político tiram-se consequências políticas, não outras, que não competem aos políticos.
Neste sentido, é evidente que a comissão parlamentar de inquérito não pode servir para outra coisa que não seja “safar” o primeiro-ministro de mais esta enrascada.
A cereja em cima do bolo foi hoje posta pela Justiça, mediante a destruição das escutas, única prova factual das malfeitorias políticas do senhor Pinto de Sousa.
É certo que partes das escutas foram reproduzidas nos jornais. Mas, destruída a prova material das mesmas, pode o senhor Pinto de Sousa dizer que os jornais inventaram tudo, a bem das conspirações várias de que o dito senhor acusa este mundo e o outro.
Por conseguinte e como de costume, tudo vai acabar em águas de bacalhau.
Não é o bacalhau o nosso mais fiel amigo?
13.4.10
António Borges de Carvalho

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