IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A MACHADADA FINAL

 

Toda a gente sabe que as escutas telefónicas motivaram aos investigadores sérias dúvidas sobre o papel do primeiro-ministro nalgumas tramóias mais ou menos escanifaubéticas.

Quando as oposições, cobardemente, em vez de tirar conclusões políticas com base nestas em inúmeras outras trafulhices do senhor Pinto de Sousa, separando o judicial do político, se entretiveram a arranjar uma comissão parlamentar de inquérito, ou caíram numa esparrela, ou deram um tiro no pé, ou são burras que nem um autocarro.

 

O que é político não precisa de prova, no sentido judicial do termo. Do que é político tiram-se consequências políticas, não outras, que não competem aos políticos.

Neste sentido, é evidente que a comissão parlamentar de inquérito não pode servir para outra coisa que não seja “safar” o primeiro-ministro de mais esta enrascada.

A cereja em cima do bolo foi hoje posta pela Justiça, mediante a destruição das escutas, única prova factual das malfeitorias políticas do senhor Pinto de Sousa.

É certo que partes das escutas foram reproduzidas nos jornais. Mas, destruída a prova material das mesmas, pode o senhor Pinto de Sousa dizer que os jornais inventaram tudo, a bem das conspirações várias de que o dito senhor acusa este mundo e o outro.    

Por conseguinte e como de costume, tudo vai acabar em águas de bacalhau.

Não é o bacalhau o nosso mais fiel amigo?

 

13.4.10

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “A MACHADADA FINAL”

  1. Pinto de Sousa não é Ferro Rodrigues,já o disse aqui uma vez.Usando uma expressão dele;ainda está para nascer o safardana capaz de o tramar com golpes baixos!!!

    1. Quando apareceu o “Big Brother” – um programa no qual as pessoas em sua casa observavam pela televisão outras pessoas numa outra casa – vi dois ou três episódios, o suficiente para perceber o nada que tudo aquilo era. Mas aprendi qualquer coisa: fiquei a saber o que era a linguagem, conversas, preferências, conceitos, planos, valores daquela juventude. Como não eram da minha geração nem frequentei os meios por onde eles levaram a sua vida, foi uma surpresa. Má. Para dar só um exemplo, dois concorrentes casaram dentro da casota onde desempenhavam o triste papel de cobaias – para tentarem com isso concitar a curiosidade das audiências e ficarem no concurso mais umas semanas. Se isto não é a mais abjecta concepção do que deve ser um casamento, então não sei o que seja.Tudo isto me veio ao espírito ao ler o comentário do nosso prezado Tecelão. O Fradique Mendes, esse delicado diletante alter ego do Eça, dizia que havia coisas que lhe provocam “sulcos na alma”. Dava três exemplos, só me lembro de dois: um reles perfume de mulher, desagradável, violento, que se colava à nossa pele por todo o dia; ou um observação injusta e degradante sobre uma pessoa superior, ouvida de passagem, mas que deixava entrever todo um horrendo mundo de degradante canalhice.A expressão que o Tecelão cita, usada pelo chefe socialista, é isso mesmo. Admira-me que a invoque e lamento que lhe ache préstimo. É um entendimento do cargo de primeiro-ministro semelhante ao que o casal do Big Brother tinha do casamento.Diga o que quiser – e a comparação é quase nefanda – mas está a anos-luz do que Salazar tinha como conduta: “Jamais empreguei a agressão ou o insulto, de modo que homens dignos se considerassem impossibilitados de colaborar”.Todos sabem que Sócrates mentiu, bem mais que uma vez e não sobre trivialidades. Espero que o Tecelão não queira insultar a nossa, sobretudo a sua, inteligência sustentando o contrário. Por isso, os golpes baixos foram perpetrados por ele – e é ele o tal miserável que já nasceu e que há-de provocar a sua própria queda.O governo do nosso país não deveria ser entendido como uma feira de província, onde uns quantos avinhados energúmenos terçam os seus cajados para medir forças e vaidades.A boçal bravata do vilarense maçador mostra precixamente o contrário. E o estimável Tecelão dar-lhe vulto também não é lá muito bom sinal.

      1. Avatar de daniel tecelao
        daniel tecelao

        Não precisava de desenterrar o ditador para tecer comparações.Há coisas incomparáveis,apesar de tudo tolero melhor com um 1º ministro mentiroso,que fascista!!!

        1. Apesar de ter vivido neste regime os anos suficientes para ver o pouco que vale, ainda me consigo quedar átono e interdito perante as vacuidades que a propaganda abrilina conseguiu consagrar naqueles que preferem acreditar num slogan que lhes impingem, a usar do seu discernimento, se o têm, para ver o que os rodeia. Afinal é para estes que são feitos os anúncios de desodorizantes que nos mostram mulheres instantaneamente apaixonadas nada mais que pelo aroma do “roll-on” exalado pela axila masculina que lhes passa perto. Eles olham, acreditam mesmo – e compram. Há gente assim crédula, que facilita a vida às agências publicitárias pouco inspiradas e aos políticos pouco sérios. No medo irracional (instilado pela propaganda luso-soviética ou terá sofrido pessoalmente alguma perseguição?) do “fascismo” morto e mais que enterrado, o Tecelão propala com naturalidade que convive bem com um mentiroso e a pena não lhe treme ao escrever a enormidade. Não lhe ocorre que o cargo deveria ser ocupado por um socialista honesto, e se possível competente.Para ele, a verdade (a que os comunistas adulteraram e Sócrates vilipendia sob o complacente olhar de uma certa estirpe de eleitores) não tem valor por aí além. Por isso em tempos pensou que fosse natural que eu mentisse aqui e por isso revê-se em Sócrates e Alegre. Foi com pessoas assim que Lenin chegou à conclusão que uma mentira repetida cem vezes é tomada por verdade e que a “solução final” de Hitler se tornou possível. E assim uma Vera Lagoa (que apoiara Delgado) passava a vida nos tribunais enquanto o Mário Tomé (um autoritário ajudante-de-campo de Kaulza) se tornou dirigente da UDP.Todos praticamos actos errados e reprováveis, menos ou mais frequentemente, com maior ou menor gravidade. Felizmente o impassível Tecelão está a salvo dessas aflições, porque é amoral e afirma-o displicentemente. Todos temos as nossas humanas fraquezas, ainda assim eu prefiro as minhas, porque as conheço, me penitencio delas, as combato e muitas vezes consigo vencê-las.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *