Há coisas de uma simplicidade linear.
Qualquer de nós gostaria de presentear o próximo com tudo o que há de melhor, de mais belo, mais útil, mais caro, mais necessário, ou até desnecessário. Chamemos a isto nobre e cristão sentimento ou, como se diz agora, solidariedade social.
Esta sublime postura tem alguns inconvenientes e está sujeita a condições.
O maior inconveniente é a situação em que o próximo fica: se lhe dão tudo, deixa de precisar de fazer seja o que for, habitua-se à mama e, a prazo, arruína-se a si e aos caridosos/solidários.
A condição número um é que dar implica ter. Só se dá o que se tem. Quando se dá o que se não tem, há que ir buscar a algum lado. Se se vai buscar a algum lado, tal lado, que não é caridoso nem solidário, quer de volta o que é seu, mais o que cobra por tê-lo adiantado.
Então, o que não pode deixar de acontecer é que os caridosos/solidários ficam arruinados, o mesmo acontecendo ao próximo.
É o diabo.
Há duas soluções.
Ou os caridosos/solidários arranjam maneira de fazer com que o próximo trate de si próprio, isto é, passe a precaver-se, pelo menos em parte, para o que precisa ou pensa que virá a precisar, ou acaba-se, a curto ou médio prazo, com a caridade e a solidariedade, por falta de meios.
É simples, linear e fácil de perceber.
Sob uma chuva de críticas, Passos Coelho aposta na primeira hipótese.
Gloriosamente, Pinto de Sousa insiste na segunda.
Conclusão:
A miséria está garantida.
Com Passos talvez haja alguma hipótese de, a médio prazo, sair dela.
Com Pinto de Sousa, fica por aí pelo menos uns cem anos.
Outros actores badalam:
Portas, bem perto de Pinto de Sousa, badala impossibilidades.
Jerónimo e Louça, com repetidas badaladas, estão longe de tudo isto porque o que lhes interessa não é resolver problemas, é criar outros bem piores.
Decidamos em conformidade. É simples.
1.6.11
António Borges de Carvalho

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