Ontem, em manifestação de respeito e apreço pelo magnífico reitor da universiadade de Coimbra, regalei-me com umas fatias de rosbife mal passado com batatas fritas.
Não sou nem bolsonariano nem trumpista. Mas sinto uma certa irritação com este convencimento idiota que se apoderou da humanidade, ao ponto de se proibir a carne de vaca nas cantinas, para “salvar o planeta”. Já que não podemos alterar os hábitos intestinais das vacas e, já agora, dos bois, acabe-se com a espécie, seguindo o científico parecer do senhor reitor. Estamos todos a ver os estudantes, coitados, a ficar privados de filet mignon, de língua estufada e de bifinhos ao Madeira, não, é? Não. Jamais algum deles cheirou tais vitualhas. Nunca houve um estudante, nem no meu tempo nem agora, que gostasse da comida das cantinas. Isso é que é grave.
Adiante. O planeta está a aquecer? É possível. Ninguém faz ideia, como nunca ninguém fez ideia, da duração de tal aquecimento, como nunca ninguém fez ideia de quantas vezes e por quanto tempo o planeta arrefeceu ou aqueceu. O que se sabe é que nunca o homem teve a ver com isso. Mas, reza o correcto, desta vez não voltará a arrefecer, continuará a aquecer pelo menos enquanto houver nele essa coisa horrível, criminosa e incompetente que é a humanidade. Coisa que, se houver justiça, deverá acabar a seguir às vacas, isto se não forem respeitados os avisados conselhos de quem sabe. O totalitarismo “científico” está instalado e progredirá até que alguém demonstre que o rei vai nu, o que, a curto prazo, não é previsível.
Os oceanos vão subir? É possível. Diria o bom senso que as áreas em perigo deviam ser protegidas. Os holandeses, no tempo em que não havia “bulldozers”, elevaram as suas terras com pás e enxadas, para que o mar não os incomodasse. Aí está. As arribas fósseis deviam ser reforçadas, estabilizadas. Aí está. Em vez disso, não se coma carne de vaca, diz a moda
Vai haver falta de água? É possível. Então, guarde-se a água em vez de dizer, como faz a dona Catarina, que as barragens, essa hedionda invenção da humanidade e da EDP, cometem o crime de evaporar. Avance-se para novas tecnologias de dessalinização das águas do mar. Faça-se uma gestão da água que há e arrange-se maneira de a armazenar mais, em vez de diminuir a água dos autoclismos e dizer às criancinhas para não os descarregar só por causa de uma mijinha, “para defender o planeta” (já vi disto).
Aproxima-se uma era de escassez de alimentos? É possível. Então acabe-se com a luta contra os transgénicos, que nuca fizeram mal seja ao que for e a quem for, pelo menos que se saiba. Então não se retire à espécie humana, que é omnívora desde a mais remota antiguidade, o direito de comer o que lhe apetecer, em vez de andar para aí a fazer do vegetarianismo e do veganismo uma religião indiscutível e totalitária.
Aqui, à minha porta, costuma haver uma feira da produtos “bio”. A maioria são tão “bio” como um saco de plástico. Mas também há frutos de aspecto miserável e sabor a lagartas. E cogumelos, frutos pretos e vermelhos, etc, criados em estufas de plástico. Tudo mais caro, tudo com etiquetas á la manière. Aldrabices várias muito apreciadas pelos salvadores do planeta. Eu até acho agradável comprar couves ditas bio aqui à porta, tem a sua piada, os tipos são simpáticos, desde que não comecem a vender teorias.
Note-se, eu acho muito bem, muito útil (até prova em contrário), que haja carros a pilhas (ai o lítio, que horror!), que se despolua os rios, que se lute contra os ruídos excessivos, que se plante espécies autóctones (sem prejuízo dos eucaliptos!), que se puna os autores de efluentes tóxicos, que se torne a nossa vida mais agradável, sustentável, saudável. Mas não tolero o totalitarismo dito ambientalista, nem a antropogénese de todos os males, nem a demagógica ilusão de andar a “salvar o planeta”, corpo celeste que depende dos caprichos do cosmos e não da carne de vaca.
20.9.19

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