IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SACOS PARA O POVO!

 

Quando eu era pequeno, havia lá em casa uns sacos dedicados a guardar o pão. Eram de algodão, ou coisa do género, aos quadradinhos ou às riscas. Todas as manhãs, o padeiro batia à janela da cozinha, que era no rés do chão, e a cozinheira recebia os papo-secos e o pão escuro acabadinhos ou quase de sair do forno. No dia seguinte, o pão que sobrava da véspera era servido em torradas ou guardado numa gaveta para uma eventual açorda.

Hoje já não há padeiros a bater à porta, pouca gente haverá que se levante mais cedo para ir comprar pão fresco. Não faz mal, porque o pão da véspera, guardado num saco de plástico bem atado e com um mínimo de ar, se conserva comível dois ou três dias. E compra-se pão fresco, se se quiser, a qualquer hora do dia, sem ser preciso madrugar. A açorda leva mais tempo a chegar, as torradas são precisas a partir do segundo dia, o pão é mais aproveitado.

A tradição do pão fresco, à antiga, mantém-se em França, país submetido ao tenebroso hábito da “baguete”, coisa que, ou se come fresca ou, passada meia dúzia de horas, não presta para nada. As pessoas – uma respeitável tradição – vão à padaria todas as manhãs, e todas as tardes quando saem do trabalho. Que lhes faça bom proveito.

Por cá, e pela generalidade das gentes, foi descoberto o saco de plástico.

Mas o saco de plástico passou a ser considerado pelo terrorismo eco-estúpido em que estamos enclausurados como coisa tremenda, terrível, odiosa, repugnante. Mesmo quando é tão útil como no caso do pão.

 

Vem isto a propósito da última glória nacional, a “Saca do pão da avó”. Esta notável “invenção” de um tal Carlos Fonseca, foi a única ideia cá do sítio a ganhar um prémio numa chamada “Semana Europeia da Prevenção dos Resíduos”. Para além de demonstrar os prodígios de que é capaz a lusitana capacidade inventiva, este prémio mostra onde pode chegar a palermice pseudo-ecológica dominante. Grande adepto desta “solução” é o dono da padaria de Oliveira de Azeméis que, agradecido ao Carlos, passou a vender-lhe pão todos os dias em vez de um dia sim dois dias não e, certamente por isso, lhe faz um descontinho nas compras que, gostosamente, coloca no saquinho de pano bordado pela tia Eugénia. É bom para o negócio dos padeiros. Eles agradecem, o júri da tal Semana Europeia fica muito contente, Portugal demonstra que, afinal, é um grande país. Hossana!

 

O IRRITADO não é contra a diminuição do consumo de sacos de plástico, mesmo que a maior parte deles seja, nos nossos dias, reciclada. Pelo contrário. Mas chegar ao ponto de recusá-los, mesmo quando são a melhor maneira de conservar um alimento como o pão, outra coisa não mostra senão o fundamentalismo ideológico dominante.

 

Tema que, por politicamente correcto, é capaz de não ter outros críticos ou opositores para além do IRRITADO. Paciência.

 

24.6.14

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “SACOS PARA O POVO!”

  1. Pouco sei de reciclagem, mas segundo a agência oficial americana só 9% dos plásticos são reciclados: http://epa.gov/osw/conserve/materials/plastics.htm O que sei é que há depósitos gigantescos de lixo nos oceanos, sobretudo resíduos de plásticos, do tamanho de continentes inteiros… já ouviu falar? http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Porção_de_Lixo_do_Pacífico http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Porção_de_Lixo_do_Atlântico_Norte

    1. De acordo.Mas os sacos do pão? Não será exegero deitar fora o pãp para poupar sacos? Não se lê isso no post?

      1. Entendi, apenas desconheço a grande vantagem dos sacos de plástico. Na padaria têm sacos de papel, é onde costumo guardar o pão. Raramente o deito fora, por regra congelo o que sobra. Pão descongelado não é grande coisa, mas num aperto é melhor que nada. E é certamente melhor que o dos supermercados. Sacos de plástico, uso-os para compras e para lixo. Alguns hão-de acabar na mesma naqueles depósitos no mar. Não é preciso propaganda politicamente correcta para ver que aquilo não é bom.

        1. Então, faça a seguinte experiência: ponha o pão num saco de plástido, amarre, tire o ar e pendure. Três dias depois, veja como está. Sem precisar de congelador. Se quer poupar sacos de plástico, então vá ao supermercado com um carrinho ou um saco chinês. Fica sem sacos para o lixo, mas cumpre os seus deveres de ciadadão “consciente”. O que eu quis mostrar foi o exagero de “inventar” e premiar a abolição do saco precisamente na, talvez única, utilização doméstica em que é indispensável. A verdade é que julgava que toda a gente já tinha descoberto essa maneira de conservar o pão dois ou três dias!

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