IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


RUI TAVARES

 

 

Na opinião de um esquerdista inveterado que escreve nas páginas do jornal privado chamado “Público”, na Câmara do senhor Costa “a única grande notícia é que acabou o caos e a corrupção”.

 

Não se sabe onde foi o ilustre articulista buscar a informação que tão prestimosamente vem prestar ao respeitável público.

 

Acabou o caos? Experimente o articulista ter a peregrina ideia de deitar abaixo uma parede lá de casa, e verá se acabou o caos. Experimente o articulista perguntar ao tasqueiro da esquina há quanto tempo está à espera que o autorizem a colocar na montra um anúncio, e verá se acabou o caos. Experimente o articulista perguntar aos interessados o que é feito dos dois mil e seiscentos processos de recuperação de prédios velhos que andam a pastar pela câmara, e verá se acabou o caos. Experimente o articulista pedir à Câmara um número de polícia, e verá se acabou o caos.

 

Acabou a corrupção? Eu não sei se há corrupção ou se não há corrupção. Mas experimente o articulista o que a sua superior inteligência determinar, e logo verá se mudou alguma coisa. Nestas matérias, o melhor é experimentar, já que se alguém corrompe ou é corrompido não vem a correr informar o articulista.

 

Como digo acima, a corrupção a que se refere o articulista de esquerda é coisa que não sei se existe, seja na câmara de Lisboa, seja noutro sítio qualquer.

 

Mas há coisas que não sendo chamadas corrupção, a meu ver integram o conceito, e integram-no de forma muito mais grave do que o fazem aqueles (putativos!) a quem uns tostões fazem falta quando lhes aparece alguém com eles na mão.

 

Quer um exemplo, senhor articulista?

Olhe o seu protegido Fernandes! Olhe os milhões de euros de prejuízo que os seus improcedentes propósitos causaram à CML! Já os pagou? Ou estamos nós todos a pagá-los com imis, licenças, coimas, taxas, o diabo a quatro?

Isto não é corrupção?

Um tipo destes poder candidatar-se a vereador não é corrupção? Não é a pior das corrupções, a corrupção das raízes mesmas do sistema democrático?

Quer outro exemplo, senhor articulista? Olhe a feira popular! Um mar de dejectos, de lixo, de touvenant, uma chaga, uma vergonha no centro da cidade! Há quantos anos? Por quantos anos mais? O seu amigo Fernandes arranjou uma estrangeirinha, a dizer que havia corrupção no negócio. O PS, que aprovou o negócio, vai atrás do Fernandes.

Corrupção moral do PS, que dá o dito por não dito. Corrupção profissional dos tribunais, que não cumprem, atempadamente as suas funções, embora sejam pagos como se cumprissem. Corrupção do Fernandes que vê arguelhos nos olhos de toda a gente sem dar pelas trancas próprias. Corrupção do sistema, que não presta a quem lhe paga os serviços que pagos lhe são. O Fernandes estende uma armadilha a um indivíduo para lhe gravar a conversa e o meter em trabalhos a seguir. Isto não é corrupção, pior que a alegada corrupção de quem se deixou cair na armadilha?

Os fiscais de impostos entram pelos copos de água dentro, a sacar impostos. Isto não é corrupção? Atacar a privacidade de cada um para lhe sacar dinheiro não é corrupção?

Dar borlas aos atletas em matéria de segurança social não é corrupção?

 

Os exemplos são tanto que davam para uma enciclopédia.

Enquanto a Câmara, o Estado, forem o que são, que direito têm de andar para aí a acusar desconhecidos, ou seja quem for, de pecados que todos os dias cometem, ainda que “legalmente”? A luta contra a corrupção devia começar no Diário da República e nas Posturas Municipais, com "reformas" que fossem sérias (isto é, que estivessem de acordo com a equitas) e fossem cumpridas, claro. E, se a Câmara e o Estado tivessem alguma sombra de moralidade, talvez as pessoas tivessem menos vontade – às vezes necessidade – de corromper, e menos oportunidades de ser corrompidas. Não seria de começar por aí?

 

 

António Borges de Carvalho


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