IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


RTP

 

O IRRITADO não percebe patavina de altas finanças nem de negócios propriamente ditos, isto é, dos que metem dinheiro a sério, coisa tão rara em Portugal desde os tempos do PREC, tempos em que, por gloriosa intervenção sovieto-estúpida, o dinheiro se foi embora para não mais voltar.

 

Por isso que tenha que pedir desculpa aos inúmeros sábios da nossa praça da ousadia de vir pronunciar-se sobre o magno problema da privatização da RTP.

Dizem os entendidos, unanimemente, que “não há espaço”, em Portugal, para três canais de sinal aberto.

Os excelentíssimos Drs. Pinto Balsemão e Pais do Amaral, acompanhados por inúmeras altas personalidades, aplaudem freneticamente esta tão douta opinião dos especialistas.

 

Muito bem. Agora, vejamos.

Se “não há espaço”, por alma de quem é que os excelentíssimos estão tão aflitos com a hipótese de privatização?

Diz o mais simples raciocínio que, se “não há espaço”, não há compradores, porque ninguém quer fazer negócios onde não há espaço para facturar. Portanto, podem os excelentíssimos ficar descansados. Mesmo que o governo tome a sábia decisão de privatizar o canal 1, como não haverá compradores, diz a lógica (deles), não poderá haver privatização. Então porque estão preocupados?

Trata-se de um mistério insolúvel.

 

Outro mistério insolúvel é o que se refere à filosofia dos excelentíssimos: ambos se declaram, e muito bem, ferozes adeptos a “libertação da sociedade civil”. Então, como é possível acharem que a tal sociedade deve pagar, à razão de milhares de milhões por ano, o piscar de olho do senhor Rodrigues dos Santos, só porque eles querem proteger o seu mercado? Ainda por cima contrariando os mais que legítimos interesses da sociedade? Ainda por cima à revelia dos seus “sentimentos” e “convicções” liberais. Ainda por cima à custa das suas “teorias” sobre a sagrada concorrência?

 

Nada disto faz sentido, nada disto revela coerência. Ideias e convicções mandadas às urtigas quando se acha que pode estar em causa o “equilíbrio” do mercado, ou seja, o domínio dele a dividir por dois em vez de três ou mais? Ao mínimo abanão, ou hipótese de abanão, aí está o proteccionismo a ser defendido por quem, da boca para fora, o condena?

 

O IRRITADO tem uma solução que contentaria os excelentíssimos sem prejudicar a malta, ou os apregoados “princípios”, “ideias” e “valores”: acabar com a RTP.

Assim:

Com os subsídios e os impostos que a RTP recebe num ano, punha-se aquela malta toda na rua, a começar, simbolicamente, pelo senhor Rodrigues dos Santos. Nos anos seguintes já não haveria impostos para os do costume nem despesas para o Estado. E os excelentíssimos ficavam com o mercado todo! Querem melhor, hem?

 

Conceda-se que convinha ao país que a RPT Internacional e a RTP África continuassem a existir.

Mas não há já a SIC Internacional e a TVI Internacional?

Nestes canais, podia o Estado podia introduzir os conteúdos “nacionais” que entendesse, contratando tempo de antena com os excelentíssimos por troca das vantagens que terão em ficar sozinhos no mercado. O que quer dizer que, bem negociado, sairia de borla ao Estado e ao contribuinte, sem prejuízo do serviço que se entende por necessário.

 

Será uma solução demasiado simplista?

Não é. É simples, coisa que, desgraçadamente, não está nos nossos hábitos nem sustenta chusmas de funcionários, de conselheiros, de juristas e de outros tipos que têm o vício de se meter em tudo o que cheire a euros. A complicação dá muita massa a ganhar e, por isso, o que é simples não interessa a quem “sabe”.

 

Pode ser que o Dr. Portas (Paulo) leia isto e se deixe de parvoíces.

 

5.6.11

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “RTP”

  1. O Irritado estava DIVINAMENTE inspirado quando fez este post!Lindo!

  2. Como é óbvio, o “espaço” dum mercado, no caso o da publicidade televisiva, não é definido pelas opiniões dos concorrentes (ou “players”, como certa malta gosta de dizer), mas pela PROCURA. Qualquer casa, café ou barraco tem um aparelho de televisão, e nada faz prever que a maralha deixe de olhar para ele, ou que mude em massa para canais estrangeiros. Havendo público, há também anunciantes. E não consta que paguem mal. O que acontece, a meu ver, é que as TVs vivem num mundo à parte. Tal como no mundo das (grandes) agências de publicidade, ou no Estado em geral, é tudo à tripa-forra: ordenados, mordomias, deslocações e estadias, instalações e eventos, viaturas e meios. Esta mentalidade vem do tempo em que não havia Internet, nem TV por cabo, e os anunciantes eram cinco cães a um osso. Agora, e sobretudo em tempo de vacas magras, é ao contrário. Ora, como as TVs não querem viver no mundo real, como as restantes empresas, das duas uma: ou têm MAMA garantida, como a RTP, ou procuram limitar a concorrência ao mínimo possível, como a SIC e a TVI. —————- Posto isto, será melhor privatizar ou extinguir a RTP? Os argumentos apresentados pelo Irritado parecem-me sólidos: talvez seja melhor cortar o mal pela raíz. Assim como assim, tudo se resumirá a novelas, bola, e “reality” shows.

    1. Tem toda a razão.Obrigado pela achega.

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