IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


REGRESSO ÀS SCUTS

 

O peregrino assunto das SCUTS continua, desesperadamente, a tentar entrar na agenda.

Esta coisa da austeridade é percebida e até aceite por toda a gente. O problema é que a mesma gente acha muito bem quando a coisa toca à porta do parceiro. Quando toca à porta cada um, nem pensar. Das mais altas patentes da República ao mais modesto membro da classe média (os mais debaixo não pagam nada) toda a gente se considera atendível excepção.

Foi um erro crasso do governo ter aberto algumas. Imperdoável e pouco inteligente.

 

As SCUTS são um mero detalhe no meio de um ror de desgraças. É evidente que esta desgraça em particular tem que ser tão paga como as outras. E os primeiros a ter que a pagar são os que as utilizam. Mete-se pelos olhos dentro do mais estúpido.

Os espertos, esses, sabichões e caloteiros, querem ser mais que os outros. Um vício nacional.

Vem esta arenga a propósito dos protestantes que se juntaram, aliás sem grande adesão popular, na chamada festa do Pontal, que já não é festa do Pontal mas continua a chamar-se festa do Pontal.

O IRRITADO não é “algarvista”, mas vai fazendo umas contas, e atreve-se a pedir a outros que as façam também.

Rezaram as notícias que percorrer a Via do Infante de ponta a ponta custa a astronómica quantia de 11 euros. Quase 200 quilómetros. 11 euros.

Um carro de consumo médio, digamos 8 litros aos cem, gastará em combustível cerca de 27 euros (gasolina 95). Mais 11 de portagem, teremos 38 euros. Fará a viagem à média de 100 à hora, calmamente, sem chatices, nem cruzamentos, nem semáforos, nem travagens. O carrito será poupado. Não há para/arranca, não há consumo de pastilhas, nem o motor aquece, nem a paciência se gasta. Os acidentes são pouco frequentes. A autoestrada é a alternativa ideal à N125. Incontroverso.

Além disso, façam as contas e chegarão à conclusão que, para além do tempo perdido, da paciência cheia de buracos, das paragens e dos arranques, das rotundas, dos semáforos, dos polícias, o carrinho, em vez de gastar 8 aos cem gastou uns 11 litritos. O que, directamente, quer dizer um custo adicional de 10 euros. Não me venham agora dizer que os custos indirectos da N125 – o desgaste da viatura, a vossa estabilidade emocional, a vossa segurança, etc. – não valem 1 euro!

Nestas matérias, a caloteirice, a ânsia de fazer barulho e se tornar notado, a demagogia barata, a politiquice (não é por acaso que a “manifestação de indignação”, segundo os jornais, era maioritariamente constituída por tipos do BE) são o que impera.

 

O IRRITADO está farto de dizer que as autoestradas são alternativas às estradas nacionais, não o contrário. Quem quer gastar gasolina, dar cabo do carro, perder tempo, viver cheio de nervos, que o faça. Mas não chateie as pessoas decentes, nem o IRRITADO, nem o PM, que têm mais em que pensar que em oportunistas barulhentos e interesseiros.

 

Apostilha: diz-se que foi o camarada Cravinho quem “criou” as SCUTS. Ele, coitadinho, nega. Diz-se que foi ele quem prometeu 20% da TAP aos pilotos. Ele, coitadinho, nega. Ainda o havemos de ouvir dizer que nunca colaborou com o Marcelo Caetano!

 

16.8.12

 

António Borges de Carvalho

 



12 respostas a “REGRESSO ÀS SCUTS”

  1. Bem dito.As pessoas normais fazem assim as contas.O gang dos 7 berloques de esquerda daquela coisa que dá pelo nome de comissão de utentes só sabem contar até 21 e têm que estar nus.

  2. Apenas sobre os custos, e sem ferrar o dente no restante do post: a A22 ou Via do Infante, segundo as fontes online (Google Maps, Michelin, etc.), tem 133Km – e não «quase 200Km». De onde tirou essa distância? Quanto ao custo total, anda perto: custa agora 11.60€ de uma ponta à outra. Quer dizer, custa 11.60€ para a CLASSE 1 – obviamente, o exemplo que dá mais jeito ao Irritado. Para veículos das classes 2 a 4, é bastante mais cara. Mas peguemos nesse exemplo. Considerando que: – a A22, de Lagos a Vila Real Sto. António, tem 133Km; – a N125, com a mesma origem e destino, tem 136Km; – o carro gasta 8 aos cem na A22, e 11 aos cem na N125; – a gasolina (s/c 95) custa 1.73€/litro; Temos que: – via A22, a viagem custa 11.6€ + 18.4€ = 30€ – via N125, a viagem custa 0€ + 25.9€ = 25.9€ Arredondando, a A22 custa mais 4€ que a N125, com as premissas acima – e não 1€. Se mudarmos a classe da portagem do carro, ou o seu consumo – para o de um carro actual a gasóleo – então as contas ficam ainda mais difíceis para o clube do Irritado. E ainda nem falámos do mais importante: o SAQUE aos utilizadores, para sustentar aquilo que sabemos.

    1. Mas não dizem para aí, que para além daquele que utiliza, o chamado soberano continua a pagar do seu orçamento e, nalguns casos, até mais do que pagava quando era de borla?

      1. Pois paga. O turista parisiense tratou disso. Tal como continua a pagar os desvarios dos outros políticos, do Funchal ao Freixo de Espada à Cinta, e os respectivos JUROS – tanto à Banca nacional, como aos “mercados”. Os nossos políticos e pseudo-gestores assumiram tudo isto em nosso nome, deram o nosso NIB aos credores, e saíram frescos e airosos. Alguns partiram para novos “desafios” – curiosamente, também nas construtoras e na Banca -, outros ainda mamam na teta pública, e outros preferem mamar nas EDPs, PTs e Galps da vida. Mas nada disto importa aos pregoeiros da austeridade, como o Irritado, ou o seu PM-marioneta. Só lhes importa uma coisa: SACAR o máximo possível. A quem? Ora, a quem havia de ser? Ao ÚNICO culpado: o sacana do contribuinte.

    2. Não sei onde li os quilómetros. Mas lá que li, li.Aceito as suas contas como melhores que as minhas. Mas continuo a dizer que, mesmo por 4 euros, vale a pena.Quanto ao resto, a conversa é sempre a mesma. O meu caro Bastos não vê outra coisa senão os seus “maus”, que são todos. Uma espécie de Jerónimo democrático.Não acha que valeria a pena ir um pouco mais longe?

      1. Por coincidência, postámos exactamente ao mesmo tempo. Não tem importância, fica dada a resposta. E sim, quero ir mais longe: até ao último cêntimo que nos chularam e roubaram, até ao fim da IMPUNIDADE vigente. Depois, e só depois, podemos falar de austeridade. Ou do que quiser.

  3. Quem te manda a ti sapateiro,tocar rabecão!!!

  4. E por falar no sacana do contribuinte, o Sol desta semana traz-nos uma quase-notícia: o Sr. Passos prepara-se para SAQUEAR novamente os ordenados dos privados. O Irritado deve estar radiante: é mais um feito prodigioso do seu PM. Para quem rejubila com a austeridade, com o empobrecimento sistemático da população e a impunidade sistemática dos responsáveis políticos e financeiros, são tempos fantásticos. ———————– Sim: os que repetem o mantra da austeridade, fazem-no com indisfarçável satisfação. Colada à austeridade, vem sempre a ideia de “tomem lá que é para aprenderem”, seguida de “só este Governo PSD/CDS, gente séria e responsável, pode salvar-vos de vocês próprios”. Após 35 anos de Governos do CENTRÃO – 35 anos de bandalheira, regabofe, e conivência ao mais alto nível – isto é de uma LATA sem par. É mais que um insulto, é um escarro na cara de quem sustenta esta canalha, e lhe paga calote após calote, desvario após desvario, trafulhice após trafulhice, tacho após tacho. Não fôssemos um povo destomatado e corno manso, e outro Breivik cantaria.

  5. Para o Sr. . Filipe Bastos são todos maus segundo afirma o Sr. Irritado. Para outros existem os maus que estão do outro lado e os bons que julgamos estar do nosso. Para mim são delinquentes contumazes, como se comprova pela reacção que tiveram ao acórdão atabalhoado do seu tribunal privativo. Imagine, Sr. Irritado, que era um soberano daqueles que assumiu para com os seus súbditos que o estado seria de direito, que jamais o poder seria exercido por qualquer forma que não fosse uma regra de obediência geral, incluindo ele próprio. Imagine agora que mandatários seus, comandados por um primeiro ministro surripiavam parte do salário dos seus servidores incluindo aqueles próximos e fieis. Que fazia? Qual era o seu dever? Enquanto não conseguirmos olhar para aqueles que são mandatários do povo com olhar de soberano ( partilhamos a soberania ) jamais atingiremos a democracia.

    1. «Enquanto não conseguirmos olhar para aqueles que são mandatários do povo com olhar de soberano, jamais atingiremos a democracia.» Concordo, mas isso é a antítese do pensamento do Irritado. Para ele, e para os monárquicos em geral, um soberano é sempre supremo e inatingível. Pode tudo, manda em tudo, merece tudo. Nós somos apenas a ralé que nasceu para servi-lo. Ora, como não temos monarca, restam os políticos. Passe a psicologia barata, creio que é assim: como o Irritado também foi político, e tem compinchas políticos, transfere para esta classe o “direito adquirido” aos privilégios, e à submissão que (na opinião dele) devemos aos monarcas. Ou seja, os políticos e os governantes – só os de Direita, claro – são uma espécie de reizinhos alternativos. Não são realeza, mas enfim, são o que mais próximo se arranja. É por isso que uma verdadeira Democracia só pode meter confusão ao Irritado; e quanto mais DIRECTA for, tanto pior. E é por isso que confrontar os nossos governantes, cobrar-lhes as suas promessas, pôr em causa as suas decisões ou as suas mordomias, influir na forma como gerem o NOSSO dinheiro, são coisas impensáveis neste blog. A menos que sejam esquerdalhas, claro.

      1. Francamente, esperava mais de si.

        1. Não defende aqui os privilégios dos monarcas, e dos políticos? Não me repreende constantemente quando os critico? Não defende que devemos submeter-nos sempre às suas decisões? Não é contra a Democracia Directa? Não assume que este blog, entre políticos de esquerda e de direita, é parcial? Se escrevi alguma mentira no meu comentário, basta indicá-la. Se fui incorrecto ou injusto, basta dizer no quê. Dizer apenas que esperava mais, não ajuda lá muito.

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