Rezam os jornais que a inefável Quercus se revoltou contra a hipótese de vir ser construída, em Sines, uma refinaria monstra. A distinta quão bem intecionada organização adianta uma série de números, demonstrando que, compulsadas as previstas emissões com as exigências do protocolo de Quioto, o país ficará impedido de fazer novos investimentos, bloqueado nas suas perpectivas de desenvolvimento, etc.
Notável, esta preocupação súbita com o desenvolvimento de Portugal. A Quercus é, por definição, contra tudo: o nuclear, as auto-estradas, as barragens, a co-incineração, Sines com ou sem refinaria, e por aí fora. Nada lhe serve. Nada preenche os especiosíssimos critérios destes “cientistas” tão preocupados que estão com o futuro da humanidade em geral e deste cantinho em particular.
Só quando, mais uma vez, se querem afirmar contra qualquer coisa é que se lembram do desenvolvimento, como se alguma vez se tivessem preocupado com tal coisa.
Quando se cometeu o monstruoso crime de acabar com a barragem de Foz-Côa, a Quercus aplaudiu. Quando o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) diz que o nuclear está fora da agenda, a Quercus aplaude. Quando o mesmo senhor se prepara para nos cobrar os vinte cinco mil milhões de euros das SCUTS, a Quercus fica feliz. Agora, para travar mais um investimento, a Quercus serve-se da urgência e da necessidade daquilo contra que se bate, manifesta e repetidamente: o desenvolvimento. É claro, dirão os senhores da Quercus, que, quando se referem ao desenvolvimento, querem dizer desenvolvimento “equilibrado”, “sustentável”, e outros doces epítetos, conceito que nem eles sabem o que é, nem são capazes de preencher com quaisquer alternativas. Isto é, são contra “este” desenvolvimento, mas não oferecem outro. Haverá outro?, perguntam os néscios e os ignorantes.
Em matéria de incongruência e de demagogia, porém, os senhores da Quercus são largamente ultrapassados pela plêide de heróis que o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) comanda. Senão, vejamos. Há dias, brilhante sessão pública: ministros, directores gerais, cavalheiros da indústria, banqueiros, meninas e adjuntos. Os rapazes brindavam a Nação com mais uma extraordinária benesse: mediante acordo com o senhor Barros, os heróis iam construir a maior refinaria da história (a tal que os senhores da Quercus diziam garrotar o desenvolvimento da Pátria). Tudo um mar de rosas. O senhor Barros tinha reunido uma série de boas e ricas vontades, a obra ia fazer-se, íamos todos ficar mais ricos. Lindo! A Quercus que se lixe. Passados quinze dias, os mesmos heróis, ainda que já sem brilhante sessão pública, comunicavam ao povo que, afinal, o senhor Barros é uma besta e que não querem nada com ele. Em compensação, ó maravilha, os heróis anunciam que a Galp, ela sim, vai construir – mil milhões de Euros! – uma refinaria magnífica, extraordinária, fabulosa. Daqui a uns anos, claro, que isto de promessas tem que se lhe diga. No país, entrarão rios de dinheiro, agora sim, vamos todos ser mais felizes. Vamos a ver o que diz a Quercus, lá dos píncaros da sua autoridade moral (quem lhes paga?).
Qual Barros, qual carapuça! Aldrabões! Capitalistas! Exploradores do povo! O governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates), afinal, não vai em conversas de gente dessa. A brilhante sessão foi um lapso. Daqui a uns anos (já a Santa Engrácia dizia o mesmo) a Galp resolve o problema, e pronto. O governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates), acusado de fazer política de direita (???), tem um ódio visceral a essa coisa a que, num alarde de ignorância e de má fé, chama “neoliberalismo”. Não é por acaso que o ministro da agricultura é leninista, e o das obras públicas também. Fora o que escorre.
António Borges de Carvalho

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