Com a solenidade própria do momento, o ex-capitão de Abril, ex-coronel-ou-coisa-que-o-valha, ex-deputado do PS e alto dirigente fiscalizador dos serviços secretos, senhor Marques Júnior, apresentou-se ao povo e à Nação.
Vinha ele reportar sobre os resultados das profundas e minuciosas investigações que efectuou sobre as fugas de segredos que foram objecto de gigantesca reportagem do tablóide Expresso e que vêm ocupando o país de há quinze dias a esta parte, sendo objecto das maiores inquietações da classe jornalística, da classe política e da classe dos idiotas, que são muitos.
Não havia quem não aguardasse com a maior das ansiedades o que o ilustre militar-civil-político-tribuno-alto fiscalizador tinha para dizer. Pudera! Estava em causa a segurança da Nação!
O senhor pronunciou-se. Disse que, na verdade, um indivíduo altamente colocado nos serviços tinha comunicado informações a uma empresa. As hostes tremebundaram, emocionadas, como é natural e se justifica. Quem sabe se não estaríamos perante o caso de um James Bond nacional?
Depois, o senhor acrescentou que as tais informações, ainda que criticavelmente comunicadas, estavam à disposição do público na internet, para quem tivesse a pachorra de as procurar.
Aqui temos como é possível andar o pessoal entretido com tão importantes questões e, afinal, como o IRRITADO sempre disse, estarmos perante mera trafulhice informativa do citado tablóide.
Que outra montanha pariria um ratinho deste calibre?
Coisas a fazer lembrar o aquecimento global, o CO2, a gripe das aves, outras gripes que para aí andaram, etc. e tal, tudo temas que inquietam q.b. e que vão mantendo a malta “informada”, os jornais vendidos e uma data de gordos a engordar ainda mais.
5.8.11
António Borges de Carvalho

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