Os dois de fatinho azul, camisa branca (uma mais foncée que a outra), gravatinha vermelha como a que usava o orago Pinto de Sousa nos bons tempos, tudo nos conformes, unha tratada, barbeiro à entrada, postura afinada, um consolo!
Dizer coisas que valesse a pena ouvir, não disseram. Nem um nem outro sabe o que há-de fazer a isto, mas paleio não lhes falta: essa é que é essa. Um tem oitenta medidas mais menos deputados. Outro tem uma agenda. Ambos querem relançar a economia, baixar os impostos, pagar as dívidas, defender o estado social, aumentar as reformas, renegociar com o BE, a UE, o FMI e outras instâncias que andam para aí a chatear. Como? Não dizem. Fica para depois. As medidas de um são como a agenda do outro. Puro blabla.
Não se gramam. Tão oco o Oco I como o Oco II. Se há diferença, é a favor do I, que foi eleito e é legítimo. O II quer o poleiro, foi ordinário, malandrão, traiçoeiro; pode ser tudo menos um tipo decente. O I talvez seja. Primeiro-ministro um deles… que mais nos há-de acontecer?
O processo que o I inventou para ganhar tempo e desgastar o II, é de estalo: eleger um tipo para um cargo que, se vier a ficar à disposição da agremiação, não será eleito, nem nada obrigará a que seja nomeado: não há, nem na Constituição nem na lei, candidatos a primeiro-ministro. Nada há que dê cobertura a esta trapalhice. Nada não: dá-lha o Tribunal Constitucional que, expressamente, fecha os carinhosos olhinhos. Imaginem o que sucederia se a coisa se passasse no CDS ou no PSD; seria, como é evidente, altamente ofensiva dos mais elementares “princípios” constitucionais.
O processo é capaz de estalar na boca do seu inventor. Arranjou uma data de eleitores ad hoc, gente que não controla como controlaria a massa associativa. Uma espécie de lotaria viciada, sem segundos prémios nem terminações.
O IRRITADO não aposta, mas opina: antes o I. Porquê? Imaginem que apanhávamos outra vez com o Santos Silva, o Silva Pereira, o Campos, a tralha do sótão do Pinto de Sousa de novo no galarim, promessa implícita do II. Imaginem! Que seria de nós? Por isso, e porque, Oco por Oco, antes o que, que se saiba, não traíu ninguém nem tem as toneladas de esqueletos no armário que o outro tanto ama.
No fundo, no fundo, a teoria da conspiração é capaz de estar certa: tudo isto não passa de uma manobra psico-aldrabona destinada a meter na cabeça das pessoas que o próximo primeiro-ministro será do PS. Bem visto. Lavado o cérebro aos eleitores (nós), a decisão será dos “simpatizantes”. Bem visto.
24.9.14
António Borges de Carvalho

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