Há um direito, ou um princípio, mais ou menos universal, que ninguém põe em causa: o direito ao sigilo da correspondência. Entre gente mais ou menos civilizada, a mulher não abre a correspodência do marido, nem o marido a da mulher. Terceiros não mexem naquilo que é de dois.
A universalidade deste princípio anda a ser posta em causa. Por exemplo, o senhor Assanje, pedófilo e violador de menores no parecer dos suecos, que fez da violação de tudo e mais alguma coisa modo de vida, é incensado pela esquerda universal e docemente acolhido por uma embaixada sulamericana.
Os assanjes, violadores de mais coisas além das de que os suecos se queixam, são maus se chatearem ou confundirem os outros, mas óptimos, no parecer da esquerda, se contribuirem para a “transparência” dos feitos de quem lhes não agrada. É uma espécie de censura de pernas para o ar, tão censura como a pior das censuras. Dirá a moderna bempensância que tal gente mais não faz que pôr a nu eventuais impunes malfeitorias. Talvez. Mas, pelo menos outrora, os fins não justificavam os meios.
Sinais dos tempos. Os princípios já não o são. Mas voltam a sê-lo quando convier. Neste caso, até se cria uns novos, se for preciso. Se não perceberam, perguntem ao Tribunal Constitucional
14.11.15

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