A pura aldrabice irrita que se farta. Olhem o que se passa com o novo DS5, invenção da Citroën.
Diz a marca que este carro (não ponho em causa a sua qualidade, que não conheço) é uma recriação do velho DS, correcta e aumentada.
Como antigo apreciador e proprietário de um belíssimo DS, protesto energicamente contra este miserável embuste. Primeiro, porque o primeiro da classe a nascer não foi o DS, mas o ID19, coisa que parece que os novos publicitários desconhecem. Demos isso de barato. O ID e o DS foram, no design e na tecnologia, astronómicos avanços em relação ao seu tempo. O arrojo daquele e as novidades deste não têm paralelo em nenhum outro veículo. O design, sessenta anos depois, ainda não teve paralelo. A tecnologia era espantosa: o volante de um só raio, a suspensão hidropneumática ajustável, o travão de pé sem curso, a ausência de corcunda central, a abolição (anos 60) do pedal de embraiagem, a recuperação eléctrica da direcção, o incrível espaço interior, etc., tudo era novo, funcional, revolucionário, fantástico.
Nada de parecido no novo DS5. Nada, menos ainda a carroceria, se pode considerar herdeiro de tal maravilha. Nada. O novo “DS” será um carro cheio de qualidades e de modernices, mas nada que seja revolucionário, nada que tenha seja o que for que lhe permita assumir-se como continuador do propriamente dito. Nem parente afastado será.
A publicidade, os lançamentos, etc., podem recorrer aos mais rebuscados ardis. Mas, se houvesse decência mercantil, não se usava de tais e tão falsos e tão irritantes argumentos.
14.11.15

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