IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PRESIDENTES DE QUÊ?

Há para aí 20 anos, publiquei um livro (Europa-América) cujo título era “O presidente de nenhum português”.  Reunia uma série de artigos (hoje dir-se-ia pomposamente, ensaios, mas eu não digo), e aquele era o título de um deles.

Defendia eu, e continuo a fazê-lo, que ao PR não compete ser seja de quem for. O PR é da República, não das pessoas, o que, além de justo, é o que diz a Constituição. Mas a demagogia, instaurada por todos os presidentes e aspirantes a tal, habituou-nos a pensar que temos, pessoalmente, um presidente, que será de todos e cada um. No fundo, é o mesmo que dizer que não se é de ninguém. Não faz sentido, mas não interessa.

Na actual campanha, todos os candidatos – à excepção de Ventura, que comete o mesmo erro, mas com excepções – se consideram ou se candidatam a ser presidentes das pessoas. De todos nós.

As pessoas não têm presidentes, quem os tem são as instituições, república incluída. Querer pessoalizar, porventura para, propagandísticamente, inculcar que se é igual para todos, é um erro conceptual e um abuso de direito. Como o erro e o abuso são gerais, os cidadãos tendem a aceitá-los, ou por comodismo ou por se ter tornado verdade, uma vez parlapatado por todos os candidatos e todos os presidentes.

Dirá quem me lê que isto é um preciosismo idiota. Talvez. Mas tenho todo o direito (por enquanto…) a chamar a atenção para o assunto. Aliás, na tão falada Europa, não consta que os presidentes sejam de outra coisa que não as respectivas repúblicas. Até os reis (à excepção do Rei dos Belgas) o são de países, não de pessoas.

Uma coisa é alguém dizer que “este é o meu presidente ou o meu rei”, porque gosta do titular do cargo ou porque, directa ou indirectamente, nele votou. Outra, totalmente diferente, é que sejam tais titulares a arrogar-se essa qualidade.

E pronto, não terá importância de maior, mas aqui ficam os meus pontos nos is.

 

10.1.21    



Uma resposta a “PRESIDENTES DE QUÊ?”

  1. Enão qual é o interesse em haver candidatos de vários grupos de pessoas/classes sociais? Para quê as eleições directas com vários candidatos com ideias diferentes, se quando for eleito as suas ideias não contam pra nada? Para quê criticar o presidente por isto ou aquilo, quando gostamos ou não gostamos, se ele é “apenas” o presidente da república/chefe do estado? Está claro que não é assim, por que ele tem que promulgar as leis do governo ou do parlamento, e pode vetar pois é! E nesse caso é presidente de quem?

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