IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PERCEPÇÕES

Nos tempos da bronca da CGD ficámos a saber que o camarada Centeno era dado a “erros de percepão”. No caso, o erro serviu para disfarçar a montanha de aldrabices com que o dito tinha brindado o pagode. Caso encerrado. A malta, causticada por semanas de mentirolas, acabou por comer daquilo.

Mas os erros de percepção são hábito reiterado do homem dos bilhetes do Benfica. Ontem, numa das suas discursatas, disse que as boas notícias económicas se devem às políticas da geringonça, que “conforme previsto”, tinham aumentado as exportações. O que ele tinha previsto era que o tal relançamento fosse obra do aumento do consumo. Era mentira, como toda a gente sabe. Ou, na centênica linguagem, um erro de percepção.

Os orçamentos do Estado, esses, são um mar de erros de percepção. No tempo do governo legítimo, quando era preciso dinheiro fazia-se um orçamento rectificativo, coisa que a geringonça acha criminosa. Agora, trata-se as necessidades com cativações, com dívidas monumentais à economia e com discursos triunfalistas. Os erros de percepção orçamentais não são objecto de qualquer sombra da famosa “transparência”. São opacos, alteram-se por despacho, não por decisão parlamentar. A malta, essa, já come erros de percepção aos pontapés. Com o hábito, deixou de dar por isso.

Sinais dos tempos, da palavra honrada e da página revirada.

 

8.2.18



3 respostas a “PERCEPÇÕES”

  1. Sr António, ninguém lhe liga!

    1. Ha 30 anos exactamente, em conversa amigável, disse a um amigo político que, sem alteracao da lei eleitoral, nunca se iriam corrigir as orientações que a direita tomava empurrada pelo populismo da esquerda. Estava Cavaco como 1o Ministro e discutia-se a substituição do sistema de capitalização dos descontos para as reformas pelo da redistribuição. Compreendi que perante promessas de dar tudo a todos, sem dinheiro e sem contrapartidas, como faziam os partidos de esquerda aqui e em toda Europa, só era possível à direita ganhar eleições e manter-se no poder se fizesse promessas equivalentes e, quando no poder, distribuísse bastantes « almoços de borla ». A situação hoje piorou. A vocação para a propaganda veiculada pela CS que está resumida à TV em termos de manipulação da opinião é avassaladora. Alguém sabe o que os partidos querem do país? Alguém sabe o que o país quer da Europa? Alguém sabe que jogos de poder se disputam entre os diversos intervenientes no poder?Alguém sabe quais as regras que é obrigado a cumprir que decorrem de directivas de Bruxelas e quais as que decorrem de vontade nacional? Alguém pensa ainda que a nação portuguesa existe quando o simples conceito ou ideia de nação não cabe nos projectos de construção da Europa?Quando se está ocupado com futebol, telenovelas, réality shows ou concursos e a informação mais não é do que uma seleção de factos que alimentam o politicamente correcto, comentados por humanos que, na maioria, funcionam como robots, que se pode esperar que mude com eleições de 4 em 4 anos? Onde só 45% dos eleitores passam um cheque em branco aos chefes dos partidos que vão estar na AR?E os pontos de interrogação continuariam sendo certo que a percepção dos verdadeiros problemas é, na prática, inexistente. E a solução para eles um mistério.

      1. É sempre um prazer ver aqui discutida POLÍTICA, em vez das habituais tricas pulhíticas, do diz-que-disse, dos bons-contra-os-maus, da esquerda-versus-direita e outras fantasias, aqui e ali divertidas, mas invariavelmente estéreis. Eis um problema da democracia: o critério do eleitorado não é racional, não tem memória e não vê além do curto prazo. O eleitor quer mais dinheiro e mais benesses agora. Agorinha já. Logo, distribuir prendas rende votos. Acresce que é facilmente manipulável por slogans ocos, promessas vãs e jornalistas venais. Como resolver isto? Pode-se mudar de regime – desta partidocracia para uma democracia a sério – e de políticos, mas não se pode mudar de eleitorado, tal como uma equipa não pode despedir os jogadores todos. Um país é o seu povo, não há outro, e é este que tem de votar. Pode-se educar e esclarecer as pessoas, pode-se tentar habituá-las a ser mais exigentes e racionais, mas isso leva gerações. Logo, que solução? Será que há alguma?

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