IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PECADOS

 

Ontem, numa das habituais sessões de alta cultura com que, de vez em quando, somos brindados por figuras da nossa intelectualidade (“O eixo do mal”), um feroz senhor de negras barbas leu passagens do programa eleitoral do Chega!, a fim de lançar sobre o dito os habituais epítetos com que a temerosa esquerda o classifica: organização perigosíssima, de carácter fascista, xenófobo, racista e por aí fora.

O mote do barbudo era a ameaça ao Estado democrático que o tal programa representa. Porquê? Porque (nas passagens com que o indignado senhor nos presenteou) o programa aponta para a privatização de tudo e mais alguma coisa, saúde, educação, empresas, meios de comunicação, uma quantidade enorme de serviços e negócios ora na esfera do Estado. Daí a ser de extrema direita nem um pulinho falta, diz o fulano.

O problema é que, em termos europeus, antigos e modernos, nem um só partido de extrema-direita propõe tal coisa, bem pelo contrário. Tais partidos são tão estatistas como os da extrema esquerda, ou quase. Donde a classificação dada ao Chega! com tal argumento pelo ilustre intelectual (ex-BE), não cola. Haverá outros que não este.

Nunca li, nem faço tenções de ler o tal programa, bem como muitos outros. Não sou eleitor do Chega!, nem faço tenções de o vir a ser. Mas acho graça ao cagaço que a coisa prega à nacional-esquerda. Vale tudo, até esta história do lobo e do cordeiro. Tudo, mas tudo o que não estiver de acordo com a “agenda da correcção” é, pelo menos, fascista, até quando faz propostas ao contrário das da extrema-direita! Aceite-se o exagero das intenções do doutor Ventura citadas pelo barbaças, mas não se confunda os ouvintes com razões a contrario sensu.

Haverá, no entanto, que dar um desconto a esta gente. A verdade é que, para ela, o Estado é a sociedade e as pessoas não passam de peões nos seus jogos de poder. Tudo o que toque a fímbria das vestes do “colectivo” é, por natureza, pecaminoso. E o pecado não se aceita, castiga-se!

 

29.11.19



4 respostas a “PECADOS”

  1. O NEOCAPITALISMO É A FILOSOFIA DO GANHAR, DE QUALQUER JEITO. A CRENÇA DE, DOS VÍCIOS PRIVADOS EMANAREM VIRTUDES PÚBLICAS. A PREGAÇÃO DA COMPETIÇÃO DA SELVA. O SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA FRUSTRAÇÃO.

  2. Barbudo, gordo e anafado a papar do bom e do melhor, só pode ser azeitoneiro e ceboso

    1. Este Barbaças é a cara chapada do pai (o célebre poeta Herberto Helder). Mas… ficou-se pela cara, porque aquela cabecinha… degenerou!!

  3. “O programa aponta para a privatização de tudo e mais alguma coisa, saúde, educação, empresas, meios de comunicação, uma quantidade enorme de serviços e negócios ora na esfera do Estado.” Tal como o Irritado diz, isto é o oposto da chamada extrema-direita; o barbudo meteu os pés pelas mãos. Mas é realmente de direita e é realmente extremo. Será apenas um extremo diferente. “Tudo o que toque a fímbria das vestes do ‘colectivo’ é, por natureza, pecaminoso.” Não diria pecaminoso, até porque o pecado é uma invenção religiosa que qualquer pessoa avessa a fantasias degeneradas e caquéticas deve rejeitar. Mas ir contra o colectivo é ir contra o bem comum; é realmente algo nocivo. Cada pessoa sabe de si, mas qualquer sociedade deve zelar pelo bem comum. Como não?

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