Segundo o próprio afirmou, é seu hábito, em manifestações e comícios, andar a apanhar papéis, cartazes, tichartes e outros produtos deixados no chão pela maralha. Sinal claro, diga-se, da utilidade social e política desse monstro intelectual chamado Pacheco Pereira. O heróico navegante das mais chilras água da política, nacional e não só, foi chamado pela televisão pública para apresentar os seus preciosos arquivos de autocolantes, pins, panfletos, “pichagens”, boinas do Che e outros produtos populares, coisas de que, diz, tem armários e armários cheios lá em casa. Parece que publicou uns livrinos dedicados a tais e tão interessantes conteúdos. Propõe a sua exegese, condição indispensável para quem quiser fazer “história”. E precisa vender os livrinhos, como é natural. A preciosa e prestimosa RTP está, como é de timbre, atenta às necessidades do fulano
Compreenda-se. O absurdo estatal chamado RTP acha-se o lugar ideal para oferecer um bom quarto de hora em horário nobre ao marquetingue do Pacheco. Até aí, tudo benzinho: trata-se de obra social destinada a dar-lhe algum a ganhar. Antes isto que a técnica de vendas do livro do Pinto de Sousa, mais eficaz mas só para milionários.
Nada benzinho é que, feita, pro bono, a propaganda das pachecais edições, se tenha passado a um interminável comício político em que o vendedor de papéis velhos teve oportunidade de espraiar as suas conhecidas opiniões, os seus odiozionhos serrubecos, as suas vingançazinhas de carroceiro intelectual.
Tal como o IRRITADO, a seu tempo, teve ocasião de dizer, não é por acaso que a RTP deu guarida a uns “independentes”, entre os quais a dona Ana Lourenço, figura grada e inconfessa da central de publicidade da geringonça.
A tradição, interrompida durante os anos do governo anterior, foi repescada: a TV pública é a TV do governo, e o resto é conversa.
4.5.16

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