À excepção da intolerável Catarina, ainda ninguém conseguiu perceber nada da confusão que o Crato arranjou com a história do inglês na primária. A rapariga descobriu que tudo não passou de manobra eleitoralista: o homem dizia que ia deixar de haver inglês, punha tudo à bulha, depois voltava atrás, como voltou, para dar um ar de generosidade, muito conveniente em período eleitoral.
O IRRITADO, como é evidente, não come mais esta preclara declaração da fulana, a qual, quiçá farta de enrolar e desenrolar a mesma cassete, para trás e para diante, para cima e para baixo, teve a alta inspiração de dizer uma coisa nova.
Mas, verdade seja dita, não encontra explicação para as atrapalhções ministeriais. Diga-se que foi tentado a entender a primeira atitude.
Sendo o tal inglês, desde sempre, uma actividade extra-curricular (AEC), é evidente que era desejável mas não obrigatório. Se não era obrigatório, para quê declarar que deixava de ser o que nunca tinha sido? Por outro lado, tratando-se de desejável opção de cada escola, inseria-se na tal autonomia de que toda a gente fala mas que, no fundo, ninguém quer. A “cobertura” do Estado para tudo e mais alguma coisa é um dos mais entranhados vícios dos portugueses.
Acresce que, sendo extra-curricular, o seu ensino deve ser assumido pela direcção e pelos professores da escola, sem precisar de contratações extra. A não ser – é uma dúvida que não tinha ocorrido ao IRRITADO – que os professores primários não saibam o suficiente para ensinar às criancinhas os mais elementares rudimentos da língua inglesa, dentro ou fora do seu horário normal, talvez perdendo de vez em quando dez minutos de aula com a matéria.
Aceitável que fosse a explicação acima, como se explica que o ministro Crato não a tenha referido, em vez de vir argumentar de forma quase patética, afirmando ou que voltou a trás sem voltar atrás ou que nunca tinha querido dizer o que parece que disse? Não é próprio de um ministro, ainda menos de um matemático.
Pena é que a argumentação da dona Catarina não colha, como jamais colhe qualquer explicação com tal proveniência. Ainda é mais pena que as explicações do ministro valham quase o mesmo.
Como qualquer pessoa de recta intenção bem percebe, bem no fundo, trata-se de um falso problema. O que, evidentemente, não justifica, nem que o ministro meta os pés pelas mãos, nem o inacreditável alarido que a coisa vem levantando.
24.9.13
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário