O PC foi uma organização clandestina, ferozmente perseguida pela II República. Muitos dos seus militantes sofreram torturas, espancamentos, prisão, degredo. A cada um que sofreu é devido respeito.
Hoje em total liberdade, o PC considera ter andado, naquele tempo, a defender a Liberdade. Se é verdade que os que sofreram, sofreram, não é menos verdade que nunca, nem naquele tempo nem hoje em dia, o PC se bateu fosse por que Liberdade fosse. Usa-a, mas nunca foi, nem é, adepto dela. Tanto durante a clandestinidade como até muitos anos depois, o PC foi o fiel seguidor da mais terrível ditadura da que há memória, só comparável, nos seus horrores, ao nazismo, mas com a “vantagem” de ter durado muito mais. A URSS foi a sua entidade financiadora, a sua dona política, a sua mentora espiritual, o seu guia, o seu patrão.
Deixou de haver URSS lá pelas rússias, deixou de haver II República por cá. Mas enquanto, em Portugal, as pessoas passam a vida a denunciar a II República, o PC não moveu um milímetro na sua postura. Já não tem “pátria soviética” para louvar (onde e quando pode, ainda louva) mas continua a apoiar toda e qualquer ditadura socialista, ao ponto de se rever na Coreia do Norte, na Venezuela, em Cuba, e em tudo oque lhe cheire a tirania comunista. Nunca fez contrição alguma, nunca apontou o dedo a nada que fosse “da família”.
Dito de outra forma, se há alguma coisa com que o PC nada tem a ver, é ela a Liberdade. E não há nada mais inadequado para a amar que o PC.
Então, com que direito vem propor a proibição de um museu dedicado à II República? Com o “direito” que lhe é conferido pela história, alimentada esta por “historiadores” do calibre de um Boaventura, de um Rosas ou de um Tavares. Pode perceber-se que o museu dito de Salazar não seja um santuário dos saudosistas da sua (dele) república. Mas é a todos os títulos inaceitável que se use todos os meios para evitar que aqueles tempos sofram a agressão “histórica” do degredo, como se nunca tivessem existido.
Até certo ponto, percebe-se o desagrado do PC, e até dos “intelectuais” do BE. O que já se não pode aceitar é a cumplicidade do PS, que é um atentado à cultura de uma inominável cobardia. O PS, herdeiro maçónico e jacobino do mais colonialista de todos os regimes (a I República) é capaz de dizer cobras e lagartos da II, que, neste particular, deu o litro para defender a herança dos seus, dele, PS, maiores. Ao ponto de se opor a que a história , tal como existiu, seja objecto de um museu. Mas, na hora “certa” votou com o PC.
Pior foi a abstenção do PSD e do CDS. Esta não merece comentários, é rasca demais. Mesmo no período mais negro da sua história, estes partidos podiamao menos, ser honrados. Mas isso de honra foi chão que deu uvas.
12.9.19

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