IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


OS MAUS E OS PÉSSIMOS

 

O PC foi uma organização clandestina, ferozmente perseguida pela II República. Muitos dos seus militantes sofreram torturas, espancamentos, prisão, degredo. A cada um que sofreu é devido respeito.

Hoje em total liberdade, o PC considera ter andado, naquele tempo, a defender a Liberdade. Se é verdade que os que sofreram, sofreram, não é menos verdade que nunca, nem naquele tempo nem hoje em dia, o PC se bateu fosse por que Liberdade fosse. Usa-a, mas nunca foi, nem é, adepto dela. Tanto durante a clandestinidade como até muitos anos depois, o PC foi o fiel seguidor da mais terrível ditadura da que há memória, só comparável, nos seus horrores, ao nazismo, mas com a “vantagem” de ter durado muito mais. A URSS foi a sua entidade financiadora, a sua dona política, a sua mentora espiritual, o seu guia, o seu patrão.

Deixou de haver URSS lá pelas rússias, deixou de haver II República por cá. Mas enquanto, em Portugal, as pessoas passam a vida a denunciar a II República, o PC não moveu um milímetro na sua postura. Já não tem “pátria soviética” para louvar (onde e quando pode, ainda louva) mas continua a apoiar toda e qualquer ditadura socialista, ao ponto de se rever na Coreia do Norte, na Venezuela, em Cuba, e em tudo oque lhe cheire a tirania comunista. Nunca fez contrição alguma, nunca apontou o dedo a nada que fosse “da família”.

Dito de outra forma, se há alguma coisa com que o PC nada tem a ver, é ela a Liberdade. E não há nada mais inadequado para a amar que o PC.

Então, com que direito vem propor a proibição de um museu dedicado à II República? Com o “direito” que lhe é conferido pela história, alimentada esta por “historiadores” do calibre de um Boaventura, de um Rosas ou de um Tavares. Pode perceber-se que o museu dito de Salazar não seja um santuário dos saudosistas da sua (dele) república. Mas é a todos os títulos inaceitável que se use todos os meios para evitar que aqueles tempos sofram a agressão “histórica” do degredo, como se nunca tivessem existido.

Até certo ponto, percebe-se o desagrado do PC, e até dos “intelectuais” do BE. O que já se não pode aceitar é a cumplicidade do PS, que é um atentado à cultura de uma inominável cobardia. O PS, herdeiro maçónico e jacobino do mais colonialista de todos os regimes (a I República) é capaz de dizer cobras e lagartos da II, que, neste particular, deu o litro para defender a herança dos seus, dele, PS, maiores. Ao ponto de se opor a que a história , tal como existiu, seja objecto de um museu. Mas, na hora “certa” votou com o PC.

Pior foi a abstenção do PSD e do CDS. Esta não merece comentários, é rasca demais. Mesmo no período mais negro da sua história, estes partidos podiamao menos, ser honrados. Mas isso de honra foi chão que deu uvas.  

 

12.9.19



4 respostas a “OS MAUS E OS PÉSSIMOS”

  1. De facto, o PC defende essencialmente uma liberdade: a de fazer o que o partido manda. Creio já não ser novidade que o comunismo, nas suas várias iterações, da URSS à Coreia do Norte, é na prática como uma religião. É dogmático, autoritário, exige pureza e lealdade absoluta à sua ortodoxia, e um fervor na sua implementação que só tem paralelo nas cruzadas e jihads religiosas. Daí, também, a sua hostilidade natural à religião: não admite concorrência. Claro que pouco ou nada disto tem a ver com Marx, um visionário que compreendeu a economia e a sociedade à frente do seu tempo, ou com o ideal socialista de uma sociedade mais justa, gerida por todos e não por uma ínfima minoria. E claro que o Irritado confunde as duas coisas, não por ignorância, mas porque dá jeito. O inimigo é a ‘esquerda’, tout court, e qualquer nuance só traria chatices escusadas. Direita boa, esquerda má, está dita a missa.

    1. Que bela oportunidade perdida para “não espalhar” a sua animosidade ao Irritado que só disse verdades, exactamente as que papagueou mas por outras palavras e, quanto a marx NEM SE REFERIU. Já quanto à Esquerda ser má e a Direita boa, eu só li «Pior foi a abstenção do PSD e do CDS. Esta não merece comentários, é rasca demais. Mesmo no período mais negro da sua história estes partidos podiam, ao menos, ser honrados. Mas isso de honra foi chão que deu uvas.» Não consegui entender onde é que isto quer dizer que a Direita é boa!!! Oh «seu» Filipe Bastos, a quem é que deu jeito revelar ignorância na INIMIZADE PELO IRRITADO? Aceite, se quiser, este conselho: não perca tanto tempo a revelar a sua notória FALTA de ISENÇÃO… Carlos Varanda<varanda.carlos@gmail.com>

      1. Não entendi muito bem a sua diatribe; tento ser isento, mas aqui ajo também como contrapeso: cabe-me malhar na direita, pois na esquerda já malha o Irritado, com grande competência. Mas aceito a crítica, deve ter razão.

  2. Permita-me trazer mais alguma chuva à sua parada. Os regimes ditos comunistas mataram milhões (embora bem menos, certamente, do que a religião ao longo dos tempos); então e o capitalismo? Estima-se que todos os anos morrem 20 milhões de pessoas, parte delas em países desenvolvidos, devido a fome, falta de água, pobreza e doenças que são curáveis. 20 milhões. Por ano. Isto não é atribuível ao capitalismo? Intervenções directas dos EUA desde a II Guerra – Afeganistão, Cambodja, Coreia, Cuba, Guatemala, Haiti, Iraque, Nicarágua, Laos, Panamá, Paquistão, Rep. Dominicana, Sri Lanka, Vietname, entre outras – mataram outros 20 milhões, por baixo, fora incontáveis baixas causadas pelas políticas americanas, ditadores instalados, terroristas treinados, etc. Depois há a dualidade de critérios. Por exemplo, todos sabem das atrocidades do Khmer Rouge no Cambodja. Mas quantos do massacre na Indonésia dez anos antes, onde morreu talvez tanta gente como no regime de Pol Pot? Um massacre apoiado pela CIA e pelos EUA, que chegou a fornecer listas de alvos aos esquadrões da morte? Tudo para instalar o Suharto, cuja “Nova Ordem”, com a benção de Washington, o manteve no poder durante 30 anos, e o tornou no maior corrupto da História – um feito difícil – com uma fortuna de dezenas de biliões (americanos). Ou o seu herói Churchill, que cita com orgulho no topo do blog, e que oprimiu milhares na Irlanda, bombardeou e incendiou centenas de milhares – civis, mulheres, crianças – na Alemanha, e ajudou a matar à fome milhões na Índia? Ah, foi por uma boa causa? É realpolitik? Pois, os nazis diziam o mesmo. Os comunistas também.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *