IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


OS ESTAPAFÚRDIOS

 

Ao ver e ouvir as insistentes, continuadas e estapafúrdias diatribes contra o discurso do PR, o IRRITADO não pode deixar de voltar ao assunto.

 

Para que serve, afinal, o PR? Ninguém sabe. Como ninguém sabe, vale tudo. O PR serve para apoiar a oposição quando diz coisas de que a oposição gosta. Serve para apoiar o governo quando diz coisas que agradam ao governo. Serve para levar na cabeça quando não diz nada. Serve para levar na cabeça quando diz seja o que for. Se se cala é porque se cala, se fala é porque fala, dependendo de a quem serve o silêncio ou o barulho.

O actual Presidente tem tido a infeliz ideia de dar umas no cravo outras na ferradura, além de uma triste tendência para meter os pés pelas mãos de vez em quando e de uma irresistível vontade de se meter onde não é chamado. Com isto aliado à estupidez constitucional do seu cargo, tudo fica mais difícil, para ele e para nós. Ao menos, diga-se, não é golpista como seu miserável antecessor.

 

Esta estapafúrdia coisa do semi-presidencialismo à portuguesa não tem nada de semelhante em qualquer país civilizado de aquém ou além-mar. É, aliás, único no mundo. Em França, o governo é o governo do presidente, mesmo que seja contra o presidente. O senhor Obama, nos EUA, a dona Grelma no Brasil, e tantos outros, são os chefes do governo. Na Europa monárquica, o Rei tem o “seu” governo porque, enquanto máximo representante da Nação, tem o governo que o seu povo escolheu. No resto da Europa Ocidental, os Presidentes são meros e preciosos representantes protocolares do país, só entrando em “acção” em casos de guerra ou crise extrema, como sucede agora em Itália. Em Portugal, o Presidente não é carne nem peixe: é uma coisa que uns burríssimos e estapafúrdios intérpretes das teorias de um senhor que se chamava (ou chama?) Maurice Duverger arranjaram e apimentaram com socialismo a rodos.

Fora daqui, o Presidente é respeitado por todos, todos se levantam quando ele aparece, todos o aplaudem, porque, gostem ou não de quem preside, sabem distinguir o seu representante das guerras políticas em que andam. É ver Obama, por exemplo, envolvido em terríveis polémicas com a oposição, ser aplaudido por unanimidade do Congresso sem distinção de partidos.  É que os americanos, como a generalidade dos europeus, aprenderam com os ingleses que uma coisa são os políticos, outra a Nação, ainda que no seu caso, o Presidente vista os dois casacos. Mas nós, por via constitucional (leiam!) deixámos de ser Nação, passámos a ser só República. E que república!

 

Impera entre nós a mais estapafúrdia das confusões. Ao ponto de, quando o Presidente, quiçá pela primeira vez, se limita a cumprir a tal Constituição de que tantos gostam quando lhes faz jeito, isto é, quando diz umas coisas perfeitamente inócuas e evidentes quanto à situação do país e declara, como lhe compete, que precisamos de estabilidade, que deveria haver um desígnio generalizado para cooperar numa estratégia de futuro, eis que a oposição minoritária, não só não o aplaude como nega, implícita e explicitamente, qualquer intenção de cooperar seja no que for e seja com quem for. Fazê-lo não é só estapafúrdio, é estúpido e perverso.

 

A oposição acha, agora, há “uma maioria, um governo, um Presidente”. Não há, é uma pena, mas enfim. Na cabeça dos estapafúrdios, tal é uma desgraça. Mas, simultaneamente, como já vi e li, “uma maioria, um governo e um presidente… do 25 de Abril” seria porreiro! Fica provado que, como o IRRITADO sempre disse, o 25 de Abril dos estapafúrdios não foi democrático, foi socialista: destinava-se a, para por todo o sempre, nos dar uma obrigatoriedade socialista no meio de uma “atmosfera” democrática. Ainda não perceberam que o 25 foi há quarenta anos e que muita água passou, entretanto, por baixo das pontes.

 

O risco de cairmos nas mãos de gente desta é de tal maneira assustador que o IRRITADO não tem palavras para o descrever.

 

28.4.13

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “OS ESTAPAFÚRDIOS”

  1. Não é preciso ser monárquico, como o Irritado, para saber que o PR não passa de um ornamento (muito) caro desta “democracia” tuga. No site da Presidência – http://presidencia.pt/?idc=1 – listam-se os seus vários poderes e funções. Em teoria, é um misto de moderador suprapartidário, representante formal do país, e válvula de segurança do regime. Isto em teoria. Na prática, corta fitas, pendura medalhas, manda recadinhos, e passeia à conta. E se isto já tende a assim pela natureza do cargo, é-o duplamente devido à classe política que temos: do turista Soares à múmia actual, passando pelo medíocre Sampaio, a PR tornou-se um desfile deprimente de figuras “históricas” da pulhítica pós-25 Abril. Ou seja, em vez de um representante que podia e devia distinguir-se da canalha partidária, actuando como fiscalizador efectivo da sua (in)actividade, a PR é um mero tacho honorífico para veteranos do Centrão.

  2. No entanto, isto (acima) nem é o que mais me deprime. O mais deprimente, e absurdo, é o frenesim generalizado sempre que um PR bota discurso – sobretudo o PR actual. Nas horas, dias, até semanas que se seguem, não há cão ou gato que não disseque cada frase, cada palavra, cada silêncio, cada mensagem subliminar do cavacal discurso. Algum visitante estrangeiro que assista ao fenómeno, pensará que o nosso PR (até pela sua aparência e estilo mumificado) é uma espécie de Oráculo de Delfos, fonte inesgotável de revelações fascinantes. A verdade, porém, é que a Múmia Cavaca não diz PORRA NENHUMA que se aproveite; nunca disse enquanto PM, não diz agora como PR, e nunca dirá ainda que viva 500 anos. Banalidades, recadinhos pedestres, e presunção parola. Nada mais. —————- Porquê então tanta análise, e tanta excitação? Porque esta Partidocracia é uma palhaçada; e porque todos – políticos e “analistas” – fazem parte do mesmo circo. É como no futebol: antes e depois dos jogos fazem sempre umas entrevistas aos jogadores, que dizem sempre o mesmo – “vão trabalhar para merecer a confiança do mister”, “o importante é o próximo jogo”, etc. O jornalista nunca diz ao jogador: “desculpe lá, mas isso é de uma banalidade atroz!”. Ficaria sem nada para publicar, e sem emprego. Assim é na política: a tenda está montada, o público está à espera, logo tem de haver circo. Mesmo que, bem espremido, o conteúdo dos discursos e dos sound bites não valha uma poia de gato. Só não entendo porque o Irritado, que é o primeiro a desvalorizar a função de PR em Portugal, acaba por valorizar o que o PR diz ou deixa de dizer…

    1. Eu explico: acho que, desta vez, o PR fez um discurso institucional. Ou seja, não atacou o seu governo, que é o legítimo governo da Nação, disse que o mandato é para se cumprir, que, dada a situação, devia haver colaboração alargada. Fez um discurso de PR, não uma sessão de doutrina política ou de recadinhos. Quando o Seguro fizer alguma coisa de jeito, verá que o irritado não deixará de o reconhecer.

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Ou seja, o Irritado insiste nos “formalismos”. Eu explico: a utilidade do PR, a haver alguma, não é fazer «discursos institucionais», ou manter tudo na mesma, tudo direitinho e laranja e tal. A utilidade do PR, a haver alguma, e «dada a situação», é assumir que a situação é uma MERDA – e contribuir activamente para mudá-la. É dizer que os culpados têm de ser responsabilizados, (já agora) admitindo as suas responsabilidades cavacais, é dizer que o caminho actual pode ter mantido as aparências mas apenas aumentou o nosso buraco, é dizer que assim não vamos sair dele, e propor acções concretas, não apenas mais recadinhos parolos e narcisistas. E é fazer: fazer por mudar as leis que mantêm esta IMPUNIDADE, vetar – dentro dos seus limitados poderes, e à parte do Tribunal Chulo-Constitucional – tudo o que seja saquear os contribuintes enquanto os mamões permanecem intocados, e também passar a mamar menos, para dar o exemplo. ———————– A Múmia Cavaca não faz nada disto, e jamais fará. Mas é muito formalista, lá isso é. Quanto ao «legítimo governo da Nação», lembro-lhe que o anterior governo também era legítimo, foi eleito e REELEITO “democraticamente”. E o Irritado, e eu, achávamos que devia ser derrubado. Porque mentiu, porque estava corrompido, porque era ruinoso, porque só representava carneiros acéfalos e interesses alheios ao país. É uma questão de coerência, está a ver?

  3. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Cavaco não é golpista?É mais do que isso,é um safado cinico.Chede da camorra laranja.Aquela canalhice que ele armou das escutas,se não é um golpe rasteiro,não sei o que seja!!!

    1. tecelao versus irritado!aí está a “má moeda”!!!

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