IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


OS ENGANADORES

O homenzinho do Facebook proibiu as informações sobre o vírus na sua rede, remetendo quem as procura para sites oficiais e/ou científicos. Não se pode censurar esta censura global. No entanto, é interessante verificar que o homem, implicitamente, reconhece que o seu produto, como os do mesmo género – as chamadas redes sociais – são fábricas de mentiras, de desinformação, de manobras ilegítimas, etc., centros de irresponsabilidade, de anonimato, de engano gratuito e totalmente descontrolado.

Na informação dita “tradicional”, sabe-se quem escreve o quê, quem diz o quê. Os enganados, os perseguidos, os socialmente violados, as vítimas de notícias falsas, têm meios de defesa que, funcionando ou não a contento, lá estão à disposição de cada um. Na Net é o contrário. Podemos dizer o que nos vier à cabeça, doa a quem doer, enganando quem nos apetecer enganar.

Reconheço que, se calhar, não há nada a fazer. Os Zukerbergs & companhia têm negócios multimilionários. Não são ataquinhos de consciência como o que acima refiro que os ilibam de ter criado e explorar os seus inferninhos comunicacionais. Ao menos, podia obrigar-se quem desinforma a identificar-se de forma clara e iniludível. Como fazê-lo não sei, mas tenho a certeza de que tal está ao alcance das tecnologias que são a especialidade dos Zukerbergs e do poder de quem manda nesta coisa em que o mundo se transformou.

 

17.3.20                                                                                                              



6 respostas a “OS ENGANADORES”

  1. É fácil usar um nome falso no Facebook, mas pelo menos tem de dar um nome. E maioria das contas, em princípio, devem ser reais. Sabe-se de quem são. Em blogs e sites nem isso: o anonimato é ainda maior. Por exemplo, quando comecei a frequentar (salvo seja) o Irritado não sabia quem v. era, só soube depois. Qual a diferença? Nenhuma. Na internet isso nunca foi um problema. Se amanhã vier a descobrir que nos andou a enganar, que não foi deputado, não escreveu livros, chama-se Horácio Boavida e repara arcas congeladoras no Cabeção, qual a diferença? Nenhuma. Continuarei a gostar de o ler. Quem usa a internet +- desde o início – no meu caso, 94/95 – sabe que grande parte da internet sempre foi treta. Isto sim, pode dizer-se com propriedade, é a natureza humana. Mamocas, jogos, piadas, engatanço, falatório, treta. Claro que é uma ferramenta bestial, também usada para fins profissionais, educativos, nobres, muitas vezes desinteressados. Encontra-se gente e coisas do melhor. Mas isso talvez seja, com sorte, 5%. O resto é treta. Quem se deixa enganar? Só quem quer. Se não for na internet será noutro lado qualquer. As redes ditas sociais são realmente um cancro civilizacional, mas não vejo como mudá-las sem mudar – lá vem a vaca fria – o seu capitalismo. Essa responsabilização permanente com que o Irritado sonha talvez seja possível, mas, para mim, não é desejável. Aqui sou eu a dizer que exagera; que quer criar campos de concentração onde há ainda alguma liberdade.

    1. V. se calhar tem, no geral, razão. Eu é que tenho dificuldades de adaptação. Por isso, agradeço o comentário. Só no fim, como de costume, discordo. Ninguém inventou o capitalismo, o capitalismo é a vida, como diria J.F. Revel. Tem os defeitos que se sabe, mas só acaba quando a humanidade acabar.

  2. O Irritado tão preocupado estava no outro dia com a sua privacidade mas lá está mais uma pequena facada na sua privacidade agora pelas mãos do seu compincha. Sim, o Irritado preocupe-se com os ataques à privacidade do Google, Facebook… Mas vamos ao que realmente interessa. «remetendo quem as procura para sites oficiais e/ou científicos. Não se pode censurar esta censura global. No entanto, é interessante verificar que» Fica-se sem perceber (ou fico eu) se o Irritado está a concordar com o “homenzinho do Facebook” ao afirmar que “Não se pode censurar esta censura global.” ou se está a tentar ironizar. Dado o que vem atrás e o que imediatamente se segue a essa frase e à própria frase terminar num simples ponto final fica a ideia de que afinal o Irritado concorda com o “homenzinho” e as suas censuras. Muito estranho esta sua atitude perante a censura pelo que me fico apenas na esperança de que se tenha exprimido mal mesmo tendo o Irritado dito mais abaixo que “Não são ataquinhos de consciência como o que acima refiro que os ilibam” Do meu modesto ponto de vista como apenas mais um anónimo entre tantos outros, censura é censura venha ela de onde vier e seja por que razão for. E ainda acrescento: mais perigosos do que aqueles que transmitem informações falsas são aqueles que nos tentam proteger dessas informações. Pelos vistos, Irritado agora incluído! Mais uma vez para ficar bem assente: mais perigosos do que aqueles que transmitem informações falsas são aqueles que nos tentam proteger dessas informações. «Na informação dita “tradicional” (…) as vítimas de notícias falsas, têm meios de defesa que, funcionando ou não a contento, lá estão à disposição de cada um.» “funcionando ou não a contento”… parece-me que não funcionando a contento é como se nem existissem. «Ao menos, podia obrigar-se quem desinforma a identificar-se de forma clara e iniludível.» Confesso-me desiludido por verificar que o Irritado também tem tiques desses. Essa frase do Irritado faz-me lembrar um excelente filme que vi há apenas algumas semanas: Sozinhos em Berlim https://www.imdb.com/video/vi4124030489?playlistId=tt3026488&ref_=tt_ov_vi Do ponto de vista do regime nazi, o casal https://en.wikipedia.org/wiki/Otto_and_Elise_Hampeltambém estava a desinformar com os seus postais. Tiveram a guilhotina como destino após terem sido identificados, Vá, só mais uma última vez: mais perigosos do que aqueles que transmitem informações falsas são aqueles que nos tentam proteger dessas informações.

    1. No geral, touché. Na conclusão, de acordo. Mas não posso deixar de ver a “inquietação” do homenzinho com alguma simpatia, ainda que, concedo, talvez mal interpretada. Em relação ao anonimato, não cedo nem concedo.

      1. «Mas não posso deixar de ver a “inquietação” do homenzinho com alguma simpatia» Que “inquietação”? Pelas alegadas informações falsas que se propôs eliminar? Terei eu compreendido bem o que aí diz? Custa a crer estar eu aqui a argumentar contra o Irritado logo em assuntos desta natureza. «ainda que, concedo, talvez mal interpretada.» Também não sei se percebi esse “talvez”. Receia ter interpretado mal a “inquietação” do “homenzinho”? Que diferença é que isso faz? Que diferença faz se o Irritado percebeu ou não essa “inquietação”. A acção do “homemzinho” está feita, a proibição está em vigor e o Irritado ao ainda afirmar “ver a “inquietação” do homenzinho com alguma simpatia” parece estar, novamente e com alguma subtileza, a aprovar a proibição de certos conteúdos.https://observador.pt/2020/03/17/facebook-elimina-da-plataforma-qualquer-anuncio-ou-publicidade-relativa-a-covid-19/ É como aquela outra questão de haver pessoas que não acreditam no uso de vacinas… vamos censurá-las na Net e permitir que encontrem outros modos de espalhar a sua mensagem? Ou vamos aproveitar a oportunidade e rebater publicamente os seus argumentos? Não compreendo como é que (se bem compreendi as suas palavras) considera a censura do “homemzinho” aceitável. Só posso estar a ver mal pois se o Irritado já se opôs antes à censura como pode agora apoiá-la? Não posso deixar de me perguntar se agora é esta uma convicção sua ou se é, por no momento, se encontrar num grupo de risco. O Irritado, por exemplo aqui https://irritado.blogs.sapo.pt/quanto-mais-falas-mais-te-enterras-896607opôs-se com entusiasmo à censura praticada pelo que sabe então que não podemos fazer depender do conteúdo a publicação de um texto. Texto, conferência, seja o que for. A fazê-lo voltaríamos assim à velha questão: quem decide o que é aceitável e o que é merecedor de censura? Por esse mesmo tópico «QUANTO MAIS FALAS MAIS TE ENTERRAS», o Irritado tem de saber também que é igualmente inaceitável fazer depender da moral vigente publicações de textos (ou conferências). (No caso de Elise e Otto Hampel foram os nazis a decidir de acordo com a moral vigente e com consequências fatais o que era ou não aceitável.) Este é um assunto importante, até mesmo para Portugal, pois há, infelizmente, até no nosso país muita gente que não tem problemas em conviver com a censura, simpatiza mesmo com a censura (desde que não sejam eles os censurados) e há até quem faça dela um instrumento de trabalho inclusive na informação “tradicional”. Tenho isto como uma questão de mentalidade que devia ser combatida e não reforçada pois não existe censura má e censura boa. É toda má mesmo a que aparenta ser feita com alegadas boas intenções. Não podemos pensar que determinada censura é boa e de maneira nenhuma nos devemos deixar habituar à censura pois tal pode tornar-se extremamente perigoso. «Em relação ao anonimato, não cedo nem concedo.» O anonimato anda de mãos dadas com a privacidade. Se o Irritado preza a sua privacidade então não devia ter problemas com o anonimato dos outros já que o anonimato é a melhor garantia de privacidade… e frequentemente de segurança. Não é apenas uma questão de qualquer um de nós poder ser discriminado pelas suas ideias quando se identifica naquilo que faz ou diz por essa Internet fora tal como na história do empregador à procura de um trabalhador qualificado e que, após reduzir os candidatos a 2 ou 3 com currículos muito semelhantes, decide colocar os seus nomes num motor de busca e decidir quem contrata de acordo com o que encontra de cada um. É também uma questão de haver quem seja perseguido pelas suas ideias (comum cidadão incluído). Talvez não em Portugal mas certamente por esse mundo fora. Aliás, em certos países, esta perseguição é um dado adquirido. E ainda temos a questão do “bullying” demasiadas vezes praticado através da Internet a pessoas de todas as idades. Poderá dizer que quem pratica o “bullying” já não o praticaria se fosse obrigado a identificar-se mas a realidade não é assim tão simples. Temos de ser nós a proteger-nos.

      2. (continuação…) Por alguma razão eu e outros comentamos, até aqui neste seu blogue aparentemente inofensivo, “assinando” com um qualquer pseudónimo inventado no momento! Diz o Irritado que não cede nem concede em relação ao anonimato mas, pelo menos aqui no seu blogue, cede e concede e faz muito bem. É a propósito do negócio do “homemzinho” que afirma não ceder nem conceder… isto por causa de certas informações alegadamente falsas que por lá publicaram. Mas atente: são informações que nós nunca teremos oportunidade de ler e ajuizar por nós próprios. E mesmo sendo realmente falsas não há qualquer garantia de que não cheguem por outras vias a pessoas menos informadas ou, por alguma razão, mais susceptíveis mas agora sem qualquer contraditório. Informação proveniente de anónimos não deixa de ser informação e haverá atitude mais perigosa para a nossa liberdade do que esconderem-nos informação limitando-a ao que uns poucos acham correcto? O Irritado, quero eu acreditar, já saberá disto tudo… esqueceu-se?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *