IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O QUE SE SABE

 

O IRRITADO é, rigorosamente (como diria o Crespo), incompetente em matéria económica, seja ela micro ou macro.

Assim, vistas as coisas por um ignorante, dá ideia que duas linhas de pensamento de confrontam em Portugal. Uma, acha que a austeridade deve ser violenta, para que dure menos, outra que deve ser leve, e mais longa. Como nos tratamentos para emagrecer. Uns acham que se deve enveredar por uma dieta de choque e umas drogas, até estabilizar e poder recuperar um bocadinho. Outros defendem que, step by step, se deve ir alterando os hábitos alimentares, até obter resultados. Como diria a magra Drª Jonet, passar já do bife com batatas fritas para o chispe com feijão branco ou, nas sábias palavras da gorda Drª Isabel do Carmo, continuar com umas bifalhadas, ainda que menos vezes.


Hemos de convir que,com razão ou sem ela, defender o alívio imediato da austeridade, bem como a intocabilidade de todas as contribuições do Estado para a felicidade do povo, é fácil, compensa, tem efeitos nas sondagens. À la limite dará resultado? Ninguém sabe.

Insistir no contrário é doloroso para quem insiste e para quem é insistido. Não é fácil, não compensa, vê-se nas sondagens. À la limite dará resultado? Ninguém sabe.


Mas há coisas que se sabe.

Antes de mais, sabe-se que os resultados não dependem, nem só nem principalmente, de quem nos governa.

Sabe-se que o tão desejado aumento das exportações dificilmente se compagina com a crise europeia, ainda menos com greves de privilegiados como os estivadores, gente para quem a Pátria se resume ao Cristianao Ronaldo, não merecendo outra consideração.

Sabe-se que isso de renegociar condições com os credores não é coisa que se possa fazer às claras. Ainda menos se pode anunciar que se está a pressionar neste ou naquele sentido. É um trabalho de sapa, que só se revela quando conseguido, sob pena de dar cabo do negócio. Foi o que aconteceu com aquele ano a mais que, para bem ou para mal, nos foi “concedido”.

Sabe-se que o coro universal sobre a intocabilidade do Estado Social – ainda por cima confundindo este com a democracia – é coisa de oposição pela oposição, o pior da democracia e do sistema partidário.

Sabe-se que a recusa sistemática do diálogo pode ajudar as sondagens, mas não ajuda o país.

Sabe-se que as privatizações são fundamentais e urgentes, menos por razões ideológicas que por motivos pragmáticos e morais. É que, enquanto o Estado for proprietário da economia, julga em causa própria, o que é, pelo menos, ilegítimo. Enquanto o Estado, em vez de “gastar” em fomento e “agitação” económica, andar a sustentar elefantes brancos – transportes, BPN’s, RTP’s e tanta outra cangalhada – o cinto dos cidadãos vai deixando de ter furos que cheguem, não por causa da dívida e do défice mas por razões internas de raiz ideológica e constitucional.

Sabe-se que isso de “reforma do Estado” é, felizmente, inevitável. E também se sabe que quem sabe disto tão bem ou melhor que toda a gente, se nega seja a que reforma for, a começar pela da hidra de sete cabeças que se meteu na Constituição e nos rói os ossos.


Muita coisa se sabe. O problema é que também se sabe que os mais próximos e mais violentamente responsáveis pela culpas internas da nossa desgraça, não só, a tal respeito, assobiam para o ar, como se entretêm a destruir por destruir, sem escrúpulos nem qualquer sombra de decência política.

Sabe-se que esta estratégia tem resultado. Pelo menos nas sondagens. Coisa que, afinal, parece ser o que mais importa.

 

18.11.12

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “O QUE SE SABE”

  1. É verdade: estes partidos demagogos, que vivem para as sondagens, são uma vergonha. O Irritado já imaginou o que seria ter um Governo eleito com base em demagogia e mentiras? Um PM que tivesse incumprido TUDO o que prometeu? E que, para cúmulo, nem pedisse desculpa pelo facto? Já imaginou um Governo que se desculpasse com a “pesada herança” do anterior, que TODOS os portugueses estavam carecas de saber, e que ainda por cima não responsabilizasse ninguém por essa herança? E já imaginou se tudo isso passasse impune, como se qualquer legitimidade fosse possível numa “democracia” em que cada um diz o que lhe dá na gana para ser eleito, e depois faz o exacto oposto, com o maior descaramento do mundo? Seria vergonhoso, Irritado, ainda mais vergonhoso… não concorda?

    1. Em parte, v. tem razão. Passos Coelho não devia ter dado a esperança que deu na campanha eleitoral. Por ser mentiroso, ou por não fazer ideia da profundidade do buraco? V. escolherá a primeira, eu a segunda.Quanto à perseguição aos culpados dos desmandos anteriores, a triste verdade é que, com a “justiça” que temos, não sei se vale a pena perder tempo e dinheiro com isso.

      1. Segue um copy-paste de mim próprio: O Sr. Passos conhecia a situação, e tinha contas feitas. Explicou-as a toda a gente, apresentou programas, ganhou debates, ganhou votos, e ganhou as eleições. Tudo com base nas tais contas, e nas promessas que fez. Se as contas estavam tão erradas, então só podia DEMITIR-SE. E se as contas estavam certas, mas eram baseadas em dados falsos ou incompletos, então só podia explicar isto à população, RESPONSABILIZAR os culpados, e propor novo caminho – que teria sempre de ser LEGITIMADO, pois era o oposto do prometido. Ora, nada foi explicado, ninguém foi responsabilizado, e nada foi legitimado. Este Governo limitou-se a ir-nos ao bolso, sem mais explicações e sem perguntar nada a ninguém. Isto está ao nível de qualquer FRAUDE, com o agravo de termos de assistir à protecção descarada dos lobbies e interesses de sempre, e dos mega-boys e mega-tachos de um Governo que se dizia sério e “diferente”. ————————————– Somos assim governados por gente sem palavra, sem vergonha, e sem legitimidade.

        1. V., que é um tipo inteligente, passa avida a fazer copy paste de si mesmo. A política, diz-se, é a arte do possível. Passar a vida a diabolizar este mundo e o outro nunca levou a parte alguma.Repito-me também, em jeito de pergunta: acha que, com uma justiça como a nossa, andarmos a perder tempo e dinheiro em perseguições?

          1. A arte do possível? É de facto possível, infelizmente, mas não vejo grande arte neste Governo: qualquer imbecil aumenta impostos. Quanto ao resto, batatas. A Justiça é um dos seus bodes expiatórios favoritos, e tem boas razões, mas recordo-lhe que as leis não são feitas pelos magistrados. Este Governo tem a maioria, e o poder para fazer tudo o que não afecte a sacrossanta Constituição. A responsabilização efectiva de políticos por GESTÃO DANOSA – sem falar das trafulhices conhecidas – era uma das bandeiras de Passos Coelho. Tal como as restantes promessas, levou-a o vento. Questionar se vale a pena, e chamar a isto diabolização ou perseguição, enquanto sofremos as consequências de quem vive como playboy em Paris, parece-me obsceno. Bem sei que Portugal é mais africano do que europeu, mas tudo tem limites. Se tudo fica impune, então todos têm o direito de transgredir. E fugir a este saque fiscal, para pagar calotes de criminosos mais a respectiva agiotagem, torna-se um imperativo moral. Lamento, mas a honestidade do seu Passos resume-se em duas palavras: MIGUEL RELVAS.

  2. O que vale é que o homem começou por confessar que nada sabe de macro ou micro economia.Mas não só,digo eu.O que se percebe é que fala de barriga cheia!!!

  3. A court in Croatia has sentenced former Prime Minister Ivo Sanader to 10 years in prison for taking bribes, in a case closely watched by the EU.Sanader, in office from 2003 to 2009, was convicted of taking millions of dollars in bribes from a Hungarian energy company and an Austrian bank. The former prime minister denied wrongdoing at his trial.Croatia, which hopes to join the EU in July of next year, is under pressure to tackle widespread corruption.Correspondents say the EU is taking a harder line with the Balkan state than with Romania and Bulgaria, which were allowed to join the bloc despite struggling to address their problems with corruption.Sanader, 59, is the most senior official to have been convicted of corruption in Croatia.’War profiteering’ He was found guilty of accepting a bribe of $12.8m (£8m; 10m euros) from the Hungarian oil company MOL in return for securing it controlling rights in Croatia’s state oil company Ina.Unless Tuesday’s verdict is overturned on appeal, Croatia may review MOL’s shareholder agreement with Ina, Reuters news agency says.In 1995, when Sanader was a deputy foreign minister, he received $695,000 in bribes for a credit deal with the Hypo Alpe Adria Group, which gave the Austrian bank a leading position in Croatia. At the time, Croatia was still fighting its war of independence from Yugoslavia, meaning it had trouble accessing the international markets.Prosecutors described Sanader’s action as “war profiteering”. Sanader argued that the case against him was politically motivated.He is also on trial, separately, for allegedly creating slush funds for his political party, the conservative Croatian Democratic Union (HDZ), by skimming off profits from state companies and manipulating public tenders.The HDZ ruled the country for eight years until its defeat in elections in December 2011.O sinistro do sousa anda a passear em Paris.

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