Os proto-candidatos à presidência do PSD deram à sola. Por razões “pessoais”, dizem. Não acredito.
Compreendo o Montenegro, mas acho que devia ser mais sincero: teria dificuldade em renovar o partido por tão, e tão lealmente, ter servido Passos Coelho. Ou negava o “pai”, o que seria muito feio, ou deixaria tudo na mesma, o que, por injusto que se ache, não é o que se pretende.
O Rangel é mais difícil de perceber. As “razões pessoais” são indiscutíveis por natureza, mas, politicamente… O homem tem ganho prestígio ao longo dos anos, custa a crer que deite fora o capital que tem vindo a acumular.
Uma explicação que anda por aí é a de que o sucessor de Passos Coelho será um líder de transição, isto é, destina-se a durar pouco e a perder as legislativas de 2019, se lá chegar. Duas ideias discutíveis. A serem verdade, não abonam nem a favor do Montenegro nem do Rangel. Sê-lo-ão?
É fatal a manutenção de geringonça até 2019? Não é, por muito que Belém o deseje. É fatal que o PS ganhe as eleições, com geringonça ou sem ela? Não é, que as consequências dos “êxitos” da geringonça acabarão por se mostrar, com a crueza da verdade.
Ficamos com a candidatura de Rio e, desejavelmente, com a de Santana Lopes.
Rio, é sabido, será um prestimoso auxiliar de Costa, para além de porta voz de uma das maiores desgraças a que o país pode ser submetido: a regionalização, com a multiplicação da classe política, o país a retalho, a autonomia autárquica no caixote do lixo. Rio pode ter uma ou outra ideia digna de apreço mas, no fundamental, é nacional e partidariamente indesejável.
Resta Santana Lopes, homem com obra feita nos palcos a que subiu (enquanto PM não teve tempo para tal, dado o vergonhoso golpe de Sampaio), odiado por socialistas e quejandos que o julgavam preso aos varais da Santa Casa, com uma gravitas adquirida e um sentido político e de Estado inegáveis, conquistados numa longa carreira, feita de coerência desde a primeira hora. Como reagirá a máquina do PSD é coisa que ninguém sabe, embora se saiba que há por lá muitos gatos ansiosos por se arranhar.
As “directas” são uma lotaria vergonhosa. Entraram nos costumes políticos com desculpas “democráticas”, mas são o contrário do que dizem ser: um mar de caciques e de intoleráveis manobras.
Tudo é possível: desde a queda no inferno regional à afirmação de um Estado mais justo e de uma sociedade mais livre, menos enfeudada, mais virada para os cidadãos – cada cidadão como ser responsável, com direitos e obrigações.
A ver vamos.
9.10.17

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