Diz-se e escreve-se (ainda que não se diga nem escreva como nem porquê se chegou a tal conclusão) que há 12.600 pessoas que morrem por ano em consequência do tabaco. E, que horror, tais criaturas custam ao Estado 500 milhões de Euros. E pagam, em impostos, 1.400 milhões.
Resta um saldo de 900 milhões para ajudar os que morrem em consequência do frango de churrasco (colesterol), dos tremoços salgados (tensão arterial), do vinho tinto (cirrose do fígado) e do excesso de caspa (exagero na coçagagem da moleirinha).
Os automobilistas activos, a breve prazo, ou deixam de ser automobilistas ou serão objecto de ferocíssimas multas. É que, à semelhança dos fumadores, andam para aí a encher os pulmões de terceiros com CO2. É urgente a criação de uma associação de automobilistas passivos para acabar com os activos.
Por maioria de razão, a Carris deverá deixar de prestar serviços de transportes para que os lisboetas não se vejam obrigados a respirar os eflúvios dos injectores de gasóleo desafinados. Como solução alternativa, há quem proponha a criação de ruas livres de autocarros, o que será da competência das Juntas de Freguesia. Quem quiser andar de autocarro deverá pagar uma “contribuição compulsória”, destinada a financiar os sapatos de ténis dos cidadãos auto-saudáveis.
As mudanças e outros transportes de mercadorias serão proibidos, a não ser que sejam feitas por carros de bois (servindo a respectiva bosta para adubar as hortas do Arquitecto Paisagista Telles) ou às costas dos interessados com menos poder económico.
Na senda da luta contra o tabaco, e pela mesma lógica, será proibido o aquecimento doméstico, uma vez que uma caldeira a gás lança para a atmosfera, por hora, mais CO2 que uma discoteca africana numa noite inteira (se isto não for verdade, arranja-se um estudo como o dos mortos do tabaco, e passa a sê-lo), pondo em risco a saudinha dos aquecidos passivos. Quem tiver frio que se previna com cobertores.
E assim por diante.
Vem aí o melhor dos mundos.
António Borges de Carvalho

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