IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O IMPÉRIO CONTRA ATACA

 

Vejam estes mimos:

 

José Sócrates não está morto e enterrado. Desenganem-se aqueles que já o começam a ver pelas costas.

A esquerda moderna não morreu no primeiro acidente.

Sócrates está num período de distensão semelhante aos atletas de alta competição após uma prova.

O PS caiu às mãos da crise económica. Não foi derrotado, nem por erros governamentais, nem por méritos da oposição. Foi uma derrota injusta.

(Sócrates) fica melhor com o (fato) de lobo. O fato de cordeiro não lhe assenta.

Estas belas frases foram escritas num só dia. Foram seleccionadas pelo jornal privado chamado “Público” como as mais importantes de 6ª feira passada.

Da selecção de hoje, com as frases de ontem, vejam:

A discussão sobre o TGV é saloia e oportunista. Quem anda pelo mundo não tem dúvidas de que esta obra tem que se fazer.

A partir de agora, votar Sócrates é votar TGV.

É muito fácil, como se vê, ser oposição em Portugal.

Isto quer dizer que os comentadores “independentes”, como o senhor António José Teixeira, propagandista, umas vezes subliminar outras não, do PS, como o senhor Carlos Marques de Almeida (quem será?), como o senhor Bruno Proença, de serviço no “Diário Económico”, como o senhor João Tocha, do jornal ultra socialista “Diário de Notícias”, como senhor Marcelino, ultra socialista director do mesmo jornal, como, quem diria, o senhor Pereira Coutinho, do “Correio da Manhã” e o senhor Madrinha do “Expresso", tudo minha gente está na luta a favor do Império.

Trata-se só de uma pequena amostra, que o Irritado não lê todos os jornais, nem os tipos do “Público” citam todo o “plantel” da propaganda.

Ontem à noite, no programa “Eixo do Mal”, coisa que às vezes até tem alguma piada, a dona Alves perorava contra a campanha negra que se move por aí contra o senhor Pinto de Sousa, personalidade que, no dizer desta indefectível soarista, está acima de qualquer suspeita. Nenhum dos intervenientes (todos inimigos figadais da dona Manuela, até o que se diz PSD, liberal, etc.) se lembrou de chamar a atenção da dona Alves para os factos indesmentíveis relacionados com o curso do homem, com o apartamento do homem, com a história da Cova da Beira, com a propaganda da Adidas, com o défice aldrabado, com o “relatório da OCDE”, com as suspeitas do Freeport, com as palhaçadas parlamentares, com as diárias aldrabices, etc. etc. etc., nada disto chegando para qualificar o “carácter”, a “lisura”, a “idoneidade” do homem para ser primeiro ministro de um país civilizado ou que tal se quer julgar.

Em defesa do Império, saem à liça os sátrapas, os sibaritas, os muchachos do homem, velhos e novos. Para esta malta, quem não for incondicionalmente a favor do TGV et alia, é uma besta quadrada, um desgraçado que nunca passou de Alguidares de Baixo, que não “ anda pelo mundo”. Para outro qualquer, quem não embarca na coisa, de caras, sem hesitações, sem medo, sem dúvidas, não passa de um “saloio” e de um “oportunista”. Quem acha que o TGV até pode ser interessante, tem que votar no Pinto de Sousa, para não se arriscar a que lhe chamem palhaço, e com toda a razão.

A estratégia está montada. Pinto de Sousa não morreu, antes pelo contrário, aí está, cheio de força e de razão. Pinto de Sousa é um desportista de alta competição, que está a descansar dos jogos europeus para aparecer em forma na próxima prova. A “esquerda moderna” (que raio será isso?) está viva e de boa saúde, atrás do seu grande líder e educador Pinto de Sousa. O PS, coitadinho, perdeu as eleições por causa da crise internacional. Uma injustiça. Tudo o que fez estava certo. Coitadinho.

Numa coisa não consegue a malta da propaganda pôr-se de acordo: quando se trata de determinar exactamente que tipo de animal é o homem. Há uma quase unanimidade em recusar a ideia do cordeiro cuja pele o homem tirou da cartola. Eles querem um animal forte, um animal que meta medo. Um leão? Um tigre? Não sabem, coitados. Cordeiro é que não. Pelo menos, diria o Irritado, podiam optar por um lince da Malcata, daqueles que o Sapateiro manda de Castela, um bicho que não se sabe bem se é um gato ou um chacal. Uma coisa intermédia. O irritado optaria pela hiena, bicho que, sem nojos de nenhuma espécie, poderá alimentar-se dos nossos restos mortais. Por si, no entanto, o Irritado, que não percebe nada de zoologia e, por definição, não tem razão, também não consegue ter uma opinião definitiva. Gostaria de o ver transformado em orangotango e fechado, para o resto da vida, numa jaula do jardim jaleco. Solução que, do ponto de vista logístico, se afigura difícil. Não é, ó gente?

Esclareça-se, em abono da verdade, que o Irritado não é, radicalmente, contra o TGV ou contra as obras públicas em geral. Acha é que, por um lado, quem não tem dinheiro não tem vícios e, por outro, que não é com exclusiva base em obras públicas que se sai do buraco, antes pelo contrário. Pelo menos para não dar razão ao senhor Coutinho, o qual, com indisfarçada alegria no prognóstico, diz que votar TGV é votar Sócrates.

Não se iludam os Coutinhos. Mesmo os que gostariam de ir em duas horas e meia a Madrid, podem ter a certeza que, com o Pinto de Sousa, nunca irão a parte nenhuma.

Espera-se, com ansiedade, que a dona Manuela nos dê, em concreto e caso a caso, conta das suas ideias a este respeito. Antes que a malta da propaganda comece a fazer ainda mais barulho.

21.06.09

António Borges de Carvalho  


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