IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O FIM DO GAULISMO?

 

Quando, em 1966, De Gaulle resolveu abandonar a estrutura militar aliada, com a consequente transferência da sede da Aliança para Bruxelas, atingia-se um ponto crítico da estratégia “independentista” do general, que tinha começado pela exigência do lugar da frente na parada da libertação, como se fosse ele, ou o seu país, os principais autores dos esforços que levaram a que tal comemoração pudesse ter lugar.

De Gaulle aceitava e agradecia à coligação aliada, mas, longe de reconhecer as culpas da ocupação que cabiam aos franceses e a relatividade do seu papel no desenrolar dos acontecimentos, não aceitou com a humildade que se justificaria a sua dívida aos aliados.

 

Fundadora da NATO, a França depressa viria, assim, a afastar-se dos seus centros de decisão e da sua estrutura militar, arrogando-se o direito a uma autonomia decisória que, em relação aos seus compromissos iniciais, nunca foi tida por inteiramente legítima, ainda que, politicamente, não pudesse deixar de ser aceite. Era um mal menor.

A proclamada independência em relação a Washington em matéria de defesa viria a revelar-se improcedente, ou contraproducente. A verdade é que a “independência” gaulista veio a redundar numa das mais importantes causas da presente situação de afastamento e atraso tecnológico da Europa em relação aos EUA, e de falta de interoperabilidade entre as forças armadas europeias e americanas, com consequências que a própria França viria a sentir, por exemplo quando procurou o guarda-chuva americano para a guerra da Jugoslávia, sem o qual tal guerra teria causado dezenas de milhares de mortos.

Dos países europeus, só o Reino Unido foi capaz de manter alguma “paridade” defensiva com os EUA. Caíram em saco roto os apelos de Kenedy para a criação do “pilar europeu da NATO”, devido, entre outras causas, à não integração da França, aliado indispensável à criação de tal pilar.

 

Sarkozy declarou solenemente o fim desta era. Ou porque percebeu a relativa fragilidade dos seus instrumentos de defesa em face de ameaças que os ultrapassam, precisando de mais cooperação externa, ou porque achou que o peso militar e estratégico do seu país não encontrava enquadramento digno na partilha do poder aliado.

 

Trata-se de uma atitude arrojada e de uma viragem muito significativa, não só na posição francesa no quadro da NATO, mas também nas potencialidades de concertação estratégica dos aliados, num quadro de incerteza e de preocupação.

 

A esquerda francesa, que tanto se opôs a De Gaulle, opõe-se também a esta mudança de filosofia, sabe-se lá porquê. Ninguém tem nada a perder se a França deixar de ser La Fraaaaance de De Gaulle para passar a ser um parceiro com inegável poder militar no xadrês europeu, partilhando em pleno e estando à altura das responsabilidades que nele lhe cabem.

 

12.3.09

 

António Borges de Carvalho


2 respostas a “O FIM DO GAULISMO?”

  1. Avatar de Sebastião de Castello-Branco
    Sebastião de Castello-Branco

    100% de acordo com esta exposição, não só das “caganças” de De Gaulle, totalmente despropositadas, mas também com o mal que elas fizeram às relações Europa-E.U.. Bem pode o monumento a De Gaulle citar-lhe a bravata de que a França “se bate há dois mil anos pela liberdade”. Em primeiro lugar, é mentira: a França sempre só se bateu por si. Em segundo lugar, desde Napoleão que não ganhou uma única guerra, a não ser à pendura dos verdadeiros vencedores. Em terceiro lugar, porquanto pese à empáfia Gaulista a partir de Londres, a Résistence, sem menosprezo de alguns seus mártires, só se ergueu com mais ânimo a partir da derrota de Hitler em Stalinegrado, quando definitivamnete se pôde concluír que a Alemanha entrara no caminho da derrota. Sarkozy? Também só pensa na França e na sua pateta e permanente ambição de liderança; esta reviravolta, conquanto útil e merecedora de aplauso, não tem nenhum outro motor.

    1. Caro comentadorObrigado pelo comentário.É evidente que, para o Sarkozy, o que está em causa é o pouvoir de la France. Desta vez de pernas para o ar, em relação ao que é costume, Espera-se que a coisa funcione de forma positiva para o Ocidente.E como a reintegração implica também algum acréscimo de responsabilidade, é de acreditar quer não será de borla…Chau.

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