O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) teve a subida honra de apresentar à Nação o seu orçamento para 2007.
Independentemente das ignóbeis medidas que o documento consagra, é visível à saciedade que a sua mais importante, senão única, motivação, é a da redução do défice público.
Mais uma vez Pinto de Sousa (Sócrates) se desdiz, sem pudor, sem vergonha, sem dignidade. Quem não se lembra dos programas, na RTP, que punham frente-a-frente dois jóvens políticos – Santana Lopes e Pinto de Sousa (Sócrates) – que, à altura, ninguém imaginava viriam a ser primeiros ministros? Discutia-se, ao tempo, e não há tanto tempo assim, a negregada política, aliás bem sucedida, de contenção orçamental da drª Manuela Ferreira Leite. Com a virulência mecânica que o caracteriza, Pinto de Sousa (Sócrates) anatemizava as ideias da senhora, a quem, semanalmente, acusava de cegueira, de dar primazia ao problema orçamental em prejuízo das questões sociais e económicas, de arruinar o país e os portugueses com medidas violentas sem outra intenção ou outro horizonte que não fosse o da contenção do défice pela contenção do défice.
O mesmo veio a acontecer com, ou contra, Santana Lopes/Bagão Félix e a sua política orçamental, aliás também bem sucedida, acusada de ser mera continuação da de Manuela Ferreira Leite.
Não houve pecado que não fosse atribuído a tais políticas. Infelizmente para o senhor Pinto de Sousa (Sócrates), em termos orçamentais os objectivos dos governos Barroso/Santana foram, nos limites da fasquia europeia, conseguidos, sem que os sacrifícios exigidos à sociedade tivessem qualquer comparação com os que ele agora exige, isto para ficar dentro dos limites de fasquia bem mais modesta, e mais de cinquenta por cento para além da dos seus antecessores.
Alinhando, do alto do seu cargo, com a oposição, o senhor Presidente Sampaio entrou na luta lado a lado com Pinto de Sousa (Sócrates). É dele a célebre frase "há vida para além do défice", em si mais demolidora do que qualquer discurso parlamentar ou qualquer comentário de jornal.
Agora que, para atingir o nobre objectivo de rebentar com todas as escalas europeias, o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) se atira como um lobo esfaimado à fazenda e ao bem estar dos seus concidadãos, sobretudo os mais fracos, onde está o dr. Jorge Sampaio? Parece que deixou de existir. Terá falecido?
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário