Com o rigor que os interesses do patrão impõem, a RTP chamou de urgência o senhor Bava (raio de nome), a fim de que a população ficasse esclarecida acerca da compra de 30% da TVI pela PT. A coisa foi apresentada à Nação como se tivesse sido o senhor Bava a pedir para lá ir. No entanto, quem o viu e ouviu, ou é estúpido ou percebeu que o homem estava lá pelos cabelos, apostado em virar o disco e tocar o mesmo, durasse aquilo o tempo que durasse.
O mais engraçado é que a rapariga tinha, com certeza, ordens expressas para sacar do homem a “verdade” de que o governo estava à espera. Nem pensar! A loira perguntou-lhe dezenas de vezes se a PT tinha, ou não, falado com o governo, e se o governo tinha aprovado a operação. O homem, dezenas de vezes, despejou a cassette, que a PT está carente de “conteúdos”, que compete à comissão executiva dar alegrias aos accionistas, que o conselho da(sic) administração é que manda, que vai haver montes de canais para o povo, montes de produtos para vender aos 250 milhões de falantes da língua-mãe, etc. Quanto a conversas com o governo, “nim”. O homem, coitado, ou não percebeu a pergunta, ou não sabe o que é o governo, ou “os gajos que se desenrasquem, não me chateiem com as borradas que fazem”.
E assim foi. Queriam que ele dissesse que o senhor Pinto de Sousa não sabia de nada? Vão-se lixar! Queriam que dissesse que o que o senhor Pinto de Sousa diz é verdade? Não queriam mais nada? Nem que tenha que passar a noite aqui a responder a alhos com bugalhos, ninguém ouvirá nada da minha boca!
Qualquer coisa me sussurra que, se o senhor Pinto de Sousa não for rapidamente posto na rua, o senhor Bava tem os dias contados.
Só mais uma pequena nota sobre esta comédia. O actor principal, que, com inteira razão, se acha o centro e a origem de tudo, já veio, espertíssimo, sangrar-se em saúde. Como? Declarando o seu entusiástico apoio à compra pela PT, a fim, ou de se afirmar de pedra e cal na TVI, ou de se tornar mais caro quando o quiserem pôr na rua. Bem visto. Uns maravedis para o Moniz!
26.6.09
António Borges de Carvalho

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