Este talvez seja um post que contradiz o anterior. Sosseguem. O que diz o anterior continua válido: Costa é mesmo burro.
O que não quer dizer que, como dirão os socretinos, o Alegre, o Soares fiho, o Santos e outros mais, que o burro não seja um génio. Derrotado, humilhado, ridicularizado, facto é que tomou a iniciativa política e é o mais badalado de todos. Chàzinhos com o Jerónimo (“muito produtivos”) e com a politicamente inexistente Apolónia (“vastos pontos de convergência), as miúdas e o careca do BE com o cafèzinho à espera, uma reunião (“vazia”) com a coligação, a imprensa contentíssima com esta ópera toda, o burro a somar pontos na propaganda.
A coisa é de tal ordem que já toda a ilustre intelligentsia nacional se esqueceu da Constituição, das praxes e procedimentos que são constantes no nosso pobre sistema, para embarcar em cenários que as eleições não justificam e referir ad nauseam as coligações dos países do Norte da Europa, a dizer que tudo é possível, a entreter o pagode com hipóteses malucas em vez de ir ao fundo das questões. No Norte as coligações são possíveis porque no Norte não há partidos comunistas. Mais à esquerda ou mais à direita, há consenso sobre a democracia e as relações externas. O que não é o nosso caso. Os limites democráticos de que Portugal sofre não são comuns lá para cima.
A coisa é de tal forma que todos esquecem a própria Constituição, que postula o caminho europeu do país que os partidos comunistas negam, o respeito pelos tratados que os partidos comunistas abominam, os compromissos assumidos que os partidos comunistas não querem respeitar. A “teoria” em voga nas opiniões expressas, à esquerda e à direita, é a do cenário da possibilidade de uma coligação do PS com os comunistas, coisa “possível”, desejável ou não segundo as opiniões, mas “viável”, “normal”, “dentro dos limites democráticos”.
Uma vez criado o ambiente em que a catástrofe passa a fazer parte das “virtualidades” do sistema, e aí temos a grande vitória do burro.
Há duas esperanças de salvação.
A primeira, corporizada pelos membros do PS que não alinham com as arrancadas do burro e querem manter o partido na sua postura tradicional. A segunda, a residir no PR, que parece ter a noção dos compromissos e dos interesses nacionais – constitucionais e políticos – e que poderá dar um murro na mesa e acabar com as burrices do burro.
Em qualquer dos casos, será uma mini salvação. Isto porque o nóvel “partido charneira” terá já assumido demasiados compromissos com os comunistas para chumbar tudo o que um governo democrático possa querer fazer.
De uma forma ou de outra, teremos que esperar, com a calma dos desesperados, que um eventual governo democrático caia para, a seguir, dar, em eleições, a marretada final no burro.
Entretanto, acaba o investimento, a Segurança Social vai à falência, a agências enterram-nos no lixo mais malcheiroso, a banca entra em colapso, andaremos quatro anos para trás, ou ainda pior.
Uma eleição esperançosa será, por mor do burro, transformada numa derrota do país e na vitória do caos. Os comunistas (PC, BE e compagnons de route), contentíssimos, agradecerão ao burro.
10.10.15

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