IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NÚMEROS E GUERRAS

 

Os números estão na moda. Não há quem não faça estatísticas, gráficos, curvas, ordenadas e abcissas, listas… nem quem não tire conclusões. Tantas certezas, tantos estudos, tantos académicos, tudo minha gente quer ver se demonstra coisas indiscutíveis. Os mesmos números servem para conclusões opostas. É o caso, por exemplo, do crescimento económico: para a geringonça estamos, gloriosamente, acima da média da UE; para as pessoas sérias, estamos na cauda dos que nos podem servir de bitola.

Às vezes, porém, há coisas indiscutíveis. Por exemplo, a classificação das escolas. As 32 melhores são todas privadas. Das cem primeiras, 66 são privadas. E assim por diante. A conclusão da geringonça é que as escolas privadas devem acabar, nem mais um tostão, nem um contrato, e os que há são para acabar. Para tal gente, zero! Quando os alunos forem todos igualmente ignorantes, aí teremos a igualdade, objectivo número um do verdadeiro socialismo! E as pessoas? Que se lixem as pessoas.

E as PPP da saúde, hem? Vamos mas é acabar com elas, professa a geringonça. Não interessa se funcionam bem ou mal, se dão lucro ou prejuízo ao Estado, se cumprem ou não os contratos. Se derem lucro, vamos a elas: as facturas do passado, mesmo conferidas e aceites pelo governo, não contam, vamos mas é sacar uns milhões a esses gajos, a ver se acabamos com eles. E, se pagamos a 300 dias, vamos passar a 600, quer a Europa queira quer não. As pessoas estão contentes com a gestão privada dos hospitais públicos? Que se lixem as pessoas. Socialismo é socialismo! Habituem-se, a brincadeira acabou.

No caso da ADSE, a coisa fia mais fino. Os donos da ADSE são os meninos bonitos do PS, os eleitores funcionários públicos. Mas a ADSE, um esquema parecido com os seguros privados, não pode ser bem vista pelo socialismo. Porquê? Porque é a irrefutável prova das preferências dos cidadãos. Os cidadãos que podem, não escolhem o SNS, como não escolhem os hospitais de gestão pública. A geringonça, cuja filosofia mandaria acabar com a ADSE, está num molho de bróculos. Quer dar um sinal verdadeiramente socialista, mas não tem para tal um bom pé. A solução é acabar com os privados, por definição os culpados de tudo e mais alguma coisa. Que fazer? Vamos começar uma guerrinha, pensaram os geringonços. O pior é que, nem os trabalhadores públicos querem acabar com o que, em matéria de saúde, os favorece, nem os prestadores de cuidados estão pelos ajustes. E agora? Mais uma vez, os malditos números favorecem o cancro que são os privados. Não importa. Lá chegaremos. As pessoas que se lixem. O socialismo vencerá. Lá dizia o Jerónimo: a vitória é difícil mas é nossa.

Conclusão: ou as pessoas acordam…

 

17.2.19      



4 respostas a “NÚMEROS E GUERRAS”

  1. Que show das escolas privadas, hã? Esmagador! Quase parece que escolhem os melhores alunos, ou que inflaccionam as notas. PPP darem lucro ao Estado é tão provável como chuva a cair para cima; são contas selectivas ou marteladas. Mas ainda que dessem, isso nunca foi critério: a EDP, a REN, a ANA, a Galp, a PT, todas davam lucro… e não descansámos até nos vermos livres delas!

  2. É verdade, Irritado, por falar em números: viu o Jornal de Negócios? “Popularidade de Marcelo cai para níveis inferiores aos de Cavaco Silva”. Eis uma genuína surpresa. A ser verdade, se as massas começam realmente a fartar-se das tretas do Martelo, nem tudo está perdido: afinal, contra todas as evidências, sempre há limites para a piroseira e para o carneirismo – mesmo em Portugal. Claro que continuo céptico; e a Múmia Cavaca ser mais popular também não é exactamente uma boa notícia.

    1. Cavaco não era afectuoso, nem beijoqueiro, tinha uma mulher indescritível, nunca passou de Boliqueime, etc. Mas tinha mais dignidade no cargo que o actual. E só escorregou ao fim de uns 8 anos, com a história da falta de dinheiro. E, quanto a mim, (como escrevi na altura) quando acabou por aceitar a geringonça em vez de bater com a porta na cara desta gente.

      1. Dignidade no cargo… estará a pensar nos seis anos em que pactuou com o Pinto de Sousa, enquanto o bando deste saqueava o país? Nos recadinhos palermas? Nas viagens parolas? No sorriso das vacas? No ‘nascer duas vezes’ quando alguém apontou os seus compinchas trafulhas e a sua mama na SLN? O conceito de dignidade do Irritado parece limitar-se à forma, à pose e às aparências, como na sua cara monarquia. Para isso Cavaco serve: uma múmia sempre firma e hirta. Descobri-lhe este lindo epitáfio: https://obeissancemorte.wordpress.com/2015/11/16/cavaco-e-as-cagarras/

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